Quinta-feira, 31 de Março de 2011
herbonmania



publicado por jorge c. às 17:27
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Zumbido de campanha

Estas linhas de orientação para o programa eleitoral do PSD são um conjunto de generalidades, nada mais do que isso. Eu sei que são apenas linhas orientadoras e não o programa em si mesmo, mas nós já começamos a ouvir estas generalidades no zumbido de campanha. Fala-se em tudo, mas não se sabe falar de nada. A mediocridade do staff passista está em decorar a canção mas não saber ler a pauta.

O PSD não deve estar à espera que o ódio a Sócrates seja o suficiente para as pessoas irem a correr votar. E se quer mostrar seriedade, honestidade  e consistência no debate político não lhe bastará dizer que vai apostar no investimento e que exige mais dias de céu limpo a pouco nublado. Terá de ir bem mais longe. Quando nos propomos a ajudar à criação de um problema temos de ter já a solução preparada. Isso não é evidente.


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publicado por jorge c. às 14:39
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Quarta-feira, 30 de Março de 2011
portugal é legal, é show de bola e é beleza



publicado por jorge c. às 19:22
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É assim, a vida

 

Estas coisas padecem sempre de uma ironia que acaba por nos confundir. O sentido da vida e outros contos; Deus, 2011. Tem um ar de obra continuada, prolongada e consistente. É uma prática reiterada da linha editorial do Além que deixa a malta do Aquém ansiosa e à espreita, não vá o Diabo tecê-las. É sempre assim, uma no cravo e outra na ferradura. E um tipo tem de andar alerta. Razão têm os escoteiros, mas isso são outros quinhentos.

Na mesma semana em que Souto de Moura é premiado com o grande galardão da Arquitectura, vai de falecer o seu fiel amigo e conterrâneo por opção, o grande Ângelo de Sousa. E não deixa de ser curioso que a última vez que os ouvi estavam juntos a falar daquele edifício ali, em Veneza, e na forma como surpreenderam tudo e todos com o seu original estaleiro. Coisas que levamos para a nossa tumba, de alma lavadinha. Não há bela sem senão.



publicado por jorge c. às 02:18
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Segunda-feira, 28 de Março de 2011
E há quem diga que nunca foi boa, a canção de Lisboa

Em 2004 eu trabalhava para a agência que viria a fazer a campanha que opôs Santana Lopes a José Sócrates (legislativas de 2005). Para os profissionais brasileiros vale tudo quando se está em campanha, e nesse tudo coube a criação do blogue Portugays onde mais do que se insinuou a homossexualidade do candidato socialista. Não satisfeitos com isto, que a imprensa portuguesa da altura ainda mal espiolhava a blogosfera como depois veio a fazer, um dos marqueteiros melhor relacionados com os jornais do Brasil pediu a um camarada que colocasse uma notícia dando conta da alegada ligação entre Sócrates e Diogo Infante que, como é óbvio, passou para a imprensa deste lado do Atlântico.

 

7 anos passados de uma das maiores canalhices de que há memória na política portuguesa, esta história regressa agora contada por quem nela participou. 7 anos, já viram?

"Foi um amigo que me contou. Sei de fonte seguríssima, uma pessoa insuspeita. Isto sabe-se há imenso tempo, é público. Conheço uma pessoa que trabalha dentro da secretária dele que me garantiu que isto era a mais pura das verdades".

Nada melhor do que este cenário na coutada do macho ibérico sempre zeloso pelo conforto de rabiosques com curva para um final feliz e sempre atento à paneleiragem que nos suja as ruas com o deboche que determina a incompetência. Nada melhor para a velha Lisboa, a "vida da outra sussurrada entre os dentes" como na canção estafada de Jorge Palma. Entre um horóscopo ou outro lá salta um boatozinho sem querer. Mas ninguém quer ser apanhado a mentir, por isso há que dar credibilidade apresentando uma espécie de avalistas fidedignos sem ter de passar pela Consertvatória, pessoas que nunca chegaremos certamente a conhecer mas cujo estatuto desenhado pelo nosso boateiro não deixa margem para dúvidas. Em último recurso saltará um desesperado "eu vi!" e acabou a conversa. Que é lá isso, pôr em causa a palavra de um amigo? É a sua honra que está em causa!

