Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
Adoro livros

No entanto, não os posso ler a todos porque tenho de encontrar tempo para a modernidade no meio disto tudo. Alguém precisa de se preocupar com o progresso. Daí que seria para mim impossível ajuizar da melhor forma todos os requisitos para atribuir um prémio como o Man Booker que se foca não apenas num único manual de inscrição na vida, mas sim num conjunto de obras na obra do autor. Não quero, no entanto, deixar de concordar histericamente com a atribuição do Man Booker 2011 a Philip Roth.

Não obstante acreditar que Roth é o melhor escritor vivo e para isso - vou fazer agora de Clara Ferreira Alves - bastar-lhe-ia ter escrito a Pastoral Americana e a Mancha Humana, o autor tem sido injustiçado numa série de prémios. Posso ser suspeito. Sou, mas isso agora não interessa nada porque é mesmo disso que vou acusar os outros.

Podemos ler aqui que um dos júris demitiu-se depois da atribuição do prémio a Roth. Uma mulher, pois então, por que será? A Sra. Callil não só acha que o assunto é sempre o mesmo (cenas de homem) como também é muito possível que não goste efectivamente do autor. Não deixa de ser giro. No outro dia, alguém desatou aos gritos contra a misoginia e o machismo de Vinicius de Moraes (nascido em 1913, já agora, num país tropical da América Latina), coisas que desgraçam logo toda a obra de um autor, que horror! Este pensamento pertence a quem não valoriza a literatura, a quem não quer saber da literatura, tendo apenas uma agenda demasiado pessoal (totalmente legítima, diga-se) incapaz de reconhecer a beleza ou a genialidade do que se lhe apresenta escrito. Coisas que respeito num ambiente próximo do miradouro da Graça, onde gosto de falar de poesia sem comprometimentos.

Quanto ao tema ser o mesmo... Quer dizer, como diz o meu amigo João Gaspar sempre que vemos um filme: "isto era sobre a condição humana". No limite, tudo é sobre a condição humana e esse será sempre o tema de eleição da maioria dos autores. A beleza de cada obra está na forma como o autor explora essa condição e nisso Roth foi sendo sublime, mesmo que a espaços.



publicado por jorge c. às 10:07
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