Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010
O fim do sonho

Não irei dizer nada de novo neste post. Venho apenas reforçar o que tenho dito nos últimos dois anos e meio. Depois de tudo o que se disse, de todos os avisos sobre o estado das contas públicas, do irrealismo do Governo, da necessidade mais do que evidente de acautelar a despesa, de uma forma absolutamente intolerável e pornográfica, há quem não tenha vergonha e venha defender a governação do Engº Sócrates. É de um desplante sem nome.

O país recebe com tristeza a austeridade do novo plano de reequilíbrio das contas. A verdade é que a necessidade destas medidas é inegável. O que se deve, portanto, discutir é toda a ilusão que o Governo socialista andou a vender durante os últimos anos. Não, as coisas não estavam bem, a crise não tinha acabado, as empresas não tinham capacidade de resposta por falta de medidas preventivas da recessão e o grande investimento público deveria ter sido suspenso. Agora, vai tudo. Parece que os catastrofistas, os alarmistas e toda essa gente do lado do mal tinha alguma razão para recear um tempo em que estas medidas tivessem de ser tomadas. Quem paga somos todos, não é o vizinho do lado. Mas a vitimização e os atestados de ignorância soam sempre melhor a quem julga viver num lugar transcendente onde tudo é possível se fecharmos os olhos e fizermos muita força.



publicado por jorge c. às 16:56
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010
Calimerice

Confesso que ainda hesitei antes de comentar aqui este post de Domingos Farinho. Não queria ser catalogado como um odioso opositor do Governo, por Deus, nem pensar! Mas esta calimerice chateia-me e, com o devido respeito, Domingos, isso foi de Calimero (nós, os iletrados, só sabemos relacionar com coisas menores como desenhos animados).

Não querendo alimentar qualquer polémica com o lado do bem, tudo aquilo me merece meia dúzia de palavras. Em primeiro lugar, torna-se cansativo esta teoria de que estão todos mal e só o Governo é que fala com clareza. Isso não é verdade. Mas parece-me ser um vício do pensamento político afirmar estafadamente que "vai toda a gente ao contrário, só o meu filho é que marcha bem".

Em segundo lugar, tendo em conta os dados a que vamos tendo acesso, e eu confesso-me um leigo em matéria económica, não me parece muito correcto entrar no discurso de que os comentadores é que alimentam isto, os jornais alimentam aquilo, a oposição é responsável por aqueloutro. Os índices de que vamos tendo conhecimento são também (vá lá, admitamos, só um bocadinho) uma causa da governação, senão o Governo não estava ali a fazer nada e estar ou não estar ia dar à mesmíssima coisa.

Em terceiro lugar, quando li aquela parte da "linguagem agressiva e hiperbólica, a ausência de fundamentanção, o excesso descredibilizante, a confiança cega nos aliados, a demonização total dos inimigos, a divisão do mundo entre aliados e inimigos", juro que achei que o Domingos se iria referir à quantidade absurda (isto não é uma hipérbole) de barbaridades que disseram de Manuela Ferreira Leite. Mas afinal não. O Domingos prefere pegar nisso e calimerizar mais um pouco o pobre Governo vítima de bulling político.

Por último, merece-me também um comentário a parte dos "iletrados". É provável que o Domingos viva num meio erudito. Mas o cidadão comum que não tem acesso a informação especializada vive muito da informação politizada, chamemos-lhe assim. Isso irá certamente determinar o seu juízo livre. A sensibilidade política do cidadão não depende de factores específicos, técnicos, mas da sua percepção da realidade segundo a multiplicidade de informação que lhe chega. E é hoje perfeitamente legítimo desconfiar da governação. O que não parece muito lógico é a vitimização do poder 5 anos e meio depois.


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publicado por jorge c. às 20:54
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Leitura obrigatória

Este post do Funes.


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publicado por jorge c. às 19:42
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Medíocre

Ouvi de manhã na rádio, logo pela fresquinha, umas declarações deploráveis de Defensor de Moura que, segundo os senhores da TSF, eram da mesma família das proferidas pelo Candidato Alegre. Duas aves raras que assaltaram o espaço mediático sem qualquer qualidade política para o cargo a que concorrem - a Presidência da República. Sejamos claros, estamos perante duas pessoas sem a mínima aptidão para o cargo e cujos votos serão muito forçados pelo adversário mais directo - Cavaco Silva.

