Quinta-feira, 17 de Março de 2011
Uma dedicação sem sentido

Tirei o dia para o fervor socialista.

Passos Coelho foi hoje a Belém pedir ao Presidente da República que actue perante a crise política instalada. É um facto: temos uma crise política. E por quem é que ela foi levantada? Terá sido pelo Bloco de Esquerda e a sua moção de censura? É evidente que não. Todos os partidos democráticos perceberam que a moção do Bloco não era séria e era até despropositada. Não havia dados efectivos da execução orçamental, nem nada de grave que comprometesse o governo. Terá sido do PSD? Também parece que não. O PSD tem ajudado o governo a segurar o barco com o orçamento, ajudou a chumbar a moção de censura, enfim... não é por aí. Acho que ninguém acredita que o PCP e o CDS pudessem ter alguma coisa a ver com isto.

Então, o que é que aconteceu?

Na Sexta-feira passada, o Primeiro-ministro antecipou um pacote de medidas que deveriam ser apresentadas em Abril. Até aqui tudo bem. É suposto fazermos esforços para transmitir confiança aos parceiros europeus. Acontece que Sócrates fê-lo primeiro às instituições europeias e não aos portugueses como seria de esperar. O compromisso do governo é, em primeiro lugar, com os cidadãos e só depois com as instâncias europeias. Esta omissão, numa altura em que o governo é tão contestado, é algo que cria ainda mais desconfiança.

Portanto, com esta lógica temporal de acontecimentos é natural que o PSD ou qualquer outro partido da oposição transmita ao PR a sua convicção de que o governo não tem condições para continuar. Achar que isto é incoerência por causa de uma moção de censura que antecedeu uma série de factos demasiado relevantes é estar a fazer um joguete partidário a ver se cola. É estar a preparar eleições antecipadas antes mesmo de cair. É um discurso político muito dedicado ao partido, mas pouco dedicado à política.

Já disse aqui várias vezes que não estou certo de que uma dissolução imediata da Assembleia da República possa ser benéfica para a nossa imagem no exterior, num momento em que a nossa capacidade de recuperar é posta em causa por entidades das quais dependemos. No entanto, não posso deixar de aceitar que a oposição o faça. Há motivos mais do que suficientes para tal.



publicado por jorge c. às 13:23
link do post | comentar | partilhar

Um blog de:
Jorge Lopes de Carvalho mauscostumes@gmail.com
pesquisa
 
arquivos

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

tags

todas as tags

blogs SAPO
visitas
subscrever feeds