Quinta-feira, 22 de Abril de 2010
Maus tempos

Há por aí uma moda de achar que o facto de alguém garantir que vai recorrer a tribunal para se defender de difamação, injúria e afins, significa logo que esse cidadão está inocente. Ora, nem mesmo que a sentença seja favorável ao arguido se pode dizer que é difamatório afirmar que este esteve envolvido em certas actividades visto que, in dubio pro reo, absolve-se a criatura. Isto não significa que não haja factos concretos e provados que aproximam aquela pessoa de certo envolvimento menos transparente e que põem em causa, no caso de se tratar de uma figura com responsabilidades políticas, a sua posição ética perante o organismo que representa.

 

Esta conversa toda para dizer que esta notícia sobre o dr. Ricardo Rodrigues já não espanta ninguém. O deputado do PS, para além dos truques que usa para branquear os resultados das comissões parlamentares que integra, para além da sua conduta medíocre em relação aos outros deputados com um moralismo absolutamente hipócrita, tem o desplante de participar activamente na comissão de ética. O que lhe falta, em rigor, é vergonha na cara, coisa que já deve ter perdido há muito tempo.

 

Quando surgiu a história do igualmente execrável António Preto, a opinião pública não teve dúvidas na acusação que lhe foi feita, mesmo antes deste ser julgado. No entanto, em relação ao deputado socialista há um silêncio cúmplice que chega a ser assustador. Não posso deixar de notar que a conversa da insídia e do ataque pessoal, tão amplamente divulgada por José Sócrates, resultou tão bem que agora qualquer coisa que aconteça aos senhores do Partido Socialista é um ataque pessoal. Estamos a ser complacentes com esta gente por causa de uma guerra civil política - larvar, como disse e bem Irene Pimentel -, de uma necessidade de certas elites se manterem na mó de cima protegendo o partido que lhes garante conforto ideológico e emocional e ignorando voluntariamente aquilo que deve ser a característica fundamental de um deputado - conduta ética irrepreensível.



publicado por jorge c. às 17:22
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1 comentário:
De Luis Melo a 22 de Abril de 2010 às 19:02
Concordo plenamente. Se há coisa que muitos deputados (de vários GP) não têm é uma "conduta ética irrepreensível".

Há alguns GP que, mesmo tendo deputados com essas características, insistem em colocar na linha da frente da AR, deputados que não merecem sequer o ordenado que ganham.

Isto é consequência daquela máxima que agora vigora e diz que mais vale ter cães de fila na linha da frente, do que homens reputados e capacitados para o exercício das funções de liderança


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