Torna-se difícil acreditar que alguém pode votar conscientemente e com vontade em dois candidatos que, perante o clima de dúvida face à aprovação do Orçamento, resolvem dizer que o Presidente está a fazer campanha dissimulada ao convocar os partidos. Isto não passa pela cabeça de ninguém tendo em conta a situação política e o impasse que estamos a viver. Era a obrigação do PR tomar tal atitude.

É certo que o comportamento de Cavaco nos últimos tempos não pode agradar a ninguém. O actual PR não pode adiar muito mais o anúncio da sua candidatura. Poderão alguns dizer que não é a altura para andar a apresentar candidaturas e que há coisas mais importantes a tratar. Confesso que já estamos um bocadinho fartos desta conversa de saco e que se torna evidente para todos que Cavaco Silva é um político demasiado calculista para que se caia nisto muitas vezes.

Mas o que não se pode negar é que, enquanto PR, Cavaco tem feito esforços no sentido de promover o entendimento em matérias que precisam de consensualidade, como é o caso do Orçamento de Estado. Por mais voltas que lhe queiram dar, por mais má-fé que queiram a atribuir às suas atitudes, isto é o que qualquer Presidente faria e que, repito, não é mais do que a sua obrigação.

Se tal não serve para provar o tipo de campanha que vem aí dos adversários de Cavaco, então não sei do que mais precisam.



publicado por jorge c. às 17:33
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010
Em cima do joelho

Chegámos à semana de despachar programa sobre o centenário da República. Durante um ano vimos anunciar que o centenário se iria celebrar. Fomos esperando, esperando. Lá apareceram uns livritos muito timidamente, sabe-se lá se feitos ou não à pressa. Na televisão vejo agora uns anúncios sobre umas séries quaisquer. Mas nunca mais soube nada do mastro do Vale do Sousa. O Prof. Santos Silva também anda meio desaparecido, e não só nestas andanças. Também sabemos que se houvesse muita celebração apareciam logo os defensores dos bolsos do contribuinte e a facção monárquica da República de mãos na cabeça.

O que me apetece dizer sobre isto é que estamos prestes a comemorar 100 anos desde o dia em que somos de facto detentores do nosso Estado, todos sem excepção, e que ninguém parece estar muito animado com o acontecimento. Celebrar a normalidade é, também, uma forma de preservar a memória. Mas se é para fazê-lo às três pancadas e sem ânimo então mais vale estar quieto.



publicado por jorge c. às 17:13
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Sábado, 25 de Setembro de 2010
rumba de sábado à noite


publicado por jorge c. às 09:07
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O impasse

José Sócrates é um homem desgastado. Aflito por não querer governar por duodécimos depende do PSD e de Passos Coelho. Por sua vez, o social-democrata está desejoso para ficar por cima e triunfar nas negociações. Para já, PPC age da mesma forma que agiu com Ferreira Leite: aceita a sua posição, diz não ter pressa de chegar ao poder, mas assim que pode mina o caminho com o seu jeito dissimulado.

Para o Primeiro-ministro governar sem poder exibir o seu reflexo não deve ser uma opção. Já sabíamos que Sócrates era um político menor com um ego grande, mas julgo que ninguém acreditou que se deixasse enfraquecer tão depressa. Portanto, o Chefe de Governo vive agora o impasse que também está a ser provocado pela Presidência e a redução dos poderes do Presidente devido às eleições que se aproximam.

No meio do bailarico, o cidadão comum não sabe o que há-de pensar e está naturalmente preocupado. De um lado dá-se a ideia de que o governo socialista esconde uma realidade negra e que estamos à beira do abismo. Do outro, fala-se numa conspiração contra Sócrates.

Para o staff e pseudo-staff dos partidos parece estar tudo bem na cavaqueira do costume de ataques pessoais e na desconversa do "olha que não sôtor, olhe que não". Contentes na sua posição de palermas, os aparelhistas de um lado e do outro divertem-se como se estivéssemos numa Batalha Naval, convencidos de que estão a salvar o país através de propaganda e contra-propaganda.

