Quarta-feira, 30 de Junho de 2010
"Não ter de apanhar mais com o patriotismo peganhento"

Que seja a última vez que se cita Fernanda Câncio neste blog, par Deus!

 

(E a falar de bola, que Deus nosso Senhor me perdoe!)


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publicado por jorge c. às 11:43
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Terça-feira, 29 de Junho de 2010
Algumas notas políticas do dia

1. O Presidente da República promulgou o diploma um conjunto de medidas adicionais de consolidação orçamental dizendo que vai requerer a fiscalização sucessiva da constitucionalidade. No período político em que vivemos o PR não poderia fazer outra coisa. Se tivesse pedido logo a fiscalização preventiva criaria uma excelente situação para a vitimização de Sócrates e para os ataques sectários que se fazem continuamente. A fiscalização sucessiva torna-se a única possibilidade de harmonizar a necessidade aparente de medidas de austeridade e a defesa dos direitos fundamentais.

 

2. A sondagem de ontem dá uma descida substancial do CDS. Muitos analistas de algibeira dizem que Portas está em declínio. Só quem vê a política através de vuvuzelas pode afirmar uma coisa destas. Este ruído provocado por certo PSD para ir recuperar votos ao CDS não é honesto. É trabalho do aparelho para solidificar a ideia de que agora tem de ser o CDS a mudar o discurso e a chegar-se ao PSD. A descida do CDS deve-se apenas ao facto do seu resultado nas últimas legislativas ter sido invulgar. É natural que agora regresse a números mais realistas.

 

3. Jorge Lacão prova a cada palavra que diz que é uma nulidade política. É um histérico nato. Este PS começa a revelar-se. Seria interessante ver o que têm a dizer os deputados independentes que se juntaram por ver neste PS um outro partido, principalmente depois da aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Estou, muito especificamente, a falar do deputado Miguel Vale de Almeida.



publicado por jorge c. às 22:25
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O reforço ideológico do PSD

A minha insistência com Pedro Passos Coelho (PPC) não deve ser encarada como uma perseguição, mas antes como uma forma de avaliar bem todas as particularidades da sua conduta enquanto político. Sócrates está em queda, ou pelo menos na corda bamba do seu próprio sucesso e a queda é iminente. Resta portanto avaliar aquele que está mais próximo da sua substituição.

Ontem, numa declaração sobre o reforço ideológico do PSD e da sua adequação aos novos tempos, PPC deixou clara a sua forma de encarar os timings e, de certo modo, de fazer política. É, no geral, uma declaração feliz.

PPC sabe que Sócrates foi roubar espaço que pertencia ao PSD. Ao contrário daquilo que se diz, não é o PSD que tem características mais à esquerda, mas sim o PS que foi ocupando um espaço político que pertencia ao PSD. Este foi um dos grandes trunfos de Sócrates e que este aprendeu muito bem com António Guterres. Inventaram-se os Fóruns Novas Fronteiras, foi-se buscar o discurso reformista, falou-se em inovação. Resultou.

Na sua declaração de ontem, PPC mostra que pretende recuperar esse espaço. Num discurso muito abrangente, conseguiu envolver todo aquele que é o espectro social-democrata, as bases e as elites como é costume dizer. Foi, enfim, inclusivo. E sem tornar o seu discurso forçado ou inconsistente, o Presidente do PSD conseguiu firmar os conteúdos programáticos do partido em abstracto que, no fundo, são a sua natureza e que sempre lá estiveram. Daí a ideia de reforço e não de reformulação.

Mas esta novidade introduzida pela direcção passista não é senão aquilo que estava bem explícito no programa do PSD para as últimas legislativas, de Manuela Ferreira Leite, e que os sequazes do novo líder tanto atacaram. Essa abstracção programática e os conteúdos ideológicos, numa corrente social-democrata contemporânea, já lá estavam e, como disse na altura Marcelo Rebelo de Sousa, era claro que aquele programa servia para demonstrar a intenção de uma mudança do comportamento político e do panorama ideológico - um programa para uma maioria relativa e consequentes eleições antecipadas.

