Quarta-feira, 19 de Junho de 2013
portugal dos pequeninos

Fico sem saber se a Unicer acha que as pessoas são estúpidas.

Hoje, deparo-me com este vídeo (um viral! oh, um viral!). Passado um bocado, com este comunicado. Espantoso.

 

Vamos a factos. Podemos considerar isto Marketing de guerrilha? Podemos, apesar de eu não saber bem o que quer dizer Marketing de guerrilha e isto soar-me apenas correcto. E é feio. Em primeiro lugar, porque temos uma fraca prestação dos tribunais de concorrência em Portugal. Em segundo lugar, apesar deste vídeo ser limpinho (passa perfeitamente por ter sido feito por um fã), tem tiques de agência de comunicação. Tiques que podemos ver, aliás, naqueles vídeos virais do Turismo de Portugal e de Portugal vs. Finlândia, etc. Malta que é viciada em fazer virais. Tem a marca de água. E não estamos a falar, propriamente, de agências que façam trabalhinhos para pôr na conta da amizade. Resta saber se estamos perante guerra entre marcas, entre agências de comunicação ou entre ambas. Eu aposto todas as fichas na última hipótese. 

Hoje, muitas empresas portuguesas são detidas por capitais estrangeiros. A própria Unicer é detida, em 44%, pela Carlsberg. Usar este argumento é de uma insensatez tal, que é difícil imaginar a falta de realismo destas luminárias. Para além do carácter xenófobo e de patriotismo serôdio, sobre os quais não iremos perder tempo, agora.

Empresas-eucalipto como a Unicer e a CentralCer dão, nestas e noutras circunstâncias, um exemplo péssimo, uma imagem tenebrosa dos empresários portugueses e ajudam ao naufrágio da economia em Portugal, devido às suas estratégias pequeninas de gestão. Nestas guerrinhas de números, de quotas de mercado e de gestão cega, dezenas ou centenas de pessoas são demitidas; centenas de famílias ficam descalças. E tudo para um joguinho infantil de monopolização do mercado.

As agências de comunicação, por outro lado, é que percebem disto. O! Uns génios! Os vídeos virais e a internet e o raio que os parta. Não passa pela cabeça destas amibas que o consumidor não é estúpido e que não gosta que o tratem como estúpido. E, sabendo da inocência (ou da clubite) de algumas pessoas, promover este discurso é de uma irresponsabilidade que não merece qualquer respeito.

O que falta, sobretudo, é uma noção simples de ética. Uma coisa que não seja só dita nas conferências. Que se pratique.



publicado por jorge c. às 15:29
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