Segunda-feira, 15 de Julho de 2013
é a economia, estúpido

Alguém dizia, há uns dias, que quando em tempo de crise se fala à carteira das pessoas, há uma imediata aceitação do discurso. É a isto que chamamos populismo.

Mas, para além do populismo habitual e perigoso de moralistas como José Gomes Ferreira, Camilo Lourenço ou o Pato Donald, há um discurso, noutra linha, também ele perigoso e que já conduziu o país a 40 anos fora dos mercados (do mercado da liberdade, da igualdade, da democracia, etc.). É o discurso da prevalência da economia, que nos diz que a sociedade corre por motivos económicos, como uma finalidade.

O objectivo de um sistema como a social-democracia, e por ter nascido no pós-Guerra, é tornar evidente que as democracias são regidas pela política, pelo interesse público e pela necessidade de paz e harmonia social.

Quando a construção de uma nova narrativa passa a desenhar a finalidade financeira e económica, então sabemos que nos estamos a desviar do objectivo inicial. A única forma que um discurso sobre a prevalência da economia tem de triunfar é através da coação, da imposição, da negação de liberdades individuais e colectivas, do empobrecimento estrutural do país. Ao aceitarmos empobrecer, aceitamos não nos desenvolver, porque o empobrecimento pressupõe desigualdades mais abrangentes, como se viu no Estado Novo.

Por isso, sempre que me falarem de superavits, de cortes na despesa e de pagamento da dívida, cantarei a Maria da Fonte.



publicado por jorge c. às 11:16
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3 comentários:
De @4faksake a 15 de Julho de 2013 às 12:28
... mas só se pode ser tão rico quanto produzirmos riqueza (ou a roubarmos a outros estados)


De @4faksake a 15 de Julho de 2013 às 12:28
... mas só se pode ser tão rico quanto produzirmos riqueza (ou a roubarmos a outros estados)


De Comentário sem relação com o post ? a 20 de Julho de 2013 às 20:04
Miguel Beleza, há uns dias atrás na TVI, quando o seu parceiro de debate referiu o nível de desigualdade em Portugal ao ouvir tal coisa referiu qualquer coisa sobre o MAOISMO e afirmou que o dito nível de desigualdade era uma INEVITABILIDADE. Acrescentou qualquer coisa também, em como seria o dito nível que impede a juventude de passar todo o tempo em discotecas e optar por agarrar-se aos estudos. Coitados dos escandinavos!


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