De qualquer modo, o impacto da declaração de PPC parece-me positivo. Apesar da contínua superficialidade da proposta política, da constante formação de grupos de estudo e de trabalho, o discurso funciona e politicamente é bem conseguido.

Acontece que esta distância que se pretende criar no espaço ideológico não tem qualquer reflexo no campo prático. O que PPC está a fazer é tentar ocupar o espaço do Bloco Central sozinho, como Sócrates ocupou. E, não obstante a inteligência e o sentido de oportunidade com que o faz, é uma manobra com um certo toque de populismo ou, melhor, de eleitoralismo e que, na prática, vai-se reflectir na mesma forma de fazer política, aproveitando as frequências mais populares para desenhar a sua estratégia, aproveitando a opinião pública. Como é óbvio, nem sempre o que a opinião pública pretende é a política que um partido traça inicialmente e daí que seja fácil concluir que tanto consenso ou dá em volatilidade política e demagogia, ou acaba em total contradição com o que se propagandeou.

Em suma, apesar de ter uma imagem mais leve e menos conflituosa que a de Sócrates, PPC é também um fruto do aparelho que o criou e que o próprio alimentou. As suas semelhanças com o actual Primeiro-ministro estão à vista e a probabilidade de continuarmos numa política de mediatismo e aparência é cada vez maior. Resta saber o que pretende Passos Coelho, de facto. O romantismo um dia acaba.



publicado por jorge c. às 11:41
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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010
Aquilo que é mesmo óbvio

Depois de mais uma sondagem que revela maior intenção de voto no PSD, começamos a pensar naquilo que poderia hoje ser um PSD no governo. Não nos seria difícil adivinhar, para além do spin abrantino que já se faz, o estilo que seria usado por muitos. Andar-se-ia na linha dos Candais e dos Santos Silvas.

Não gosto muito de entrar em polémicas directas com as pessoas à custa do seu estilo. Mas, neste caso específico, vemos uma pessoa rancorosa, maldosa, mal-educada, sem qualquer espírito democrático, com fortes probabilidades de chegar a um ministério. Para já não falar na linguagem fanfarrona. Portanto, julgo ser importante apontar o dedo a este género de afirmações que vão definindo o carácter político deste ex-Secretário de Estado do Engº Guterres.

É claro que não vou envolver o próprio Passos Coelho neste tipo de declarações. Mas depois não se queixem dos amigos e dos familiares - gordos ou magros.



publicado por jorge c. às 11:24
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Domingo, 27 de Junho de 2010
Soares é fixe

Nestas homenagens ao dr. Soares ouvimos várias personalidades dizer que este homem era o pai da democracia e do nosso sistema parlamentar e mais não sei o quê. Bem, eu sei que o dr. Soares é pai do dr. João Soares, de resto não faço ideia. Lembrei-me então de uma entrevista dada por Melo Antunes em que este dizia claramente que houve um aproveitamento político da revolução por muita gente e que, por mais simpatia que tivesse pelo dr. Soares, ele não era pai de cosíssima nenhuma.

Até o Prof. Freitas do Amaral vem com aquela conversa de endeusamento do dr. Soares. Mas que grande patetice!

Considero Mário Soares um político fora de série e uma figura fundamental no quadro político que se começou a definir mesmo antes do 25 de Novembro. Mas, daí a endeusar-se um homem que cometeu inúmeros erros políticos e cuja relevância é tão grande como a de Ramalho Eanes ou Sá Carneiro, vai um passo muito grande. Mário Soares criou um mito que outros fazem questão de alimentar.

Este país adora estátuas.

 

 

Nota: Não posso deixar de referir a oportunidade desta homenagem a meses das presidenciais. Só por curiosidade.



publicado por jorge c. às 22:29
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Sobre a educação sexual a um Domingo de manhã

Que Deus Nosso Senhor me perdoe que hoje é Domingo e nem se devia falar destas coisas. Mas tenho ouvido tanto disparate sobre a educação sexual nas escolas que me é difícil a abstenção nesta matéria.

