Sábado, 7 de Maio de 2011
As Conferências do Estoril: final apoteótico

Gostava de vos fazer um pequeno balanço destes três dias de conferências sem ser demasiado exaustivo, não só porque a minha presença no evento era a de mero observador, mas também porque o importante nesta série de palestras e debates é retirar uma ideia geral daquela que pode ser a tendência global da linguagem política nos próximos anos, seja no contexto local, seja na perspectiva internacional.

Não poderei negar que assistimos à celebração do senso comum e do politicamente correcto. Há uma clara reverência à normativização da tendência social dos tempos, dos lugares comuns que vamos aprendendo na escola e que, atendendo à realidade nua e crua, não passam muitas vezes de um lirismo populista (expressão escolhida a dedo para espetar na ferida).

Do ambiente, à resolução de conflitos locais e internacionais, passando pela estratégia e liderança global e por modelos de desenvoolvimento sustentáveis, os conferencistas foram jogando as cartas do bom senso, não deixando em momento algum de limitar as suas intenções pela falta de vontade política. É este, também, outro cliché - a falta de vontade política - que é como quem diz "falta de vontade política is the new black".

Acredito que este spin funcionará e servirá a estratégia política dos principais actores mundiais para criar linhas de consenso, o que não é necessariamente bom. Pensar global e agir localmente não é algo que se ficar no papel ninguém notará. Não pensar global, não agindo ao mesmo tempo no nosso domínio, é frustrar as expectativas das comunidades e de cada cidadão. Isto parece-me bastante claro na forma como nos relacionamos hoje com o nosso maior instrumento de informação e divulgação: a internet.

Por isso, compreender a actual conjuntura cultural, social e económica é um passo importante, mas não o único para evoluir para uma nova narrativa civilizacional. É importante escrutinar cada um desses lugares comuns que os nossos actores políticos vão escolhendo para acompanhar o seu follow spot. Não restem dúvidas que é este o momento certo para uma melhor cidadania.

Poderei concluir com alguma facilidade que as Conferências do Estoril, bem espremidas, são paradigmáticas na forma como se deve conjugar algum lirismo social com o pragmatismo da real politik.

 

Para terminar, não posso deixar de agradecer o convite que me foi feito para assistir a esta excelente iniciativa da Câmara de Cascais. Um agradecimento muito especial à incansável Alda Telles e aos meus companheiros de jornada Francisco Silva e Alexandre Guerra. E já agora deixo-vos este link para uma pequena peça feita sobre a nossa participação enquanto bloggers.



publicado por jorge c. às 13:12
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1 comentário:
De paula a 8 de Maio de 2011 às 23:58
Parabéns!Já publiquei a notícia no facebook,para os amigos lerem,e se um dia te virem com o Larry King,nos States,não devem ficar admirados...beijos:)


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