A honra. Sempre a nossa, nunca a dos outros. E é precisamente por saberem isso que os marketeiros lançam a carne aos cães que, pouco treinados, nem olham para a sua origem. No supermercado não perdem a oportunidade de ver se o iogurte está em cima do prazo, sempre pode ser que se arranje um descontozinho. Agora, a dignidade e a honra de terceiros? A origem, a validade, são coisas que só reconhecemos por interesse e nunca por princípio. É a vida, amanhem-se.



publicado por jorge c. às 17:13
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Patranhas

Uma pessoa nunca deve confiar no Partido Socialista. Não é por mal, nem por nenhum outro motivo que seja passível de ser atribuído como característica de outro partido. Normalmente costuma dizer-se "ah, no PS é só boys", mas uma pessoa sabe que boys são, em rigor, cargos de confiança política para ter a máquina mais oleada e que isso todos os partidos têm. É verdade que uns podem ser mais competentes que outros, mas isso é, como diria um amigo meu, a puta da subjectividade. Noves fora, aprende a nadar companheiro.

O PS não é de confiança porque é um partido que, em última análise, é nihilista, como aquele rapaz no Big Lebowski - these men are nihilists, Donnie, they believe in nothing. É um partido que foi sugando o território ideológico do PSD e consequentemente o seu eleitorado mais forte que é a classe média que não passou a sua juventude a ler filosofia francesa e não andou estes anos todos enganada com as patranhas de um socialismo que já teve tantas mudanças de narrativa como os Morangos com Açúcar.


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publicado por jorge c. às 13:57
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Domingo, 27 de Março de 2011
They are back

Um dos meus blogs preferidos está de volta após ausência prolongada sem o tom trágico daquela forma muito pudica de revelar doenças em horário nobre. O Sinusite Crónica conta com alguns dos meus bloggers de eleição nessa modalidade ancestral que é escrever bem sobre a o quotidiano. Cada um a seu jeito. Sejam tão bem-vindos de novo!


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publicado por jorge c. às 17:46
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Sábado, 26 de Março de 2011
Here comes your PREC

Aquilo que se tem passado na Assembleia da República nos últimos dias é pura e simplesmente violência democrática. Espero que os eleitores percebam isso nas próximas eleições. Lamento muito dizer isto, mas espero mesmo.



publicado por jorge c. às 15:59
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Separando a erva dos relvados

A memória é algo que influencia inevitavelmente a nossa percepção das coisas futuras. Qualquer episódio é por nós devidamente filtrado e inserido num de dois baús de recordações: o das boas e o das más. Não há meios termos. Ninguém se lembra de ter um dia mais ou menos, ou de ter conhecido uma pessoa assim-assim. É por isso que nos iludimos ou desiludimos. A coisa futura é sempre uma lotaria, como se diz na gíria das gírias. Mas há coisas futuras que não enganam, entrando novamente no universo das gírias, como o algodão.

Mas, antes de entrarmos na coisa futura, pensemos na coisa passada. Há episódios que nos ficam gravados, marcados como ferros em brasa no lombo das vaquinhas para atestar a propriedade do ganadeiro. E a memória é uma coisa marota que anda por aí a pairar como o terror na arte de Stephen King, sem aparecer, só lhe sentimos o cheiro, uma presença ténue mas perturbante. Este episódio de que vos falo começa logo por ter essa relação com o universo artístico, com o transcendente - o episódio é Paulo Futre.

Leva-nos a recordação a um relvado longo e plano. Sentimos-lhe o cheiro húmido e a textura escorregadia porque é nos joelhos do nosso heróis que parecem cabeças de ET's que vamos percorrer a mais eterna das distâncias. Há nesta primeira fase do episódio um tom poético que reconhecemos de qualquer lado, mas não seremos tão óbvios como a relação imediata com Wordsworth e um batido esplendor na relva. Há algo mais natural, mais orgânico. É então que sentimos o vento nos dedos e sabemos que quando este pequeno génio desliza na superfície tudo aquilo é um longo poema de Whitman. Essa memória longínqua não nos desilude porque a poética do velho Walt volta anos mais tarde na sua forma única de galvanizar os povos. Em vez do povo americano temos agora o povo sportinguista. Há emoção nessa chamada. Sigam-me, pois este é o Projecto. Não há desilusão. Há um regresso ao que antes foi vivido com outros gestos sublimes, agora substituídos por uma esperança eloquente.