Será que alguém no seu perfeito juízo acha que o Estado se prepara para interferir na esfera mais íntima dos seus cidadãos intruindo-os nos prazeres carnais e, de algum modo, no deboche e na devassidão? Custa-me a crer que em pleno séc. XXI ainda haja quem pense na sexualidade como um segredo sem qualquer componente biológica e que por isso é melhor não tocar no assunto.

Há um sem número de temas relacionados com a sexualidade que são pequenos avanços na nossa compreensão da humanidade e da vida em comunidade. Julgo que ensinar a uma criança para que serve um preservativo sem qualquer tipo de desconforto não será o mesmo que introduzi-la à aplicação oral do mesmo objecto no órgão sexual masculino.

Somos, ainda hoje, vítimas de uma péssima relação com a sexualidade. Ainda hoje ela é muitas vezes iniciada com um défice preocupante de informação e sob uma ideia distorcida da forma como lidamos com o inevitável instinto. Talvez para muitos seja melhor continuar a alimentar tradições como a desfloração do rapaz, numa pensãozeca com uma profissional não-sindicalizada da área pela mão do próprio pai, e manter o discurso o mais obscurantista e moralista possível cá fora, do que educar social e cientificamente alguém para que não cresça ignorante e tenha uma relação mais saudável com os outros e até consigo mesmo.



publicado por jorge c. às 11:11
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Sábado, 26 de Junho de 2010
rumba do regresso


publicado por jorge c. às 15:27
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O dr. Coelho

Nos últimos tempos a tensão entre CDS e PSD aumentou. O Partido Portas começou a atacar o partido do dr. Coelho devagarinho. O dr. Coelho começou a ver a coisa a correr mal, principalmente depois das polémicas com Cavaco, porque a consequência de o apoiar para as presidenciais é uma inevitável colagem da imagem do Presidente ao PSD. O dr. Coelho tinha de arranjar uma solução. E para este homem admirável não há tempo a perder. É preciso dar sempre uma boa imagem e evitar cair na boca do povo. Daí que o dr. Coelho passe a contar com o CDS, não se percebendo bem em que medida e a que propósito. A não ser o propósito da jogada politiqueira. Aí sim, faz todo o sentido e é válido, claro. Nós podemos é não achar muita gracinha. Isso já é outra conversa.



publicado por jorge c. às 15:12
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010
Grand Jacques

 

Parece que Brel passou pelos Açores. Mas, que história poderia sair daqui? O que pode ter acontecido de tão extraordinário para que esse facto, esse simples facto, fosse motivo para um espectáculo? Fica-se quase com a sensação que estamos perante um daqueles golpes saloios de promover o turismo. "Vá para fora cá dentro. Olhe que o Brel foi e lá ficou". Pois ficou. Porque estava doente. E desse imprevisto nasceu uma pequena história de universalidade, de existência crua e simples, na cabeça de Nuno Costa Santos.

Brel nos Açores é, acima de tudo, uma obra de uma generosidade única em que o autor nos oferece o seu olhar mais intimista e nos diz com alegria "vejam, vejam como ele era por dentro, vejam o que eu vi". E essa oferta genuína reflecte-se ao longo da peça com momentos de uma agressividade tal que deviam ser proiíbidos. Quase que era necessário colocar um aviso à porta a prevenir as pessoas de que "este espectáculo contém cenas e linguagem que podem ferir a sua alma de forma irreversível. Tenha cuidado, amigo!"

Para este efeito é fundamental compreender quem está no palco. Dinarte Branco é o actor ideal para o espectáculo. Um olhar que galopa entre o melancólico, o colérico, o doce e o distante. Dinarte consegue ser dois ou três narradores diferentes dando relevo à figura de Brel como que o deixando sempre no centro da espiral de emoções que andam por ali. É, ele próprio, os olhos de Brel e também a sua boca e os seus gestos mais contidos, o seu cinismo agreste e a sua necessidade de partir.

Mas não se monta um espectáculo destes. Um cenário improvável e impraticável.

