Sábado, 28 de Abril de 2012
A Origem da Tragédia

Não obstante a minha necessidade de expressar opiniões sobre a dinâmica política, e porque sou um génio da circunstância vs. cultura, irei ocupar-me, nos próximos tempos, de uma doutrina sobre o Rock'n'Roll. Tratá-lo-ei como um afecto, expondo defeitos e virtudes mas, sempre com o amor que dedicamos aos amigos. Sobretudo isso: dedicação.

São hoje, já, cerca de 25 anos de percepção do Rock. Porém, não é a natureza da minha paixão que deverá importar neste formato mas, sim, a qualidade de um empirismo feito de consciência crítica, nascida de percepções inequivocamente condicionadas.

Poderia começar pela clara diferença entre o Rock americano e o Rock britânico. Porém, seria injusto, pois que o Rock britânico, para além da sua inetvitável natureza tradicional, conheceu origem na música tradicional americana. Uma pescada de rabo na boca? Talvez. Mas se é nos Beatles e nos Stones que ela se torna inquestionável (sem cronologia), a dúvida perde qualquer significado. A multiculturalidade da natureza americana fez o Rock'n'Roll.

Tamanha cultura multicultural acaba exposta, a meu ver, numa banda: Queens Of The Stone Age. É disto que irei, fundamentalmente, falar nos próximos tempos: a mais imperfeita e fundamental banda do Rock Contemporâneo.



publicado por jorge c. às 03:28
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
Um breve apontamento

Chovia muito na Avenida. Foi um 25 de Abril tristonho, pouco festivo. Celebrar o 25 de Abril deveria ser um momento sempre alegre, porque é celebrar a nossa liberdade - individual e colectiva - e a construção participada de um país com qualidade de vida.

Porém, com um governo de direita é natural que o discurso na Avenida seja outro. Os princípios definidores de uma democracia são preteridos, dando lugar a reivindicações mais pontuais. Isto afasta a possibilidade de uma celebração mais ampla e de unidade nacional, da esquerda à direita. O país mudou e o 25 de Abril pode ser, hoje, um marco da constante transformação da sociedade. Nunca houve tanta informação disponível e tanto acesso às oportunidades. Ainda assim, o dia da revolução está refém de ideias estanques.

Com os números do desemprego num nível assustador, não me deixo de espantar com a quantidade de oportunidades que vão surgindo todos os dias. As empresas adoptaram um discurso pedagógico pré-candidatura, disponibilizando perfis, competências exigidas e programas de recrutamento. A linguagem dos recursos humanos é muito mais ampla do que restritiva. As Universidades promovem eventos e fóruns de empregabilidade e empreendedorismo que motivam os estudantes para um mundo diferente daquele que se vê todos os dias nos órgãos de comunicação. 

Quero com isto dizer que a Democracia permite acção. O que o poder político muitas vezes não entende é que essa acção deve ser apoiada. Se as empresas estão com uma dinâmica contra-cíclica, então será importante impulsionar esse movimento. Se a sociedade civil actua em determinada área social, preenchendo uma lacuna, então o Estado tem de encontrar linhas de convergência e não o conflito. É por isso que saio à rua no 25 de Abril. Porque a democracia vive para além de 74. E tem de continuar a viver.



publicado por jorge c. às 13:18
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012
Os Donos de Portugal

Na última entrevista que deu à RTP, a certa altura, Melo Antunes fala do Dr. Soares e relativiza o seu papel na Revolução. Melo Antunes foi o único homem sensato que alguma vez vi a falar do 25 de Abril e, fundamentalmente, da Democracia a partir do 25 de Abril. Já o Dr. Soares gostou sempre de vir de cabeça de fora no comboio, como as crianças nos carros, a chamar à atenção. A mitomania do Dr. Soares faz dele uma personagem caricata. Não quero aqui retirar-lhe as virtudes políticas que serão, certamente, mais do que muitas. Porém, ao longo da sua vida, o Dr. Soares foi criando realidades paralelas. Os Soaristas, em nome do ideal social-democrata, nunca o interromperam. Nunca se interrompe o arauto, pois que é ele que leva a chama. Mesmo que ele esteja a dizer um enorme disparate. O disparate maior foi sempre o sentimento de detenção da Revolução. Afinal, a revolução é do Povo ou é da Esquerda?

Desta vez, o Dr. Soares achou que deveria ficar solidário com a Associação 25 de Abril. Nada contra. Mas, fará sentido? Segundo podemos perceber das palavras de Vasco Lourenço, o problema dos militares de Abril é a Troika e aquilo que para eles é um ataque à soberania nacional. Não vou agora tecer comentários sobre como é extraordinário ver pessoas que comungaram da Internacional Socialista defenderem a Soberania Nacional. Adiante.

Ora, sendo uma parte significativa da não participação da Associação 25 de Abril nas comemorações oficiais do 25 de Abril a dinâmica político-económica em que Portugal está envolvido, não me parece que nem o PS e muito menos o Dr. Soares estejam fora desta crítica. Senão, vejam bem, com olhos de ver, este link que vos deixo. É de uma pessoa ficar espantada com a tamanha lata. Ou não.