Mas o episódio Futre não teria a mesma magnitude se não fosse a influência patente de uma ciência que reconhecemos do Dr. Leary. Futre é a experiência que deu resultado e que nos demonstra que estamos errados na relação com o desconhecido. Daí que o seu entusiasmo seja aquele com que Kerouac partiu, observou e partilhou numa euforia que só os tontos podem condenar.

Contudo, uma linguagem que se poderá considerar meramente lírica nasce para uma actualidade que nos assalta os nervos com uma solução. Este é o momento do triunfo da literatura sobre as coisas da economia e da política, uma sempre primeiro do que a outra para provar a grandeza deste triunfo. Não ficamos pela inovação sintática da sua explosão poética, vejamos para além. Vai vir charters. Pois virão. Cheios de gente que abrirá os olhos dos que atrapalharam o progresso que nos colocaria em totais condições de receber quem vai vir. Eles próprios, portanto. É a mais plena das lógicas num povo sem rumo que só um episódio que todo ele é literatura pode galvanizar. Não, meus queridos, não é uma mensagem fechada a um grupo específico. É o mais belo dos despertares da civilização. O Projecto é, todo ele, a Solução. E só podemos perceber isto quando acreditamos. Bem-vinda a nova evangelização que nasceu nos prados, ou, neste caso, nos relvados.



publicado por jorge c. às 00:02
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Quinta-feira, 24 de Março de 2011
Obrigado, Futre!

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publicado por jorge c. às 23:22
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do porto, com carinho

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publicado por jorge c. às 21:33
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A confiança em nós próprios

Sobre o despropósito de uma crise política neste preciso momento já citei o artigo de Pedro Santos Guerreiro há uns posts atrás. Julgo que não será necessário dizer mais nada. De leitura obrigatória será também este excelente post do Paulo Pinto - uma análise lúcida e equilibrada como pouco ou nada se tem visto. Pouco mais há a dizer, também.

É verdade que este assunto agora passará apenas para os compêndios da História ou para os arquivos dos mais combativos como argumentário de arremesso. O que importa agora são as eleições, a campanha, enfim... está-se mesmo a ver o filme. Não nos bastava já o risco de agravamento da situação económica do país, ainda vamos ter de assistir a uma trágica guerra civil entre as tropas sedentas de sangue - uma guerra civil larvar, como um dia ouvi Irene Pimentel dizer.

Contudo, não posso deixar de relevar o que aconteceu ontem, no sentido do que significa para a nossa democracia. Guerras à parte, uma crise política não pode ser inevitável quando se está no momento fundamental para restabelecer a confiança do exterior no país. Dê por onde der, o país tem de saber unir esforços mesmo com uma governação de que não gosta. O que é também muito relativo, visto que este foi o Governo eleito há um ano e meio. Mas, já lá vamos. Importa primeiro perceber que o problema da crise portuguesa é hoje um problema da confiança dos nossos credores na nossa capacidade enquanto devedores. A confluência de esforços é, nesse sentido, fundamental. Não pode o Governo ignorar as instituições representativas dos portugueses, nem o Parlamento confundir um instrumento crucial de restauração de confiança com uma moção de censura.

O Governo é eleito para tomar as decisões que achar convenientes para a prossecução do interesse nacional. O Plano de Estabilidade e Crescimento não é passível de ser votado na AR, é um compromisso que temos com a UE e cabe ao Governo tomar as medidas que achar adequadas à sua concretização. Foi este o Governo que elegemos para tal quando todos já sabíamos que estávamos perante uma crise grave.

É certo que nem só de actos eleitorais se faz a democracia. Mas, num momento tão delicado como é este que vivemos, valores mais altos se levantam, dir-se-ia.

