Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011
That's entertainment!

Hoje deparei-me com uma peça no Correio da Manhã que incluía um vídeo de um homicídio. É algo que me recuso a colocar aqui mas que acabei por partilhar durante o dia por estar em estado de choque. Não é o homicídio em si que me choca. Apesar da curta vida, já me passaram pela frente cenários bem mais inenarráveis do que aquele. Choca-me em particular a forma leviana como tudo isto é colocado à disposição das pessoas, sem qualquer filtro, sem qualquer critério. Choca-me porque vejo no Correio da Manhã e outros meios de comunicação da mesma estirpe um moralismo e um justicialismo que não são compatíveis com o Estado de Direito. Lembra aliás outras publicações de um tempo a que a grande maioria dos portugueses não quer certamente regressar. Ou pelo menos assim quero acreditar. Um tempo de fechar pessoas no Campo Pequeno.

Adenda: "Sobre uma certa forma de liberdade de expressão", por Funes, el memorioso



publicado por jorge c. às 23:02
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5 comentários:
De pbl a 23 de Fevereiro de 2011 às 00:50
Homem, aquilo é a notícia em si!

(veja o comentário que fiz no Funes)


De jorge c. a 23 de Fevereiro de 2011 às 12:05
PBL, respondo-lhe por aqui porque já andam por lá malucos à solta.
Ninguém põe em causa o interesse noticioso. O que se põe em causa é utilização das imagens como espectáculo mediático. Quando a narrativa das notícias ganha uma forma e daí se percebe a intenção do meio de comunicação, então já estamos perante uma situação reprovável. Aliás, no caso do CM, se tivermos em conta o seu target, como eles próprios têm, percebe-se bem a intenção. E não passa só pela intenção porque se age, de facto, em prol de uma certa narrativa que é cada vez mais evidente: a descoberta justicialista da verdade.
Obviamente que não compete a ninguém especular sobre as intenções. Mas o que aqui se diz é que há já uma narrativa. Quantos meios de comunicação teriam divulgado as imagens?


De Tiago Ferreira Marques a 23 de Fevereiro de 2011 às 12:23
E é muito grave o reconhecimento e o aplaudir por parte do target da utilidade, da necessidade e do valor dessa posição de "moralismo e justicialismo".
E é cansativo explicá-lo, estes casos surpreendem-nos sempre e deixam-nos invulgarmente de rastos.


De pbl a 23 de Fevereiro de 2011 às 12:55
Ora, ora, por essa ordem de ideias as imagens dos aviões a embater nas torres do WTC ou das pessoas a saltar dos edifícios também não tinham passado.
Aconteceu, há imagens, é notícia.
Há um interesse relevante, perfeitamente justificado, em publicar.
Não é um aproveitamento mórbido, meramente sensacionalista.


De Tiago Ferreira Marques a 23 de Fevereiro de 2011 às 13:28
O que leva uma linha editorial a decidir o que publica (o que "é notícia") nunca foi nem nunca será o facto de algo ter "acontecido" ou de "haver imagens".

Ou isso ou "ó comentário51, anda cá ver isto: o avô está a cagar na sala".


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