O impasse do Primeiro-ministro é, por isso mesmo, o nosso. Sócrates é o Primeiro-ministro e se calhar não seria mauzinho de todo, no meio daquilo que se anda a passar, que aparecesse só para dar um olá às tropas. Não sei se isto é pedir demais.



publicado por jorge c. às 08:33
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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010
Ainda sobre a questão dos ciganos

"Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida! Ódio ao ódio. A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos."

 

Victor Hugo, autor desta carta ao Parlamento Português a propósito da abolição da pena de morte em 1876, estaria hoje a procurar o livro de reclamações na recepção da Assembleia da República.

 

Devo esta memória a este post do Luís M. Jorge.


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publicado por jorge c. às 22:39
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A pedagogia da crise

Li, hoje, no DN uma peça sobre o aumento da procura de casas para arrendar, em confronto com a procura de casa própria. A notícia fala de consequências da crise.

Não deixa de ser curioso que o tom nestas matérias seja sempre o da preocupação, um tom desgostoso, como se a adaptabilidade às circunstâncias, à conjuntura socio-económica, fosse uma calamidade e significasse por si só o fim do mundo em cuecas.

Parece-me que o país tem um problema sério em lidar com a adversidade. Viemos dando, ao longo dos anos, a nós mesmos, um estatuto qualquer que muitas vezes não corresponde às nossas reais potencialidades, sejam elas financeiras, profissionais, sociais e/ou culturais. A aquisição irreflectida de habitação própria através do crédito é apenas um símbolo de uma absoluta ilusão.

O melhor que a crise nos traz é o realismo. No meio da adversidade somos levados a reflectir e a questionar mais as nossas escolhas. Até a forma como olhamos o mercado de trabalho é diferente. É como se caísse um véu de aparências e passássemos a respeitar todos aqueles que ao nosso lado desempenham funções que, em tempo de vacas gordas, são ignoradas. A crise traz mesmo as profissões sem nome e cada um de nós está hoje mais preocupado em ter um emprego do que em ser qualquer coisa.

Artaud dizia que o teatro nasce da mais profunda das decadências, das crises civilizacionais. É também na adversidade e na necessidade que encontramos um sentido para as nossas vidas. O elemento pedagógico que delas advém torna-se fundamental para nos reconstruirmos com a solidez necessária. Encarar isto com o negativismo habitual não só não nos leva a lado algum, como nos faz ficar de mal com a vida.



publicado por jorge c. às 21:02
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Domingo, 19 de Setembro de 2010
Estereotipar por aí

A visita de Bento XVI a Londres despertou-me novamente para um assunto de relativa importância e ao qual julgo não se dar a devida atenção por parecer tão banal - a estereotipagem.

A grande maioria dos críticos da Igreja criou uma lógica de explicação de comportamentos ou práticas reprováveis. Assim, o abuso sexual de menores, por exemplo, explica-se através das restrições sexuais, para falar em termos abstractos. É uma lógica aflitiva. Consegue-se deste modo estereotipar toda uma religião. Este é também um dos motores do fanatismo que se diz combater - visualizar um inimigo compacto com certas características perfeitamente definidas. Um padre = um abusador. Um padre = um provocador de fanatismo. Um padre = um atentado contra a liberdade. Diga o que disser, primeiro funciona sempre a lógica que lhe será inculcada.

Mas a mesma história funciona para outras realidades. A estereotipia é, por si, uma arte. Repare-se na questão do abuso sexual de menores. Que imagem se faz de um abusador? O Luís M. Jorge, por exemplo, não teve dúvidas. Um abusador só pode ser um tipo de direita, gordinho e oleoso, um canastrão empresário, um porco da classe média, ignorante da filosofia e da poesia mas mestre em futebol, tremoços e charutos rascas. Ou então, como relatava um jornalista do Diário de Notícias aquando do julgamento da Casa Pia, o feliz proprietário de um "carro de alta cilindrada" que, segundo os mais informados, parecem ser os únicos a passear-se lentamente pelo Parque Eduardo VII - o único sítio onde existe, aliás, prostituição masculina em todo o mundo - ou seja, gente de posses e mal resolvida com o seu machismo e por aí em diante. Deus! Metade do país é um abusador sexual de menores.

