Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011
Não te deixarei morrer, meu querido blog

Não ter tempo é uma coisa muito relativa. Não ter disponibilidade mental é outra coisa. E há alturas em que não temos mesmo essa disponibilidade; em que, simplesmente, não nos conseguimos concentrar em algo. Não me apetece. A vítima é este blog. Mas não me atrevo a deixá-lo, não vá a dona da internet deixar de falar comigo, já que andaram a fazer um poiso tão catita para agora o malandro dar de frosques, como o puto que vai a casa da avó lanchar, aborrece-se e pira-se. Aqui, sim, é uma questão de tempo. Até porque o panorama é chato. Discute-se o enxofre dos dias e o fim do mundo em cuecas (sempre gostei da expressão e abuso as vezes que forem precisas). Já lá vai o tempo - no meu tempo é que era - em que se podia ser maçador e, ainda assim, ter atenção, escrever micro-ensaios sobre questões absurdas e caricatas, e falar dessa estaca de madeira para os mais sofisticados que é o amor entre as espécies. Mas, perder um blog não é deixá-lo assim ao abandono, como tem acontecido com este; não é perder leitores ou deixar o tempo correr pelo html como uma bola de cotão. Perder um blog é ficar sem ele de um momento para o outro, abruptamente, sem despedidas ou backups. Deixámos lá a memória. Enquanto o guardamos religiosamente, a memória fica salva, acompanhando todo e qualquer tempo com significados bem definidos. Guardo um velho casaco no armário (como se o pudesse vestir) e com ele - e com ela -  uma memória que é minha, só minha. É como um post, ou este poema de Jonathan Galassi. Perder um blog é como perder um filho virtual que criámos, alimentámos e vimos crescer. E com ele fomos crescendo. Um drama. Guardo, agora, este blog como um segundo ou terceiro filho para o qual não tenho, de momento, disponibilidade. Mas, desta vez, prometo-te: não te deixarei morrer, meu querido blog.


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publicado por jorge c. às 00:33
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3 comentários:
De NanBanJin a 26 de Agosto de 2011 às 03:45
Assim mesmo, Jorge. Sem dramatizar.
Falta de pachorra para escrever sobre tudo e nada em especial é mal epidémico que vez por outra nos aflige a todos.
Escrever para quem escreve por puro exercício ou mero gosto em escrever e partilhar ideias, não deve tornar-se um fardo — se bem, que muitos de nós que escrevemos na blogª. (e por muito modestas que sejam as audiências de cada um) por vezes tendamos a encarar aquilo que seria suposto ser um acto livre e espontâneo de teclar uns faît-divers no respectivo almanaque, com a urgência de cumprir uma obrigação para com o leitor anónimo que se esconde à espreita.

Um excelente espaço como este 'Manual' não morrerá certamente por falta de água no deserto (passageiro) dos temas e debates.
Quem gosta, volta sempre.
É o meu caso. Isso é garantido!

Um Abraço de Longe,

Luís F. Afonso, Japão


De Daniel João Santos a 29 de Agosto de 2011 às 22:35
acho muito bem. Não faça como o Albergue que faz um milhão de visitas e fecha aporta.


De Reimberg a 26 de Abril de 2013 às 05:32


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