Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011
Naturalizar

Como todas as leis, a da Nacionalidade foi-se modificando. A transformação das realidades sociais e culturais em democracia impõe sempre uma modificação da matéria da lei porque o contrário seria estrangular uma sociedade que não reflecte aquela realidade constitucional.

A Naturalização é uma dessas matérias que foi sendo alterada e, hoje, diz-nos o art. 6ª da Lei 37/81:

1- O Governo pode conceder a nacionalidade portuguesa, por naturalização, aos estrangeiros que satisfaçam cumulativamente os seguintes requisitos:

 

a) Serem maiores ou emancipados à face da lei portuguesa;

b) Residirem há seis anos, pelo menos, em território português ou sob administração portuguesa;

c) Conhecerem suficientemente a língua portuguesa;

d) Terem idoneidade moral e civil;

e) Possuírem capacidade para reger a sua pessoa e assegurar a sua subsistência.

Este comentário de Paulo Bento, portanto, não é xenófobo, é apenas ignorante. Não é preciso fazer um grande drama à volta disto. Mas podemos ser um bocadinho pedagógicos e explicar ao Paulo Bento que, em primeiro lugar, não é ele nem nenhuma instituição desportiva que decide se um cidadão se deve ou não naturalizar. Essa escolha cabe a cada indivíduo e a decisão ao Estado. A única coisa em que Paulo Bento manda é nas suas convocatórias.

Acontece que se Paulo Bento voltar a fazer afirmações destas e depois não convocar jogadores naturalizados pode perfeitamente estar a incorrer em discriminação e a violar a Constituição.

Este é um problema comum na maioria dos portugueses que pensa a naturalização do futebol fora da esfera jurídico-constitucional. Não há nem pode haver excepções. A questão da naturalização é única e exclusivamente do âmbito jurídico.



publicado por jorge c. às 12:19
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6 comentários:
De Divisão Azul a 14 de Fevereiro de 2011 às 21:26
"Este comentário de Paulo Bento, portanto, não é xenófobo, é apenas ignorante. Não é preciso fazer um grande drama à volta disto.Mas podemos ser um bocadinho pedagógicos e explicar ao Paulo Bento que, em primeiro lugar, não é ele nem nenhuma instituição desportiva que decide se um cidadão se deve ou não naturalizar. Essa escolha cabe a cada indivíduo e a decisão ao Estado. A única coisa em que Paulo Bento manda é nas suas convocatórias."

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Completamente errado e desonesto o seu raciocínio, porquê? Porque...
1º Se se trata de competições entre nações, entre países, tem que haver honestidade desportiva, se a nossa selecção deve representar o nosso povo - português então devemos de jogar somente com os portugueses nativos. Desonestidade e palhaçada é ir buscar um lateral esquerda ao Botswana só porque nos falta 1, ou ir buscar um ponta de lança por queremos mais golos. A selecção NACIONAL não é um clube de futebol, com a identidade não se brinca. Se querem brincar ás contratações internacionais, fácil, não lhe chamem selecção nacional, ou então chamem-lhe selecção das Nações Unidas.

2º Continuando, quem decide sobre Portugal são os portugueses, a nacionalidade herda-se, não se dá, nem se vende, muito menos está sujeita a juízos de valor, ou "por pseudo chantagem e prestação de serviços. Um Lobo por nascer num estábulo isso não faz dele um Cavalo. Se se trata de uma competição entre países devemos de jogar só com os portugueses nativos, ou seja brancos. E sim, nós portugueses temos todo o direito e dever de decidirmos quem nos entra pela nossa casa, era mais o que faltava estarmos de portas escancaradas para milhões, repito milhões de africanos, sul americanos, asiáticos etc.. que desejam entrar a qualquer custo na Europa (e que até são boas pessoas), mas tal coisa é incomportável para bem da nossa identidade e segurança.

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Acontece que se Paulo Bento voltar a fazer afirmações destas e depois não convocar jogadores naturalizados pode perfeitamente estar a incorrer em discriminação e a violar a Constituição.
Este é um problema comum na maioria dos portugueses que pensa a naturalização do futebol fora da esfera jurídico-constitucional. Não há nem pode haver excepções. A questão da naturalização é única e exclusivamente do âmbito jurídico."
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Agora e mais uma vez está a ser completamente ridículo e espalhafatoso, portanto quem defende a identidade do seu povo e não quer que a selecção de um país chamado PORTUGAL, fique transformada num brasil b, está a violar a constituição? qual constituição? aquela escrita por traidores que escancararam as portas de Portugal e que cá meteram milhares de africanos que vão transformar o outrora seguro Portugal em um país de 3ºmundo.
A nacionalidade herda-se pelo sangue, da mesma forma que eu jamais serei coreano, um brasileiro ou africano jamais será português, jamais irá pertencer a este o povo do ocidente ibérico. E a quem está a violar aqui alguma coisa são os pseudo eruditos que querem transformar Portugal em um país de 3ºmundo, esses cometem a pena de alta traição, e ao mesmo tempo falta de coluna vertebral, que será punível.

Força Paulo B
Mentálitá Ultras


De Luís de Aguiar Fernandes a 14 de Fevereiro de 2011 às 23:13
O P. Bento apenas disse que não ia pedir a ninguém para se naturalizar, como aconteceu com Liedson. Não disse que não ia convocar um jogador que se naturalizasse.

Logo, toda a premissa deste post está errada, e o castelo de cartas cai num instante.


De jorge c. a 14 de Fevereiro de 2011 às 23:19
Caro Luis de Aguiar Fernandes,

Quem pede a naturalização são os cidadãos enquanto indivíduos. Este é o primeiro ponto.
O que eu digo posteriormente é que se Paulo Bento continuar a fazer estas afirmações pode estar - repare, é uma hipótese - a incorrer em discriminação.
Não se deve confundir a nossa expectativa em relação a uma instituição desportiva com aquilo que a lei determina. Essa é que é a premissa que está errada à partida no seu raciocínio.
Não há aquilo nenhum castelo de cartas, meu caro. Há apenas matéria de discussão.

Cumprimentos.


De Luís de Aguiar Fernandes a 15 de Fevereiro de 2011 às 00:07
Penso que P.Bento falava de pedir aos jogadores que estes pedissem a naturalização.

Quanto à hipótese de discriminação, acho muito improvável, para não dizer impossível, que ela fosse provada. Probatio diabolica.

Quanto ao castelo de cartas, não quis ofender. Entendo todos os raciocínios lógicos como castelos de cartas, só isso.


De jorge c. a 15 de Fevereiro de 2011 às 00:11
Esclarecidos.

Agora, repare que o post não tem como destinatário Paulo Bento, mas sim uma certa mentalidade. Assumo a interpretação das palavras de Paulo Bento como extensiva. Nada tenho contra Paulo Bento, nem é meu hábito lançar ataques ad hominem.


De Luís de Aguiar Fernandes a 15 de Fevereiro de 2011 às 00:26
Percebido, e ainda bem que nos compreendemos.


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