Revela-se mais uma vez a sua qualidade numa cenografia simples, minimalista e com uma dinâmica livre que começa por envolver o público e ligá-lo ao actor, carregando-o lentamente para o palco num movimento de elevação da personagem. E essa dinâmica livre poderia chocar com a tensão das palavras de Brel muito bem traduditas, diga-se, se me permitem o neologismo. Pelo contrário, há uma harmonia plena na narrativa, como uma onda que nos tira o peso do corpo e nos transporta, a nós e ao desconforto, mar adentro. Uma onda Breliana, como diria o Nuno. Não fosse este espectáculo uma grande parte de si mesmo.

 

Está lá até Sábado, no S. Luiz. Não hesitem. Seria uma perda irreversível.

 



publicado por jorge c. às 11:56
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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010
A odiosidade do progresso

O Progresso. Sempre o progresso. Não há nada que nos livre dos progressistas. É claro que depois, por não se ponderar o progresso, acaba tudo numa embrulhada cheia de remendos e cedências e malabarismos e mais legislação... Enfim, o estado caótico a que chegámos.

Parece que o problema das scut agora ocupa o centro da nossa atenção. Com alguma razão, mas nem sempre pelos mais válidos motivos. No fundo, estamos a discutir problemáticas que deveriam ter sido discutidas antes do servicinho estar pronto. Seja a questão da cobrança das scut, seja a questão dos chips. Senão, vejamos: o Estado acordou bem disposto um dia a garantir que era tudo à vontade do freguês, fartou-se de betonar o país, até ao dia em que o asfalto acabou e era preciso pagar a conta. Eh pá, que maçada, esqueceu-se da carteira em casa. Vai ter de ser a dividir por todos. O problema não se punha se o Estado, armado em novo rico, não tivesse garantido bar aberto.

Já em relação aos chips a conversa dos direitos de liberdade também não deixa de ser interessante. O Estado vai obrigar todo e qualquer cidadão a ter uma conta bancária. Hoje, parece ser uma situação normalíssima obrigar as pessoas a terem uma conta bancária. Mas por que carga de água é que eu tenho de ter uma conta bancária para usufruir de alguns serviços?

Parece ridículo, mas quando me disponho a prestar um serviço nas eleições, enquanto elemento de uma mesa de voto, é-me oferecido um chequezinho. O cidadão mais moderno deposita. Mas eu, mais avisado, gosto de levantar logo o guito, não vá dar-se o caso do país falir entretanto e eu deixar de ser pago pela minha prestação. Não me deixam. Tenho de ter uma conta.

É a isto que se chama a odiosidade do progresso, quando ele não olha a mais nada senão a si próprio e esquece todo um campo de realidades que são anteriores. O progresso é egocêntrico e os progressistas os seus serviçais acéfalos.



publicado por jorge c. às 10:48
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Terça-feira, 22 de Junho de 2010
Sobre a suposta polémica de Cavaco

Sejamos claros. Saramago não é apenas uma figura do universo literário. Teve também uma importância fulcral no debate político e foi um interveniente activo, um agente provocador e muitas vezes foi infeliz nas suas declarações. O Presidente da República tem um cargo político e como tal deve ter a possibilidade de optar e não compactuar com questões que considera contrárias aos seus princípios, sem hipocrisias.

A polémica gerada em torno deste episódio revela a incapacidade transversal de discernir entre as diversas circunstâncias.

No entanto, sou da opinião que a relevância de Saramago na língua portuguesa é superior à sua intervenção política e que é nessa qualidade que o PR deve representar o Estado. Foi uma opção que julgo ter sido errada, mas não suficiente para tanto vuvuzelamento.

 



publicado por jorge c. às 11:32
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Israel e o Direito Internacional

Robert Kagan, num dos artigos mais famosos da última década, Power & Weakness, afirma que um Estado defende a sua soberania conforme os meios que tiver à disposição. Se um Estado tem poucas soluções militares, o caminho da diplomacia é o mais provável. Se por outro lado for detentor de armamento suficiente para se impor, é isso mesmo que fará sem hesitações. O caso de Israel é este último.