A questão da estereotipagem tem, para mim, a ver com insegurança e medo. Dar ao que não compreendemos uma cara será sempre mais fácil. Criar um inimigo físico com características específicas faz muito mais sentido para uma certa fragilidade da nossa personalidade. Foi isso mesmo que Vincenzo Natali mostrou em Nothing (2003), onde duas criaturas perseguidas pela sua própria vida e pelas suas vicissitudes começam a apagar pessoas e situações só com o poder da vontade até restarem apenas as suas cabeças. Só as suas cabeças.


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publicado por jorge c. às 12:18
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Sábado, 18 de Setembro de 2010
Em memória...

 

Dedicado ao Francisco Ribeiro.



publicado por jorge c. às 13:49
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Aconteceu na Europa

Em 1506, depois de um longo período de peste e do consequente fervor religioso, Lisboa foi vítima de um dos maiores massacres da História de Portugal. Uma migalha fazia rebentar uma das mais sanguinárias operações de ódio de que há memória.

Entretanto, o mundo foi mudando, as mentalidades mudaram e consolidou-se a tolerância necessária à melhor convivência entre os homens dentro da sua diversidade identitária. Proclamámos o Direito como a nossa fonte de regulação em comunidade e o fiel depositário dos valores que entendemos como fundamentais. Chegámos mesmo, depois de cenários infernais, a declarar em conjunto numa Carta aqueles que julgamos serem os direitos universais do Homem e do Cidadão. Bastar-me-ia uma breve leitura pelos primeiros artigos desta Carta para compreender que o que se passou em Lisboa não faz sequer parte de uma escala actual de valores que se foram conquistando, em grande parte baseados numa experiência arrepiante, e que defendemos hoje como uma marca essencial da nossa civilização.

Por toda a Europa assistimos durante séculos a atentados sistemáticos ao outro. Perseguimos, discriminámos, ostracizámos, diminuímos, hostilizámos, massacrámos. E é exactamente dessa experiência e da necessidade de coexistir comunitariamente que nasce a União a que pertencemos, não parcial ou limitadamente, mas sim de plena cidadania. Somos hoje, enquanto cidadãos europeus, responsáveis e guardiões de uma História em construção - uma História de valores e de princípios muito bem definidos. Abrir o flanco ou perverter o espírito dessa História pode tomar proporções catastróficas.

Aquilo a que todos temos assistido em França nas últimas semanas não é um assunto de menor relevância nesta matéria, não é uma simples questão de política de imigração ou um tema de trato burocrático, nem tampouco uma divergência ideológica. Trata-se, pelo contrário, de matéria respeitante aos direitos civis universais e à dignidade da pessoa humana. E não falamos aqui do campo ideológico pois parece ser de senso comum que o que está escrito na Convenção para a Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais é um conjunto de princípios gerais e abstractos que nos definem enquanto comunidade e não uma mera declaração ideológica (esquerda-direita) de apenas uma parte de nós.

Com efeito, parece-me que discriminar um grupo específico numa circular que pretende reflectir o procedimento administrativo adequado a uma determinada legislação é um acto que atenta contra esses mesmos princípios e que, portanto, fere o direito comunitário num dos seus pilares fundamentais. No mínimo.

Não irei aqui ensaiar um discurso sobre identidades e as suas ramificações, causas e consequências. Não é de todo a minha pretensão converter ignorantes em cidadãos conscientes. Posso apenas dizer que não é o gostar ou desgostar de um certo grupo de pessoas que está aqui em causa, mas o tratamento humano e político que lhe damos, a forma como aplicamos a nossa lei, a equidade da nossa Justiça. E foi exactamente nesse sentido que o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, afirmou de um modo bastante categórico que a lei é para ser cumprida e que a Comissão agirá sempre em conformidade com o Direito Comunitário.

É esta dogmática da lei que nos faz ter segurança institucional e acreditar que as conquistas civilizacionais serão preservadas. É esta dogmática que impede homens sem cultura europeia, sem consciência histórico-filosófica, homens como Nicolas Sarkozy ou José Sócrates, de banalizarem o mal operando administrativamente sobre os direitos fundamentais.



publicado por jorge c. às 09:25
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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010
Bodin is dead, baby. Bodin is dead.

