Terça-feira, 30 de Abril de 2013
esperando o sol

Acordam todos os dias sem raios de sol. É noite por dentro porque é noite por fora. Atravessam para a outra margem entre os pares. Atravessam de barco, de carro, de comboio, de camioneta. Duas horas, três horas. Os filhos pelo braço. Todos os dias, as horas perdidas para chegar a casa e encher a boca à pressa, os trabalhos de casa, da casa, que nunca vão acabar; a noite a passar num instante e a roupa para passar. Rimam o desalento com a ginástica orçamental. Pequena valsa. Depois, aparecem os abutres, mesmo no dia, para lhes comer a pele com o cinismo histérico da militância. "Isso, ide para a praia!", "Isso, ide gritar para as ruas!"; "Fascistas!", "Comunistas!"; "E o povo a sofrer!", "E a crise por pagar!". Pois é, o povo, pois é. O povo que também precisa de descansar, que já mal consegue gritar, porque quando grita é bruto e quando não grita é frouxo. Acordam todos os dias sem raios de sol. Que força é essa?


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publicado por jorge c. às 13:38
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1 comentário:
De táxi pluvioso a 3 de Maio de 2013 às 09:46
O sol virá hoje com a conversa em família de Passos. bfds


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