Cercado por uma ameaça real e com um conflito permanente há décadas, Israel é um Estado munido de armamento suficiente (e ajudado por outros que o vêem como uma barreira) para se defender de forma coerciva e agressiva. Essa defesa tem uma causa que a justifica. A ideia de coercibilidade como forma de evitar outros ataques não pode é ser encarada do mesmo modo que a legítima defesa principalmente no capítulo da proporcionalidade dos meios.

Acontece, no entanto, que o Direito Internacional continua a não ter qualquer força por mais que tente mostrar a arma, sendo fácil para um Estado prevaricar convicto da defesa legítima da sua soberania. Como se dizia lá na escola, o Direito Internacional é como uma arma descarregada apontada à cabeça de alguém.



publicado por jorge c. às 10:30
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Segunda-feira, 21 de Junho de 2010
Capital de alto risco

O Gabriel parece estar indignado com esta notícia que nos dá a conhecer um investimento questionável (tanto que falhou) do IAPMEI.

Eu não estou muito por dentro do assunto, confesso. Mas, quer-me parecer que as instituições de capital de risco em Portugal andam há já muito tempo a negociar no limite do arriscável. Julgo até que alguns destes gestores são pessoas da confiança do extinto Manuel Pinho que, como eu já tinha dito noutro blog, os colocou lá com uma política duvidosa para o capital de risco e muito em particular para o IAPMEI.

Portanto, o que me quer parecer é que a questão mais relevante será perceber se a política do IAPMEI está certa ou não num momento (já vamos em 2 anos) em que as PME's mais precisam de ajuda. É evidente que o Estado tenta ao máximo não deixar cair empresas que possam contribuir para o produto nacional, daí o capital ser de risco. Mas o que não pode acontecer é que os limites em que isso se proporciona sejam tão arriscados que depois se torne complicado apoiar outras empresas com maior viabilidade. Não é uma situação de hoje. Nem de perto, nem de longe.

Em suma, não é este negócio em particular que será o problema. Quando se fala de capital de risco temos de perceber que estes falhanços podem acontecer. A verdadeira questão coloca-se com a política de fundo do Estado em relação às PME's, ao capital de risco e, mais propriamente, ao IAPMAE e à CGD.



publicado por jorge c. às 22:08
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Conversa de Verão

Já se percebeu como vai ser este Verão. Cavaco vai de férias, Sócrates vai de férias e os portugueses também vão de férias. Até os desempregados vão de férias. Vai toda a gente de férias, excepto Passos Coelho e os copy's que brincam à política nos seus gabinetes. Passaremos o Verão inteiro a ver declarações e mini-comícios, a assistir a um elenco de "ideias para Portugal", "algumas soluções que julgamos serem necessárias para a resolução deste problema estrutural que estamos a viver". No fim, "temos que crescer".

 

A fórmula é conhecida. Os gabinetes em vez de estudar dossiers para identificar a má política e construir uma solução com consistência, andam a fazer de criativos da política a arranjar soluções irreflectidas e muitas vezes despropositadas para depois o líder passar por aquele que apresenta propostas. É uma nova forma de populismo que Sócrates já tinha utilizado e que resultou. Basta lembrar as suas intervenções enquanto deputado e a sua atitude enquanto PM. É aí que se avalia o populismo, e é aí que se aprende a não cair na mesma cantiga.

 

Vivemos tempos complicados mais pelas más alternativas polítcas que temos a um mau governo do que pela situação financeira. A escolha não é fácil.



publicado por jorge c. às 17:47
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Breves notas sobre o mundial de futebol

Estou de férias e sem grande vontade de ver futebol. Há apenas algumas coisas que me irritam profundamente na febre do mundial.

Em primeiro lugar, irrita-me que apareça tanta gente a falar do que não sabe, começando pelos jornalistas que tendem a fazer comentários sobre o jogo e para os quais não têm o mínimo de conhecimento. No twitter, o inenarrável e ridículo Nuno Luz, jornalista (ninguém sabe como) da Sic, dizia no início do jogo da selecção nacional que faltava ali alguém para fazer a transposição de jogo. Portugal ganha por 7 - 0 e toda a gente percebe que o Nuno Luz só disse aquilo porque lhe pareceu lógico que o facto de Deco estar no banco iria gerar logo esse problema. Esta amiba nem se deu ao trabalho de ver o jogo. Se calhar até viu, mas não sabe. Não sabe do que fala, não percebe o jogo e só diz banalidades. O problema é que estas banalidades estão a entrar por nossa casa durante todo o dia, a todos os minutos.

