Sexta-feira, 7 de Maio de 2010
Piores dias virão

Mais de 20 anos de más políticas, no que diz respeito à aplicação dos fundos comunitários, são parte do problema criado por Portugal para hoje ter índices de crescimento económico tão baixos. Sair de uma crise financeira exige uma estrutura de base que impulsione nos vários sectores a produção de bens que possibilite a criação de postos de trabalho, a capacidade de exportação e por aí fora. Portugal não tem onde se agarrar. A agricultura não existe, o tecido empresarial no Vale do Sousa, do Ave e da região de Setúbal e Alverca faliu. A falta de visão estrutural e global dos governos desde Cavaco Silva, passando por António Guterres, Durão Barroso e José Sócrates, que personificam o Estado nas suas decisões, conduziu o país a um ponto sem retorno.

 

A presença numa união monetária deve exigir responsabilidades. A senhora Merkel tem a sua razão quando, lá no aconchego da sua casa, pensa em expulsão de incumpridores. Os países da UE receberam muito dinheiro durante mais de 20 anos. Esse dinheiro não cai do céu. Restam três possibilidades: continuar na mesma e subsidiar os incumpridores, expulsar os incumprimdores da moeda única, correndo o risco de terminar com a União, ou então criar novas regras e políticas financeiras directas com poder de decisão orçamental.

 

Continuar na mesma conduzirá inevitavelmente a um decréscimo da qualidade de vida da maioria dos europeus, mesmo daqueles que hoje não sentem a crise com tanta gravidade, criando um abuso do princípio da solidariedade. Expulsar os países que entram em incumprimento da moeda única é um atentado contra esse princípio da solidariedade que norteia a União Europeia e seria condená-la ao fim. Uma nova política unitariamente mais agressiva e directa supõe a ingerência nas políticas orçamentais dos Estados-membros. O panorama político ficou dependente do panorama económico e preso aos seus desígnios. Não vale a pena culpar o capital, mas sim a ignorância na relação com o capital, a má relação com a realidade social e cultural dos países e a megalomania progressista e imprudente.

 

 

Adenda: acabo de ler este post curioso do Miguel Morgado que vai muito ao encontro do que aqui escrevi com a vantagem de ser mais rigoroso.



publicado por jorge c. às 13:27
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