Sábado, 24 de Abril de 2010
Infantilidades

Às vezes lemos coisas e não queremos acreditar que pessoas com mais de 15 anos são capazes de as escrever.

Tomás Vasques, no Aparelho de Estado, escreve um dos maiores disparates que já alguma vez li na vida. Sem querer entrar aqui em sarcasmos, nem me pôr a gozar com o Tomás Vasques, que bem merecia que alguém o fizesse tal é o disparate, vou tentar explicar-lhe por que razão a contestação ao poder político não pode ser a mesma que ao poder eclesiástico, tão só porque o poder eclesiástico não é escolhido nem diz respeito aos não-crentes.

Enquanto o poder político, em democracia, é escolhido pelos eleitores e tem sempre de responder perante estes, sejam católicos ou não, o poder eclesiástico refere-se apenas aos crentes, a quem professa a religião. Além de que nem sequer é escolhido. Por isso, existe a liberdade de não o aceitar e não comungar das suas orientações. O que têm os não-católicos a ver com o que se passa na Igreja Católica? Ora, parece-me que nada de nada, tirando algo que interfira directamente nas leis civis.

No caso da pedofilia cabe aos tribunais decidirem se estamos perante um acto de cumplicidade ou não, não ao Tomás Vasques que, segundo sei, não é competente para decidir sobre essas matérias. No caso dos preservativos a situação ainda é mais estúpida. Mas o que é que o Tomás Vasques ou o SOS Racismo têm a ver com a não-utilização de contracepção dos católicos? Se os católicos não quiserem usar contracepção o problema é deles. Se isso fizer com que espalhem doenças é um problema do Estado e que o Estado tem de julgar como o faz com todos os outros crimes, a partir da lei e através dos tribunais. Se o católico optar por não ter mais relações sexuais, o problema é dele. Se o católico optar por usar preservativo é apenas hipócrita e, mais uma vez, é um problema seu e de Deus e não do Tomás Vasques. Mas o Tomás Vasques acha que sim, que é, porque no fundo o Tomás Vasques não tem qualquer tipo de respeito pela liberdade religiosa e espiritual e quer interferir na filosofia, na política e na organização de uma instituição privada invocando direitos dos cidadãos que a ela não pertencem. Haja paciência!



publicado por jorge c. às 12:44
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1 comentário:
De Inês Meneses a 26 de Abril de 2010 às 15:12
Venho aqui, tristíssima, dar-te razão.


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