Há um caso curioso. Cristiano Ronaldo disse um disparate qualquer sobre golos e ketchup. Uma parvoice que o Cristiano Ronaldo diz porque a cena dele é jogar futebol, o que faz muito bem. No entanto, parece-me é grave que, a seguir a isso, a opinião pública desate a repetir o disparate, sabendo que é um disparate mas não tendo capacidade para lhe retirar esse efeito.

Em suma, o que a febre do mundial faz é despertar a futilidade adormecida na sombra dos dias. Trata-se de um holofote para a imbecilidade ao som de vuvuzelas.

 

Uma última nota apenas sobre um comentário de Hélder Conduto durante o jogo na RTP. Diz o jornalista que a Coreia estava muito atrevida. Repetiu-se duante a semana "a desconhecida Coreia do Norte". Não se compreende como é que um jornalista, cuja função é pesquisar e estar atento, diga uma coisa destas de uma selecção que está na fase final de um mundial. Não viu os jogos da Coreia? Porquê? É desconhecida por causa da ignorância e da falta de trabalho?

 

Ah, e já me esquecia que esta mania do David e Golias é perturbante para quem vê futebol o ano inteiro. Passa-se um mundial inteiro a querer que os grandes percam? Porquê? Os grandes ganham e são grandes por causa disso. Esta mania de politizar o futebol (e vice-versa) é coisa de gente ignorante e que, no fundo, não gosta de desporto. Gosta de dizer disparates porque tem uma vidinha miserável e nada melhor que chatear a cabeça de quem gosta disto a sério.

 


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publicado por jorge c. às 14:35
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Sábado, 19 de Junho de 2010
rumba dos remédios venenosos



publicado por jorge c. às 14:51
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
Não há tempo

Foi Saramago que deu o nome a este blog. A sua morte é por aqui encarada não só com todo o respeito que um bom rival merece, mas também com a tristeza de ver partir um bom escritor, alguém que escreve algo que nos marca, tanto estilística como literariamente, não obstante outros dislates e despropósitos. Saramago era um homem rancoroso com o mundo, com Deus, de que tanto falava enquanto dizia não acreditar, e por isso desejo apenas que encontre a paz que nunca quis ter por manifesta insatisfação.



publicado por jorge c. às 13:13
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Da Justiça na América

Gostar dos Estados Unidos é também compreender as suas singularidades, a sua natureza política e as suas práticas menos consensuais na Europa. Eu gosto e muito.

No entanto, não devemos tomar como dogmáticas determinadas realidades. Se há algo que não faz sentido no espectro civilizacional onde os Estados Unidos se encontram, devemos contribuir para esse debate. A pena de morte será uma dessas realidades. É, assim, de todo lamentável que nos tempos que correm ainda se assistam a retrocessos penais destes. Não estamos aqui a falar num campo humanitário que pode ser perfeitamente discutível em virtude da cultura do meio. E digo discutível por não considerar sensato encerrar o assunto à partida com verdades insofismáveis.

Do que se trata aqui, portanto, é da matéria moral que envolve o pensamento penal da época. E parece-me um pouco desactualizado insistir na pena de morte, principalmente nestas condições medievais. O direito penal tem mudado muito e a sua evolução gradual começa a ficar a anos-luz desta realidade americana. Num país tão devoto chega mesmo a ser paradoxal uma tomada de posição destas em relação à vida do outro.

É claro que se compreende o factor coercivo que esta sentença ainda carrega. Mas não podemos parar por aí. Há um campo de interesses jurídicos maior que tem de ser relevado na medida em que não falamos de uma paga mas sim de uma pena.

