Quinta-feira, 3 de Março de 2011
Qualidade e rigor, desta vez na Sic

Acabo de ouvir no Jornal da Tarde Primeiro Jornal da Sic, o mesmo onde ontem Bento Rodrigues garantia que a descida da despesa tinha que ver com a subida de impostos, que o treinador do Sporting, José Couceiro, tinha uma "tarefa herculana". Parei, saboreei o vento que vinha da minha janela virada a sul e senti a brisa do mar tralara rarara. Depois de um ligeiro momento de descontracção, relaxamento dos músculos do pescoço e das mãos, fiz-me a um dicionário online. Vejam bem, já há dicionários online! É a loucura do progresso! Como não tinha nada para fazer pensei, ora deixa lá ver o que é uma tarefa herculana. Sendo que sou um génio, percebi logo que herculana seria um adjectivo e meti as mãos à obra. Olha... não aparece nada. A palavra não existe no dicionário online. Deixa lá ver nos antigos. Isto não há nada como papel que estas coisas da modernidade são muito falíveis. E... nada! Que estranho! Se calhar não teve tempo de procurar, o cavalheiro cujo nome me escapou. Ou se calhar - e eu não quero aqui lançar falsos testemunhos - os chefes destes cavalheiros andam a dormir.

 

 

Adenda: Portanto, a palavra enquanto adjectivo existe, mas é estúpido porque o ignorante deveria usar as mais comuns: hercúlea ou herculeana. Mantenho a minha posição e não desarmo. Fogo!

 

Adenda 2: Agora mais a sério, na Caixa de comentários deste post Bento Rodrigues responde à crítica que lhe enderecei.



publicado por jorge c. às 14:20
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5 comentários:
De Daniel João Santos a 3 de Março de 2011 às 22:04
eu conheço O Herculano e produz alfaias agrícolas.


De táxi pluvioso a 7 de Março de 2011 às 11:35
Deve vir do Herculano.


De bento rodrigues a 16 de Março de 2011 às 20:13
Meu caro Jorge Lopes de Carvalho. Não tenho o hábito deste tipo de iniciativa mas permita-me a excepção.
Chego ao seu blog por mão amiga. E em bom momento porque, parecendo pessoa interessada, pode assim comprovar o rigor que bem exige.
Cá vai a transcrição do que disse na abertura do jornal a que faz referência:

"o estado está a gastar menos.
a despesa caiu 3,6 por cento em janeiro e fevereiro.
É o melhor desempenho orçamental dos últimos 15 anos... explicado principalmente pelo emagrecimento dos salários e pelo aumento dos impostos.

Como vê, fala-se em "desempenho orçamental" e não exclusivamente em despesa. É nesse quadro que se faz referência ao aumento dos impostos. Dizer que "a descida da despesa tinha que ver com a subida de impostos" seria, concordo consigo, um tremendo disparate.

Como sabe, os salários, esses sim, é que contribuem para a despesa.

Qualidade e rigor, como diz e bem, no seu título.
A propósito, o nome é Primeiro Jornal. O jornal da tarde de que fala é na RTP.

Espero que continua a acompanhar o jornal da sic. Atrevo-me até a pedir-lhe que o faça com rigor para uma análise de qualidade.
E deixo-lhe o link onde, se entender, pode rever o jornal de que fala no seu comentário e que, claramente por culpa minha, não percebeu.

Cumprimentos e parabéns pelo sentido crítico e, sobretudo, por não se esconder na cobardia do anonimato.
Bento Rodrigues

http://sic.sapo.pt/programasinformacao/scripts/VideoPlayer.aspx?ch=primeiro%20jornal&videoId={EF7F4C06-9BE7-4C37-9034-6455AAC8CEDA}


De jorge c. a 16 de Março de 2011 às 20:57
Caro Bento Rodrigues,

É verdade que o citei de memória e agradeço-lhe desde já a transcrição ipsis verbis do seu comentário para que não restem quaisquer dúvidas.
Torna-se para mim claro que esse mesmo comentário (não no sentido opinativo, entenda-se) deixa muitas questões e levanta dúvidas sobre esse rigor.
Repare que o tópico da notícia é a despesa. Convenhamos que, nesse sentido, falar em subida de impostos a partir do desempenho orçamental pode induzir qualquer cidadão em erro e ser mais um instrumento da demagogia com que infelizmente estamos a ser tão bombardeados.
É função fundamental do jornalismo ter especial cuidado com a forma como transmite determinados dados. E uma parangona é sempre uma parangona.

É verdade que, em rigor, o que diz não está de todo errado, como bem explica. Mas é precisamente a forma como despesa e receita são inseridas na mesma narrativa que levanta muitas dúvidas.

Quanto à questão do nome do noticiário, agradeço o reparo e irei alterar imediatamente.

Por último, se desejar ver este seu comentário publicado como resposta em post terei todo o prazer em fazê-lo. Compreenda que não o faça voluntariamente por este ser um blog com pouca expressão e não ser minha intenção, enquanto seu autor, dar-lhe uma relevância mediática que ele não tem. Em todo o caso, o meu e-mail é entredeuseodiabo@gmail.com.
Sinta-se livre para enviar outra resposta da forma que mais lhe aprouver.

Cumprimentos,

Jorge Carvalho.



De Bento Rodrigues a 17 de Março de 2011 às 01:24
Caro Jorge de Carvalho, agradeço a sua resposta e sinta-se à vontade para dar ao meu comentário a visibilidade que entender. Eu, tal como parece ser o seu caso, não tenho nenhum problema com a frontalidade e que dela se saiba.

Permita-me mais uma achega. Ao contrário do que diz, o tópico da notícia é a execução orçamental. Era esse, de resto o tema do dia. É só por isso que se fala em receita e despesa. A despesa merece óbvio destaque especial pela força do número, porque, de facto, caiu abruptamente e logo num sector tão gastador como é o Estado. Mas, precisamente para ceifar qualquer hipótese de demagogia oficial, decidi lembrar em pivot o facto dessa boa execução orçamental não ter caído do céu mas ter vindo do bolso de todos, com menos salários e mais impostos, sem associar qualquer destes itens à receita ou à despesa. Em 15 segundos de pivot não cabe tudo, como compreende, mas neste caso creio ser difícil encontrar forma mais assertiva de contraditar a propaganda dos números apresentados de forma doce por quem se encarrega de os enviar para as redacções em dia de divulgação de dados do INE. E acredite que nenhum desses documentos fala em salários mais magros ou impostos mais altos...

Permita-me ainda uma opinião sobre o "herculano". Eu não usaria a palavra. mas existe e é fácil de encontrar em qualquer bom dicionário como sendo referente a hércules, hercúleo. Repito, não a usaria, a bem da simplicidade da comunicação. Mas, convenhamos, entre um erro e uma palavra mais adornada vai uma grande diferença. E o sono de quem chefia, permita que apele ao seu bom senso, não tem aqui qualquer papel.

Obrigado pela sua compreensão.
Cumprimentos... e critique sempre porque, como vê, também é pela crítica que avançamos.

Bento Rodrigues



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