Pouco ou nada se falou na necessidade de, a partir de agora, o Orçamento de Estado ser aprovado por Bruxelas. Talvez não seja um assunto muito sexy, mas ainda assim custa-me que em pleno centenário da República não se discuta amplamente um dos princípios estruturantes da Constituição da República, anteriores a ela própria, ou seja, da Carta Constitucional de 1822 - o Princípio da Soberania Popular.

Portanto, se bem entendemos, o que se passa é que para o nosso orçamento ser aprovado, ele terá de ir a Bruxelas receber autorização. Portanto, pessoas em quem nós não votamos vão decidir sobre a gestão dos nossos recursos e da sua escassez. Se isto não é uma ingerência consentida, então não sei o que é. Gostava de compreender o júbilo de alguns.



publicado por jorge c. às 13:55
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Domingo, 12 de Setembro de 2010
Educar para a saúde

Acabo de ver Philadelphia pela décima vez, aproximadamente. Perdi a conta ao número de vezes que revisitei o filme. Se o Muro tinha sido um acontecimento significativo na minha visão mais universal, este filme foi fundamental para a minha educação enquanto homem e enquanto cidadão. Em 1993 tornava-se claro para mim que era preciso informar, divulgar e, mais do que tudo, educar. Em 2010 ainda se discute se a educação sexual é um bom ou um mau tema para darmos às nossas crianças, porque, tal como em 1993, ainda não se compreendeu que é de saúde que estamos a falar e não de intimidade.

 



publicado por jorge c. às 16:57
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A ler

A Irene Pimentel, mais uma vez (qualquer dia crio uma etiqueta com o nome dela).

Neste post, a Irene faz a gentileza de inserir afirmações num contexto histórico e factual e não inventa comparações descontextualizadas e extemporâneas. Estou sempre a aprender com a Irene. Note-se, também, a questão que coloca inicialmente no que diz respeito ao formato entrevista para um historiador, feito nos termos em que o foi. Isto é muito relevante. Valorizar uma afirmação nesse contexto como uma coisa escabrosa é, no mínimo, pateta, para todos os lados. Haverá certamente um livro que justifique o que o autor disse. Algo que tenha que ver com o contexto histórico aqui narrado pela Irene Pimentel. Mas alguém leu a biografia? Por que é que se está a entrar nesta vaga de tratar a entrevista como se fosse a biografia em si mesma?

Já agora, eu também podia colocar a questão como "Salazar fascista?". A seguir tinha de ir perguntar a historiadores como o Prof. Rosas que disparate era esse. Tanto preciosismo político para umas coisas e para outras nicles batatóides. Vai ficar tudo bem.


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publicado por jorge c. às 10:32
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Sábado, 11 de Setembro de 2010
O dogma do anti-dogma

Quando fiz este post sobre a biografia de Salazar já contava com este tipo de reacções (à biografia, não ao post, par Deus). Não sei se a Fernanda já teve oportunidade de ler a biografia feita por Filipe Ribeiro Menezes, mas quase que aposto que isso é indiferente. Para a Fernanda parece bastar a sua vontade histórica.

O romantismo de Delgado, aquela ideia sonhadora do General sem medo pelas ruas do Porto, não passa disso mesmo - romantismo. Eu respeito isso. Mas parece que para uma certa mentalidade é mais fácil continuar a romantizar do que ouvir o que se tem a dizer sobre o tema, dar pelo menos uma oportunidade a quem o estudou. Como diz e bem o João Miranda sobre o mesmo assunto: "Eu não sei se Salazar era um “democrata-cristão convicto”, mas quem passou 7 anos a estudar Salazar não fui eu, foi o Filipe Ribeiro Menezes. Para se manter um nível adequado ao debate intelectual talvez seja melhor perguntar-lhe porque é que ele pensa assim. Ou então ler o livro."