 

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publicado por jorge c. às 12:35
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Quinta-feira, 17 de Junho de 2010
A facturinha

90% de reprovações num exame que me garantiram ser acessível, para não dizer fácil. Muito se há-de dizer disto: que o bastonário é um malandro (e é, mas não interessa), que eles querem é despachar este pessoal e estrangular a entrada na ordem porque há gente a mais (no mundo também há gente a mais) e muitas outras coisas. Pode ser tudo verdade. Mas não é isso que importa agora. Para mim o culpado é sempre o Dr. Soares.

O que importa agora é perceber a linha dos acontecimentos, as causas e as consequências. Portanto, Bolonha foi um processo vergonhoso e conduz algumas licenciaturas à total indignidade, sendo Direito uma delas. Os alunos vêm do secundário com fracos índices de exigência e a Universidade deixou de o ser, passou a ser o terciário com avaliações contínuas e trabalhos de casa. Acabam as licenciaturas com 21 ou 22 anos e sabem lá o que querem da vida. Vão para o que estiver mais à mão e a mentalidade vigente do doutor ou engenheiro não lhes dá alternativas (já na escolha do secundário é assim). Se não podem entrar na Ordem vão fazer o quê, o CEJ? É difícil. Consultoras? Lotadas e agora anda-se aí com a mania de acabar com o outsourcing. Mesmo assim as consultoras também são exigentes com as médias e estabelecimentos frequentados. Depois não podem exercer a profissão para a qual estudaram por causa da procuradoria ilícita. Por isso, que andaram a fazer 4 anos? Nada. A gastar dinheiro aos pais, a ganhar depressões e a dar dores de cabeça ao Estado porque a empregabilidade é baixíssima.

Podem sempre ir para os supermercados, que também não devem estar a empregar muita gente e pagam pouco mais do salário mínimo que, para quem se habituou a um estilo de vida estável e ingressou na Universidade com o objectivo de pelo menos ter um salário próximo dos 1000€, não é assim muito motivador. Ou então as obras. O problema é que o sector da construção também está malzito.

Conclusão, uma grande trapalhada que podemos todos agradecer ao idiota do Dr. Roberto Carneiro e a todos os que viram e vêem no ensino um negócio ou um objecto de experimentalismo social. E o Dr. Soares, claro. O Dr. Soares é sempre culpado até prova em contrário.

 



publicado por jorge c. às 18:03
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Quarta-feira, 16 de Junho de 2010
Virtualidade em Beja

A Câmara de Beja mandou fazer um estudo. Vai começar o progresso.

Fico sempre deslumbrado com a mentalidade dos autarcas portugueses que acreditam piamente ser suficiente haver infra-estruturas para que a magia aconteça. Lembro sempre com saudade a minha visita a Foz Côa. Lia-se pelos jornais que o turismo se iria babar. Lá chegado pareceu-me estar no velho oeste americano, numa aldeia deserta que aguarda com pompa o comboio que nunca mais chega, enquanto o cotão se passeia pela mais recente estrada em alcatrão. Um flop.

Esperar que os índices demográficos se invertam devido a meia-dúzia de infra-estruturas é só mais do mesmo. Os autarcas portugueses (não todos) ainda não perceberam que é preciso desenvolver um trabalho político forte, fazer lobby com a insdústria, assegurar boas condições para a agricultura, criar serviços eficazes e céleres, disponibilizar os meios necessários para a criação e promoção cultural sem interferir nos conteúdos, harmonizar a estrutura urbana com espaços verdes e outros espaços de lazer que tenham em conta o factor climático, promover o pequeno comércio, assim como apostar no conforto das crianças principalmente na educação e nas actividades extra-curriculares fora da escola. Assim muito por alto, se este pensamento não estiver aliado à expectativa do crescimento demográfico, as infra-estruturas e todo o dinheiro gasto com elas serão apenas mal empregues e depois disso mais endividamento da câmara. E diz bem o título da notícia: "pode". Pois pode. Mas também pode não ser.

Por falar nisso, pagaram o estudo ou puseram na conta da amizade?



publicado por jorge c. às 15:44
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