Sexta-feira, 6 de Maio de 2011
Touched by the hand of Baradei

Como seria de prever, o Benfica não me deixou espaço de manobra. Mas a vida é assim mesmo - ganhamos nuns sítios e perdemos noutros. Ontem, por exemplo, ganhou-se muito em dois momentos: a conferência de imprensa da ElBaradei e a palestra de Francis Fukuyama. Eu, pelo menos, ainda ganhei um abraço do Baradei - qual touched by the hand of God - e com um cosmos bem alinhado tudo se há-de resolver pelo melhor no Egipto. É pensar global, pensar positivo. Assim nos foi dizendo o Prémio Nobel da Paz enquanto respondia a questões não apenas relacionadas com o seu país. Falou-se em transição lenta, em democracia, em pluralismo, em reflexão, consensos alargados, Constituição - tudo requisitos fundamentais para que se candidate. Mas sim, há uma candidatura à vista, admite Baradei numa postura serena e aparentemente consciente. Vai correr tudo bem, com a graça de Deus - o outro, que com o da Moita a conversa foi outra (meteu revoluções e redes sociais, enfim, um assunto que poderemos abordar mais tarde numa avaliação global, lá está, das conferências).

 

Àquela hora já se ouvia a multidão pelos campos "Frankie! Frankie! Frankie!". Ou então era apenas eu que aguardava ansiosamente nos corredores, ao pé de gente bonita e bem disposta, a chegada de Mr. Fukuyama que traria certamente a matéria do seu novo livro para nos falar dos sistemas actuais, nomeadamente do médio-oriente e por aí fora até à China. Foi isso que fez. Falou de sistemas, da sua arquitectura, da sua filosofia e dos seus potenciais erros. No fundo fez um breve resumo daquilo que está no seu livro: poder político, primado da lei e finanças. Sem estas três característica, diz Fukuyama, a malta não vai longe, como se pôde constatar ao longo da História onde, garante (20 anos depois do seu tão falado Fim da História), o problema poderá estar no Imperador e não no Império. Quanto à China, terra da abundância que tem andado na boca do povo - que é como quem diz conferencistas -, não será facilmente possuída à bruta por esta nova vaga de revoluções, o famigerado uprising capitalista, perdão! democrático. A China, ela própria está a modificar-se, está a crescer economicamente, e essa nova narrativa não será familiar a uma revolução. Mas não se enganem, ninguém pode prever o que vai acontecer, diz o nosso ex- Zandinga da filosofia política americana. E lá mandou uns vivas à democracia. Houve comoção.

 

Portanto, um dia repleto de emoções, não obstante Mira Amaral e um painel fraquinho de onde sobressaíram indiscutívelmente

Pauline van der Meer Mohr (este copy/paste foi demasiado denunciado) e David Held. Mais um painel onde se falou, no essencial, de ética, integridade e história (estudo e cultura) para uma sociedade melhor preparada para os desafios globais, em tempos de crise financeira, onde a honra e a seriedade serão factores nucleares. O Prof. Zoega poderia ter feito um brilharete, mas estava nervoso e desconfortável, o que não nos permitiu perceber por que razão falava da dívida pública e privada. É verdade que ninguém compreende tudo o resto, mas a crise financeira em particular, apesar dos esforços dos conferencistas. Insisto apenas no maravilhoso sotaque do Dr. Mira Amaral.

 

Agora vou até lá outra vez, que estou atrasado. Sejam amigos!



publicado por jorge c. às 09:45
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