Segunda-feira, 13 de Junho de 2011
Como as coisas se fazem

Tenho apontado a falta de estratégia política, de programas e agendas bem definidas, como um dos principais problemas do empobrecimento da democracia representativa nos últimos anos. Identifiquei a forma como as comissões políticas são escolhidas como a base deste problema. Quem conhece bem a estrutura dos partidos sabe bem como é que se conseguem votos: um homem vale dez votos, esses 10 valem 50 e por aí fora e depois conquistam-se com ofertas de lugares e atenção. Porque há muita gente que só precisa de atenção e de 5 minutos de palanque. Foi esta a conversa que tive no pequeno-almoço do passado dia 5 com um amigo enquanto concordávamos que este esquema aliado à falta de noção do que é o serviço público, a causa pública, são uma mistura explosiva que tem pervertido a natureza eleitoral interna dos partidos. Um político que está demasiado preocupado em conquistar território e esquece as necessidades básicas de um espaço mais amplo acaba por preferir o essencial ao acessório, a forma à matéria. Quem domina as distritais e concelhias, por norma, tem mais hipótese de vencer. E é isto que se poderá estar a passar aqui.

O que aconteceu antes é que estes que agora sobem ao topo do poder foram os lacaios daqueles que há uns anos não queriam perder tempo com o assunto. Lembrar-se-ão certamente que José Sócrates foi vice-rei de Guterres para este tipo de matérias nas Beiras e que Passos Coelho dominava o aparelho das jotinhas antes de ser conhecido pelos seus dotes vocais. Isto é, seguramente, o que melhor sabem fazer. António José Seguro não foge à regra e é muito provável que não saiba, de facto, fazer outra coisa. Isto vê-se pelo conjunto de vacuidades que enfeitam o seu não-discurso político.

Mas a culpa não pode ser só desta espécie de hienas da política. Há muita responsabilidade de quem se demitiu de participar, de levantar a discussão e de levar os programas dos partidos à discussão com as bases. Uma arrogância centralista que permitiu o caciquismo e os esquemas rasteiros. Também há muita responsabilidade naqueles que se demitiram de militar os partidos com a arrogância do distanciamento da política, como se a qualidade dos nossos agentes políticos caísse do céu.

Dizer água vai nestas matérias é quase sempre inconsequente. O problema destes surdos é o excesso de confiança na sorte e não a audição propriamente dita.

 



publicado por jorge c. às 18:41
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