Terça-feira, 22 de Março de 2011
Conversa de saco

Ontem, o ministro Jorge Lacão veio fazer um número à volta de uma declaração do PSD em estrangeiro. Mas PPC nem esteve mal de todo na resposta. Pelo menos pensou o mesmo que eu, que já não é mau. Lacão acha que os portugueses não raciocinam. Tanta coisa a defender que não existe facilitismo na educação para depois subestimar o raciocínio do comum dos cidadãos, como diria o Prof. Cavaco Silva, o nosso Presidente.

O Dr. Lacão, como muita gente à volta do PS, tenta passar a ideia de que o PSD se mostrou disponível para viabilizar o PEC e agora quer cortar as pernas e faltar à palavra provocando uma crise política. Dito assim até parece verdade. Esta coisa da comunicação tem a sua piada. Não é que a postura do PSD seja a melhor de sempre, mas o PS anda a ver se sacode a água do pacote. Não é brejeirice minha, é economia política.

O PSD mostrou-se disponível para viabilizar o PEC, verdade. O Governo antecipou a apresentação de um pacote às instituições europeias sem consultar a AR ou o PR, ou seja, os órgãos de representação popular, verdade. As instituições europeias dizem que o acordo é irrevogável porque o Governo se comprometeu, verdade. A proposta importa um conjunto de medidas que não foram discutidas entre os partidos, verdade. O PSD afirmou que não aprovaria o PEC nestas condições, verdade. O PSD criou uma crise política, como diz aqui o João Galamba? Mentira. O PSD ajudou a criar uma crise política porque o Governo não é o país, como já foi aqui dito. O Governo representa o país e não se pode comprometer lá fora com algo que tem de justificar cá dentro. A sua posição política é demasiado frágil para andar feito dona de casa desesperada.

Além de que esta conversa do "quem provocou a crise política" já enjoa. Em última análise a responsabilidade é sempre do Governo que é quem - ora bem! - governa.

Neste momento resta uma hipótese a José Sócrates que é apresentar uma moção de confiança. As relações institucionais estão completamente destroçadas. Muito disso se deve ao discurso combativo do PS durante os últimos 5 anos, "todos contra nós". Não perceber que pior do que uma crise financeira é uma sociedade desagregada é também não compreender a estrutura e a forma da democracia. É preciso restaurar a confiança, o respeito e a coesão institucional. Não quero com isto dizer que o PSD o vá conseguir, mas que pelo menos o PS devia tentar recuperá-lo. Ou então, seguir caminho, que se faz tarde.



publicado por jorge c. às 13:08
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