Quinta-feira, 9 de Junho de 2011
Les jeux sont faits

Das causas e consequências das legislativas que deram a vitória ao PSD já se disse tudo e mais um par de botas, certamente. Vai ser interessante observar as movimentações dos apoiantes que tentam influenciar a opinião pública de ambos os lados - governo e oposição. O relativismo em questões de princípio fascina-me mais do que o Deer Hunter.

Sabemos para já que "o estado em que o PS deixou o país" is the new black. Também sabemos que "a maior crise financeira dos últimos 80 anos" vai ser substituída pela "crise política com consequências gravíssimas para o país que se estão agora a manifestar". Quatro anos disto. Vai ser giro. Ainda não começou e eu já estou com vontade de ir lá fora fumar um cigarro e tomar um cafezinho, como o bom funcionário que mal senta o rabo na cadeira já está a caminho da porta outra vez. A ideia da rotina cansa-nos mais do que a rotina em si mesma.

O clima de desconfiança que paira sobre a classe política é um fruto do que se passou nos últimos seis anos. Não há inocentes. Os partidos e os seus mais ferozes apoiantes transformaram o debate político de uma democracia em crescimento num jogo irresponsável de soundbites sem conteúdo e de ruído fútil. A facilidade com que se descredibilizam certas personalidades, o desleixo e a insensatez com que certas personalidades se deixaram descredibilizar ou até a falta de um pensamento estratégico com que se olhou para a política nacional nos últimos anos corrompeu a opinião pública. E o triunfo do sectarismo, da propaganda e da contra-propaganda dominaram a acção, prevalecendo sobre o interesse público.

Não se pode pensar um partido político em democracia sem estratégia. Não há estratégia sem comissões políticas e trabalho colegial. Vencer eleições internas dos partidos pelo culto e pelo combate da personalidade vai influir nas lideranças e enfraquecê-las na sua função nuclear. É precisamente neste ponto que a democracia representativa ganha fragilidades que a põem em xeque perante a opinião pública e que crescem movimentos de descontentamento que colocam em causa a natureza do nosso sistema democrático.

Com efeito, depende da forma como encaramos tudo isto a sobrevivência de um regime que é, aparentemente, consensual. Depende, acima de tudo, da forma como nos mantemos fieis a convicções e princípios e não a um símbolo que pouco representa os seus, sequer. Contra o relativismo marchar, marchar.



publicado por jorge c. às 00:25
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