Terça-feira, 6 de Setembro de 2011
Ensino Superior

Numa altura em que as instituições de Ensino Superior estão absolutamente concentradas no seu enrollment, não há jornal americano que não fale no assunto. Por cá, é matéria pouco (ou nada) explorada. Mais cedo ou mais tarde, teremos de começar a discutir a filosofia do nosso Ensino Superior. Nos próximos anos, muita coisa mudará.

Trata-se de uma matéria sensível porque envolve duas realidades estruturais da nossa sociedade: a formativa e a financeira. A sua existência é indissociável. Porém, a discussão entrincheira-se em torno das duas devido a dogmas que podem, ou não, fazer sentido nos tempos que correm. Um dos maiores dogmas do Ensino Superior encontra-se na sua estrutura académica, no valor da investigação e na centralidade do docente.

Podemos encontrar abordadas neste extraordinário artigo no New Criterion algumas destas temáticas. Numa crítica muito interessante a 3 obras sobre o tema Ensino Superior, são apontadas as fragilidades das duas facções neste debate.

No entanto, o seu autor continua a insistir naquilo que me parece um erro fundamental e que corrompe ab initio a discussão. Quem é afinal o beneficiário do Ensino Superior? Será o académico ou será o estudante? O que procuram as entidades empregadoras nos licenciados? E o que esperam os estudantes das suas instituições de ensino?

Não podemos, de modo algum, dissociar o rigor e a excelência académica dos serviços que as Escolas podem disponibilizar ao Estudante. O empregador procura, hoje, cidadãos completos, com capacidade de resposta às necessidades prementes. Ao dirigir toda a sua atenção para o âmbito académico e científico, as direcções não estão a ir ao encontro das exigências do exterior e estão, uma vez mais, a fechar-se num circuito elitista e menos plural.

É este, em suma, o erro de James Pierson ao ignorar o potencial dos serviços não-académicos, administrativos, que, no seu entender, constituem um custo demasiado elevado para o seu resultado.

Veja-se o caso de outra particularidade que o próprio traz à colação: a inconsequência de políticas de investigação para as humanidades. Seria fundamental que, nos serviços não-académicos, as Escolas tivessem mais colaboradores ligados às humanidades de forma a responder melhor a necessidades contemporâneas.

Por último, a questão do professor/investigador parece-me de grande relevância. Já a deveríamos estar a ter em Portugal. Fará sentido um docente estar concentrado na investigação ao mesmo tempo que é exigível que se foque na formação das centenas de estudantes a seu cargo?

Tudo isto precisa de muita reflexão. E de muito realismo, já agora.



publicado por jorge c. às 23:24
link do post | comentar | partilhar

3 comentários:
De táxi pluvioso a 7 de Setembro de 2011 às 10:50
Ó tempos como mudaram! eu só fui para a Universidade para comer gajas mais barato, agora investigam e estudam, o capitalismo passou a sua fase de riqueza, agora têm de puxar pelo cabedal, para enriquecer os do costume, e ainda ter algo para si. let these good times roll. boa semana


De +1 a 8 de Setembro de 2011 às 11:15
Nunca teremos essa necessária reflexão. Portugal limitar-se-á a copiar aquilo que se decidir a nível europeu.


De Reimberg a 26 de Abril de 2013 às 05:30


Comentar post

Um blog de:
Jorge Lopes de Carvalho mauscostumes@gmail.com
pesquisa
 
arquivos

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

tags

todas as tags

blogs SAPO
visitas
subscrever feeds