É que o grande pretexto para este discurso é a posse da revolução. Parece que se torna insuportável que a democracia aceite um governo que não segue as políticas que nós queremos. Mesmo tendo agido este legitimamente e não havendo, até à data, sinais de uma ruptura com o cânone democrático instituído pela Constituição da República Portuguesa. É que a Associação 25 de Abril não representa nem a CRP, nem o Povo português mas, antes, representa-se a si própria.

A decisão de Mário Soares torna-se, assim, incompreensível. Até porque o próprio já esteve numa situação semelhante, noutras circunstâncias, e ficou, igualmente, refém do apoio externo. Soares mostra que, acima de tudo, não tem qualquer respeito pela democracia, que não a compreende e que não percebe que esta não tem uma ideologia fixa. Ficará para sempre ligado a uma corrente de detentores da democracia. Esses sim, os donos de Portugal.



publicado por jorge c. às 11:25
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Sábado, 21 de Abril de 2012
A infantilização dos movimentos sociais - o caso da Fontinha

A indignação tem a perna curta. Entre outras coisas, a democracia vive, essencialmente, de debate e decisões. Nada se faz, em política, sem debate e decisões. Podemos admitir que há boas e más decisões, mas se estas foram tomadas a partir do debate, então devemos ser mais lúcidos e aceitar as regras do debate. As eleições são o corolário do debate. Uma sociedade democrática vive desta dinâmica. É claro que aceitar as regras do debate não significa deixar de debater. Mas, a indignação raramente está no factor nuclear da discussão e sempre num universo paralelo dominado por emoções e subjectividade.

Vem isto a propósito da polémica mais recente no Porto, da escola da Fontinha. Até há um mês atrás, ninguém fazia ideia do que era a escola da Fontinha. Até há um mês atrás, 99,9% dos portugueses não fazia ideia, sequer, onde ficava o bairro da Fontinha. Portuenses inclusive. Mais: morei no Porto 20 anos, trabalhei no sector cultural e fui freguês de muitos equipamentos. Durante anos, a sociedade civil portuense não fez um caralho - zero, nicles batatóides, rien de rien - por qualquer coisa que fosse. O Porto foi, durante um período longo, uma cidade culturalmente falida e sem mobilização social. No dia em que a Câmara Municipal do Porto resolveu fechar a torneira, a indignação saiu à rua. Como em tudo, há os que gritam e há os que aproveitam a oportunidade para fazer acontecer. Muita gente fez acontecer e o Porto é, hoje, uma cidade diferente do que era em 1997, por exemplo.

Não conheço os pormenores do caso da Fontinha. Acompanhei, pouco, através do Porto24. E tive o cuidado de ler o comunicado da CMP. Todos os movimentos sociais são louváveis. Mas para que estes movimentos possam actuar sobre bens sujeitos a um conjunto de regras, nomeadamente bens patrimoniais (móveis ou imóveis), é necessário que se constituam numa figura com personalidade e legitimidade jurídica, de forma a que, como qualquer outra pessoa singular ou colectiva se sujeite às mais elementares regras democráticas, para sua própria segurança e para segurança de todos nós. Nenhuma sociedade democrática (seja ela vista da perspectiva que for) vive apenas de direitos. Quem achar o contrário tem um problema com o sistema, em si, e não com uma ou outra regra em particular. A sua discussão, então, é outra. 

Posto isto, e ainda que tendo feito cumprir a lei (e muito bem) a CMP não pode ignorar as consequências de um trabalho que redesenha uma realidade social e que tem o apoio de uma comunidade inteira. Não estando esta comunidade representada por uma figura oficial, deve, então, a CMP ser a representante dessa comunidade e tentar perceber como é que se passa a um patamar de cooperação. Alegar que há "um projecto" em vista, é ignorar e violentar a iniciativa popular. Esta intransigência de Rui Rio faz dele um autarca menor do que aquilo que poderia ser. O Presidente da CMP não sabe dialogar, debater e cooperar. Para além do já conhecido vaidosismo dos autarcas portugueses, que gostam de ser sempre eles os protagonistas, Rui Rio é intransigente e isso pode prejudicar a harmonia social e o consequente desenvolvimento local.

Esta intransigência parece que é um vírus. O movimento ES.Col.A achou que não tinha nada que negociar nada, nem de ceder a nada e, como estavam a fazer o bem, tudo lhes era permitido. Curiosamente, Breivik ainda pensa assim. Seja no homicídio, no roubo, na fraude, na apropriação indevida, no testamento ou nos contratos de trabalho, a lei existe para que nos possamos proteger de eventuais abusos de direito. Ao ignorar a lei, o movimento ES.Col.A desprotegeu-se e perdeu toda a legitimidade para reivindicar o que quer que fosse.

