Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
Informação vs Conhecimento

Julgo que foi Steffen Giessner que falava, há precisamente uma semana, de como a informação não é por si só cultura. Frank Zappa também já o tinha dito, curiosamente. Parece uma coisa bastante óbvia, mas é ao mesmo tempo um flagelo. O conhecimento wiki, superficial, linkado, é hoje uma das maiores evidências na web. Dou o exemplo do twitter, onde apanhava constantemente um cidadão a fazer a revista de imprensa de jornais todos os dias, logo pela fresquinha, com links de 5 em 5 segundos. Há aqui quase uma impossibilidade cósmica de conseguir ler pouco mais do que as parangonas. Esse exibicionismo existe e muito.

Mas regresso a este tema porque me parece claro que há hoje uma marca de água do excesso de informação e a falta de cultura ou conhecimento, como preferirem. A economia é um assunto quase paradigmático nesse sentido. De um já ultrapassado "É a economia, estúpido!" passámos a um mais sofisticado "leio Krugman, logo sei de economia" ou "vi o inside job, logo compreendo a crise". Todos parecem ter bastantes certezas sobre uma ciência que nem sequer é exacta. Mas como explicava Roubini no outro dia, os problemas da crise são complexos e não se cingem a fórmulas milagrosas. É necessário compreender a natureza, a estrutura e a evolução do objecto para lhe determinar um diagnóstico. Depois disso será preciso compreender a contextualização e a subjectividade social e cultural desse mesmo objecto para construir uma solução ou algumas soluções possíveis com as devidas consequências.

Ora, no meu entender, Krugman não faz este exercício e não avalia as consequências do seu próprio exercício. Esse não tem dimensão política subjectiva e, portanto, ignora um conjunto de realidades que saem da esfera económica. O que faz sentido no seu universo, mas que não deveria fazer para nós que temos uma percepção diferente da realidade. Não quero, de forma alguma, subvalorizar o papel de Krugman. Quero apenas chamar a atenção para um problema de superficialidade no debate político comum, de futilidade até, diria, com base em algo que se leu e que se entende como um dogma em si mesmo. A assertividade das ideias decoradas não faz necessariamente com que compreendamos o meio.



publicado por jorge c. às 09:29
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