O que aconteceu ontem foi um total desrespeito pelos resultados eleitorais, pela vontade soberana do Povo. O que aconteceu ontem foi confundir a vontade de mandar Sócrates embora com a necessidade de mostrar coesão nacional em nosso próprio benefício. Estamos agora mais perto de nos tornarmos um império de ressentidos, abertos cada vez mais à demagogia que nasce nas ruas com a irresponsabilidade de quem não compreende as regras do jogo nem quer compreender; de quem não se esforça nem admite que os outros o façam. Este foi só o primeiro passo para afundarmos a confiança em nós próprios.



publicado por jorge c. às 10:51
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Quarta-feira, 23 de Março de 2011
Hélas!


publicado por jorge c. às 20:03
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Terça-feira, 22 de Março de 2011
No fundo, é isto

Estas eleições são um crime porque acontecem no pior dia possível, ameaçando o sucesso da própria cimeira do euro que nos ia acudir. Estas eleições são um crime porque Portugal tem até Junho dez mil milhões de euros para pedir emprestados, porque a banca está em stress, porque as empresas públicas estão a ficar sem dinheiro. Estas eleições são um crime porque vão produzir meses de foguetório político para eventualmente chegar a minorias e inviabilidade negocial entre PS e PSD. Estas eleições são um crime porque são contra o interesse nacional, contra os portugueses, contra a sensatez. Se é crime, há culpado e não é preciso jogar Cluedo: Sócrates foi o primeiro responsável por esta crise política, como admitiu ontem Luís Amado, fosse por calculismo político ou por cegueira não ensaiada. Passos Coelho podia ter evitado a crise, se engolisse outro elefante, e pode mesmo perder nestas eleições o que ganharia noutras daqui a mais tempo. Ou seja: depois da ajuda externa que ainda não chegou mas já partiu.

 

Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios



publicado por jorge c. às 23:39
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uma memória por pacheco - a mais bela história do universo


publicado por jorge c. às 23:01
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Conversa de saco

Ontem, o ministro Jorge Lacão veio fazer um número à volta de uma declaração do PSD em estrangeiro. Mas PPC nem esteve mal de todo na resposta. Pelo menos pensou o mesmo que eu, que já não é mau. Lacão acha que os portugueses não raciocinam. Tanta coisa a defender que não existe facilitismo na educação para depois subestimar o raciocínio do comum dos cidadãos, como diria o Prof. Cavaco Silva, o nosso Presidente.

O Dr. Lacão, como muita gente à volta do PS, tenta passar a ideia de que o PSD se mostrou disponível para viabilizar o PEC e agora quer cortar as pernas e faltar à palavra provocando uma crise política. Dito assim até parece verdade. Esta coisa da comunicação tem a sua piada. Não é que a postura do PSD seja a melhor de sempre, mas o PS anda a ver se sacode a água do pacote. Não é brejeirice minha, é economia política.

O PSD mostrou-se disponível para viabilizar o PEC, verdade. O Governo antecipou a apresentação de um pacote às instituições europeias sem consultar a AR ou o PR, ou seja, os órgãos de representação popular, verdade. As instituições europeias dizem que o acordo é irrevogável porque o Governo se comprometeu, verdade. A proposta importa um conjunto de medidas que não foram discutidas entre os partidos, verdade. O PSD afirmou que não aprovaria o PEC nestas condições, verdade. O PSD criou uma crise política, como diz aqui o João Galamba? Mentira. O PSD ajudou a criar uma crise política porque o Governo não é o país, como já foi aqui dito. O Governo representa o país e não se pode comprometer lá fora com algo que tem de justificar cá dentro. A sua posição política é demasiado frágil para andar feito dona de casa desesperada.

Além de que esta conversa do "quem provocou a crise política" já enjoa. Em última análise a responsabilidade é sempre do Governo que é quem - ora bem! - governa.

Neste momento resta uma hipótese a José Sócrates que é apresentar uma moção de confiança. As relações institucionais estão completamente destroçadas. Muito disso se deve ao discurso combativo do PS durante os últimos 5 anos, "todos contra nós". Não perceber que pior do que uma crise financeira é uma sociedade desagregada é também não compreender a estrutura e a forma da democracia. É preciso restaurar a confiança, o respeito e a coesão institucional. Não quero com isto dizer que o PSD o vá conseguir, mas que pelo menos o PS devia tentar recuperá-lo. Ou então, seguir caminho, que se faz tarde.



publicado por jorge c. às 13:08
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Segunda-feira, 21 de Março de 2011
primavera dos destroços

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publicado por jorge c. às 19:45
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Sol Poente