A esquerda portuguesa tem muitos dogmas para resolver.



publicado por jorge c. às 12:44
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Acordar com Nova Iorque

A década de oitenta acabou mais cedo do que se esperava. A falsa festa decadente e yuppie do ocidente foi interrompida pela Queda do Muro. "O Muro está a cair" foi a primeira frase que me marcou, e a imagem de gente a precipitar-se na ânsia da mudança, numa noite fria, no meio de lágrimas e silêncios aliviados, é a fotografia que abre a minha década.

Cresci e fui adolescente num mundo livre onde o dinheiro caía do céu, a informação circulava cada vez mais rápida e onde se respirava paz. Tinha todos os motivos para me tornar etnocêntrico. A Europa era agora uma lição de democracia e os Estados Unidos uma fonte de inspiração. Mas estava na moda ser multicultural. A minha geração, ou todos aqueles que beberam os anos 90, achou que ser multicultural era comer "comida étnica", ouvir "world music" e ser solidário com as criancinhas em África usando uma t-shirt branca em hora e data a definir. Felizmente também li e ouvi muita música e comi muitas coisas diferentes. Tive foi a sorte de tentar compreender o outro, estivesse ele no outro lado de um outro muro ou mesmo a meu lado, na minha Europa livre.

Pensar de uma forma global e diversa, plural e tolerante, foi meio-caminho para acreditar que finalmente tudo estaria no sítio.

A 11 de Setembro de 2001, dez anos escorreram pelo cano abaixo. Vi o mundo mudar entre uma gigante nuvem de cinzas que trouxe o ódio, o terror, o medo, a paranóia, a conspiração, a demagogia, o preconceito, a inquietação, a perseguição, a desconfiança, a vergonha, o moralismo e nos mandou para trás, quando já não pensávamos lá voltar, para uma guerra-fria que mói e nos destrói todo o sentido de Humanidade que julgamos estar sempre a conquistar.

 



publicado por jorge c. às 10:56
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Domingo, 5 de Setembro de 2010
Guerra semi-fria

O impasse da política portuguesa deve-se essencialmente a um jogo de estratégias eleitoralistas, ou de não-queda, financiado pelo PS e pelo PSD. Os socialistas tentam aguentar o poder com a táctica da diabolização, desta vez mais comedida, não passando de mera desonestidade intelectual e soundbites estafados. O PSD sabe que não pode ser parte do problema e que, por tal, não pode provocar a queda do governo. Nesse sentido, ameaça com ligeireza a reprovação do Orçamento de Estado.

Todo este tacticismo anacoreta perturba a concentração no essencial e alimenta a demagogia das facções mais descentradas. É um clima de guerra-fria entre medrosos, calculistas de berma-de-estrada e demagogos num país com um grande défice de interesse e de cidadania.



publicado por jorge c. às 12:19
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NFL

Está de volta a liga de futebol americano. Depois de uns meses de pausa, a NFL regressa e com alguns resultados surpreendentes. Ainda é cedo, mas já dá para fazer algumas previsões de como começará este ano. Centremos, para já, as atenções nos Saints, vencedores do Super Bowl. A equipa mantém-se praticamente a mesma, o que, depois de um campeonato consistente e coeso como o do ano passado, é um excelente sinal. Mas, este primeiro jogo foi um jogo de azares para a equipa de New Orleans, com as lesões. Uma derrota sofrida, mas ainda assim um jogo espantoso, de grande resistência e dedicação. Arrisco dizer que em New Orleans a glória chegou para ficar e teremos mais um bom ano de football*.

Os especialistas parecem mais apostados numa “época dos Cardinals”, apesar de alguns problemas de balneário, nomeadamente em relação a Matt Leinart. É uma equipa forte, sem dúvida, mas o football é um desporto de persistência e consistência. Sem uma equipa solidária e disposta a morrer em campo é muito difícil chegar à grande final. Quanto aos Giants e aos Steelers, já se sabe, começam sempre as épocas galvanizados com grandes vitórias e depois é sempre a descer.

A liga poderá ser acompanhada durante todo o ano na televisão por cabo, no canal ESPN. Com paciência irei falando dela ao longo do ano. Só podemos dizer “thank you, cable”!

 

 

*Refiro-me assim para não provocar confusões.


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publicado por jorge c. às 11:59
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Sábado, 4 de Setembro de 2010
rumba de sábado à noite


publicado por jorge c. às 12:04
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