Quinta-feira, 21 de Abril de 2011
Passos errados

Quando um partido político se dispõe a disputar o poder é conveniente que saiba gerir a construção do seu programa. Em política não se mostra serviço, mas sim estrutura e consistência. A serenidade que o sentido de Estado exige não é conseguida apenas através de postura e palavras vagas de um qualquer trabalho de escola feito em dois dias. Os cidadãos podem ser ignorantes, mas não são estúpidos. As pessoas sentem que há qualquer coisa que não bate certo. Vivemos um tempo onde cada vez mais se nota um primado da comunicação e da imagem sobre os conteúdos. Ora, à falta de conteúdos firmes e objectivos, de nada vale este tipo de serviços hoje tão requisitados.

Desde a sua tomada de posse como Presidente do PSD, Passos Coelho foi-se precipitando numa ânsia muito denunciada de chegar ao poder. É claro que se pretende que os partidos queiram o poder. O contrário é avesso à sua natureza. Contudo, é exigível a um partido como o PSD  que saiba o seu lugar e trabalhe com rigor e assertividade o seu programa e o seu eleitorado. Torna-se hoje claro que isto não aconteceu. Desde a sugestão inconsequente de Revisão Constitucional até ao encontro com as entidades internacionais de ajuda financeira internacional, foram demasiadas as inconsistências do PSD. Passos fez do PSD um partido inexperiente, coisa que até agora não fazia parte da imagem do partido. Que o líder seja tomado por inexperiente é uma coisa. Já que o partido se transforme à imagem e semelhança do seu líder é outra conversa.

Sem uma ideia para o país nas diversas matérias que importam ao Estado e à sociedade portuguesa em sentido amplo, Passos e o seu staff foram incapazes de mostrar aos portugueses que constituiam uma verdadeira alternativa com força e liderança suficientes para conduzir uma possível governação. Meia dúzia de palavras vagas não chegaram para mobilizar os eleitores. A pouco mais de um mês das legislativas, parece ser evidente que o PSD de Passos vai ter muitas dificuldades em recuperar os erros que tem vindo a cometer. E, acreditem, têm sido demasiados.



publicado por jorge c. às 00:24
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