Há, nesta história, várias pontas por onde pegar. São problemas de harmonia social que, numa altura de crise económica e social, disparam. As emoções tomam conta do discernimento e uns passam logo a extrema esquerda e outros a fascista. Uns antes de reivindicar e discutir já estão de pedra na mão e os outros de cacetete. Tudo isto é lamentável e um sinal claro de que ninguém se quer entender. Cambada de gente mimada.



publicado por jorge c. às 10:52
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Terça-feira, 10 de Abril de 2012
É a cultura, estúpido, a cultura da economia

O problema fundamental deste Governo, e já aqui o disse diversas vezes, é a falta de cultura. Mesmo dentro da inexperiência, a cultura (seja de mercado, seja social, política, democrática) ajuda a que as decisões sejam tomadas dentro daquilo que é a sensatez e a harmonia social. Numa democracia, digo. Numa democracia, a cultura política é fundamental.

Quando olhamos para a proposta de alteração do Código Laboral e vemos que uma das ideias peregrinas é retirar a indemnização por despedimento aos contratados a termo certo e a necessidade de aviso prévio, percebemos o nível de desconhecimento que este Governo tem da forma como funciona o mercado de trabalho em Portugal.

Dito de outra forma, existe hoje uma opinião generalizada - e, a meu ver, correcta - que a classe empresarial portuguesa sofreu durante décadas de bastantes fragilidades. Como em tudo, as coisas evoluem. Mas, tendo em conta que o tecido empresarial português se faz, sobretudo, de pequenas e médias empresas, é de crer que a cultura de melhores práticas a nível de recursos humanos não seja das mais evoluídas. Quer isto dizer que a probilidade de criar um sentimento geral de precariedade nos contratos a termo é bastante elevada.

Para que um trabalhador consiga gerir a sua vida profissional e tenha noção da sua continuidade numa empresa, é necessário que as chefias e os recursos humanos desenvolvam uma política de acompanhamento forte e consistente do seu desempenho; é necessário que haja vontade de melhorar as fragilidades e competências do trabalhador. Se isto não acontece, deixamos o trabalhador desamparado e incorre-se num enorme risco de injustiça laboral.

Posto isto, retirar a indemnização e a necessidade de aviso prévio, ao mesmo tempo, é uma proposta desadequada e insensata. Poder-se-ia optar pela manutenção da indemnização em caso de não existir aviso prévio. Prefere-se, contudo, arriscar a porta aberta ao despedimento e ao aumento de contratos desta natureza pela facilidade com que podem ser terminados.

O sentimento generalizado de precariedade em contratos a termo certo não é benéfico para as empresas, visto que aumenta a insegurança no trabalhador e pode ser contraproducente, no sentido em que o desempenho, o comprometimento e o cumprimento de objectivos podem estar sob ameaça. É natural que assim seja. A função da lei é prever que o empregador pode não estar de boa-fé e, portanto, zelar pelo interesse geral. Com uma taxa de desemprego nos 15%, parece-me óbvio que o interesse geral é combater o desemprego e não alimentá-lo.

É um tema delicado, é certo. Há reformas que têm de ser feitas. Mas, para isso, é preciso cultura.


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publicado por jorge c. às 12:48
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Terça-feira, 3 de Abril de 2012
"we need a little controversy, 'cause it feels so empty without me"

Não sei o que terá passado pela cabeça criativa do departamento de marketing e comunicação da Música no Coração para ter esta ideia peregrina. "Ah, afinal era só uma brincadeira do 1 de Abril".

Uma empresa não pode apresentar um produto, sabendo que não o tem, e vir depois dizer que foi uma brincadeira. As empresas não brincam ao 1 de Abril. Até no mundo das notícias, a brincadeira do Dia das Mentiras pode sair cara. Numa empresa nem sequer deve ser uma opção. No entanto, houve ali um génio qualquer que achou que ninguém levava a mal. Acontece que, quando um produto está a venda, corre-se o risco que seja comprado. O convite a contratar e a aceitação reúnem-se no mesmo momento, pelo que se torna imperativo que toda a informação sobre o produto seja objectiva e - veja-se lá bem - verdadeira.

Todo este episódio é de uma monumental imbecilidade. Uma estupidez tão grande, tão grande, que merece um castigo severo. O bom da lei é que ela é, grande parte das vezes, anti-estúpidos. E, portanto, seria aconselhável que aqueles que foram defraudados levassem este caso até às últimas instâncias não deixando a sua pretensão pela simples devolução do dinheiro. As empresas têm de aprender a respeitar os seus stakeholders. Isto é válido para a própria TMN que, a esta hora, já devia ter tomado uma posição, se já não tomou.

Mas, o maravilhoso em tudo isto é o artista escolhido. Eminem é um artista que ataca a falta de consciência crítica. A falta de cultura que advém desta macacada é tal, que os seus autores acabaram por praticar, inconscientemente, o comportamento que o próprio Eminem condena, muitas vezes. Oh, a suprema ironia!

Quem se deve estar a rir disto tudo, agora, é Álvaro Covões. Mas, o que agora sabia bem, era ouvir isto:

 

 

 

Adenda: Uma forma original e não fraudulenta de fazer as coisas, no Dinheiro Vivo.



publicado por jorge c. às 00:20
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