Quando o primeiro sol da Primavera se põe por detrás dos prédio que ocupam agora o minifúndio que separava a parte mais pobre da parte mais burguesa da vila que agora é cidade, a luz reflecte-se nas janelas e dá-se uma preguiça longa que nos faz descansar de uma tarde de discussões e insultos. O Zé Moreira diz sempre que aquilo parece um projector para o cenário. E a verdade é que ali, à boca de cena, inventaram-se histórias, fez-se música e poesia e teatro, discutiu-se o futuro da nação, escreveram-se compêndios de sebentas e até mesmo livros, pela pena do Prof. Baptista Machado, que viriam mais tarde a servir de apoio ao pensamento jurídico deste que vos escreve. Namorou-se muito e desfez-se muita coisa, também. Lugar de encontros e desencontro; de velhos, novos, ricos, pobres, mal afamados e aprumadinhos. O mesmo lugar onde há cerca de 40 anos uma mulher entrou sozinha pela primeira vez e isso foi motivo de surpresa, e onde agora três mulheres e apenas um homem assumem o volante com a destreza da longevidade. É lá que o café sabe melhor e os finos sabem a mel em tardes soalheiras como a de hoje, mesmo estando eu tão longe. É lá que a moedinha rola depois do almoço, na mesma mesa onde, mais tarde, a rapaziada veterana se junta para reviver o passado numa rede comprida: serviço, recepção, passe e ataque na saída. Ponto. AASM Académica. Quase que se ouviam os gritos a 700 metros, pela avenida onde passei os melhores anos da minha vida, de uma esquina à outra, do pinguinho à 1920. 20 anos de dedicação a um café que, como diz o Steiner, é a característica fundamental de uma Europa que se calhar já não existe; uma Europa de cafés e tertúlias prolongadas pelo calor da discussão. Sem merdas, que ali não há tempo para psicanálise.

 

 

 

à memória do Sr. Tiago e ao Sr. Gil

à D. Maria, à Manela, ao Gil e à Paula

aos amigos



publicado por jorge c. às 17:24
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Notinha

 

Estou a ler Última Paragem, Massamá, do Pedro Vieira. Ainda só vou no 6º Capítulo e já acredito que isto das gerações é bem possível, pelo menos em referências e percepções. Qual Bret Easton Ellis, qual quê! Vieira is the real sugar!



publicado por jorge c. às 15:57
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Tempo e espaço

A democracia é uma coisa muito sobrevalorizada. Eu explico. Há ainda muita gente que acredita que o facto de viver numa democracia vai fazer com que aconteça magia e tudo acaba bem para o nosso lado. Acontece que uma democracia sugere não uma unanimidade de intenções, mas antes uma pluralidade e diversidade de vontades. Foi por isso que no Egipto se votou num sentido que não agradou muito aos milhares de manifestantes de Tahrir e beneficia os dois principais partidos da - até agora - oposição. E isto não é bom, poder escolher que sim ou que não sem a intervenção de terceiros? Qual é a dificuldade em aceitar as regras do jogo?

Menos sorte tem a Líbia que vive entre as loucuras de um ditador e a indecisão da comunidade internacional, sem grandes expectativas. É certo que a intervenção não deve ser precipitada, mas nem tanto ao mar, nem tanto à terra, como se diz por aí.

A intervenção na Líbia, ao contrário do Egipto, é exigível porque, grosso modo, está para além das possibilidades das populações assegurar a sua própria segurança. Trata-se, portanto, de uma questão de direitos universais. Não é tanto de definir quem é mau ou quem é bom. Esse é um dogma que a Declaração Universal já superou há algum tempo.

Por outro lado, uma intervenção demasiado morosa pode ter efeitos contrários ao que é objectivamente pretendido. É certo que decidir intervir noutro Estado é uma questão muito delicada e que envolve uma avaliação rigorosa da legitimidade internacional. Mas foi precisamente há um mês atrás que Khadafi começou a disparar contra os líbios, se bem se lembram. Um mês. Não são 4 ou 5 dias em que seria compreensível uma indecisão. Um mês de conversa fiada e uma decisão pela No-Fly Zone demasiado tardia. Agora, esta intervenção militar parece desproporcional.



publicado por jorge c. às 12:38
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