Quarta-feira, 19 de Maio de 2010
Todos temos soluções

Nos últimos dias, e julgo que a propósito das medidas de austeridade, Pedro Correia tem sugerido um conjunto de medidas para combater a crise. Não querendo ser de todo indelicado, parece-me que o que o Pedro está a fazer é um exercício de demagogia, muito à custa da inutilidade actual do que propõe. Repare-se na questão da redução de deputados. Será que o número de deputados é assim tão despropositado? Eu julgo que não.

O problema do Parlamento é um problema qualitativo e não quantitativo. Lembro-me, por exemplo, de Inês de Medeiros (parece perseguição, mas não é) que quando entrou fez um discurso muito lindo sobre cultura, para depois integrar comissões que estão fora desse âmbito. Se formos a ver o seu currículo não se encontra outra área para a qual tenha competência ou qualificação. E será a cultura um assunto lateral? Não, muito pelo contrário. Parece-me ser, até, um elemento fundamental para a sustentabilidade comunitária. Por isso, é o lugar da deputada que está mal ocupado.

Quando olho para deputados como Arnaut, Candal e por aí fora, também me questiono acerca da existência do seu lugar. Mas, quando penso na quantidade de matérias em que é preciso trabalhar todos os dias para solidificar uma comunidade, apercebo-me que são estas pessoas que devem ser postas em causa e não o seu lugar propriamente dito.

É claro que o Pedro apresenta um conjunto de outras soluções. Mas, nenhuma tem uma relevância directa no que respeita à situação económico-financeira imediata do país (talvez a extinção de ministérios, mas ainda assim tenho sérias dúvidas). São apenas questões a ter em conta de um modo geral, dada a sua (dos cargos ou instituições) irrelevância ou inutilidade. Apresentá-las como medidas urgentes parece-me algo despropositado.



publicado por jorge c. às 13:46
link do post | comentar | partilhar

5 comentários:
De Pedro Correia a 21 de Maio de 2010 às 22:51
Registo a elegância e sobretudo a oportunidade da crítica: na semana em que o Delito de Opinião distingue este mesmo blogue como Blogue da Semana, omite-se esse facto aqui mesmo enquanto se dispara contra o "exercício de demagogia" de um dos seus autores.
Notável. E por aqui me fico, que está na hora de ir tomar chá.


De jorge c. a 22 de Maio de 2010 às 03:34
Pedro Correia, o link que deixei neste post é para o Albergue Espanhol. Espero que tenha reparado nisso. Não me parece que a distinção feita pelo Delito de Opinião tenha algo que ver com esta situação. Até porque a agradeci no sítio devido, ou seja, no post do José Gomes André.
Lamento o despropósito do seu comentário e a falta de poder de encaixe perante um post singelo que tinha como único objectivo apontar uma crítica que, enquanto tal, acabou por ficar sem resposta. Não fiz nenhum ataque pessoal e não compreendo o tom, esse sim, deselegante do seu comentário. Nem tampouco acredito que alguém se possa levar tão a sério.


De Pedro Correia a 22 de Maio de 2010 às 11:32
Eu não me levo demasiado a sério. Mas levo a sério, isso sim, a cortesia dos outros - ou a falta dela. O texto a que faz referência, como bem sabe, foi publicado no Delito, blogue de que sou fundador e co-autor. Teria todo o gosto em debater ou rebater críticas suas em qualquer outra semana. Nesta não: limitei-me a registar a deselegância. Já diziam os antigos: quem não se sente...


De jorge c. a 22 de Maio de 2010 às 12:51
Volto a repetir que se o link está para o Albergue Espanhol é por algum motivo. Agora, se o Pedro acha que as pessoas, só porque são distinguidas por um blogue, não podem fazer críticas a autores desse blogue, então isso já é um problema de convivência democrática.
Não lhe faltei ao respeito, não lhe dirigi nenhum ataque pessoal e ainda fiz questão de garantir que não era minha intenção ser indelicado. O carácter do meu post é absolutamente político e nada pessoal. Quem não se sente com o debate político é um democrata e, certamente, filho de boa gente.
Não alimentarei mais esta discussão sem sentido algum.


De Inês Meneses a 25 de Maio de 2010 às 12:13
Acho fantástica esta ideia de que depois de alguém nos elogiar temos que concordar com esse alguém e quem o rodeia. É uma espécie de contrato, portanto. Falar em elegância quando se cobra uma concordância "a martelo" de alguém é lindíssimo. Ai, ai.


Comentar post

Um blog de:
Jorge Lopes de Carvalho mauscostumes@gmail.com
pesquisa
 
arquivos

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

tags

todas as tags

blogs SAPO
visitas
subscrever feeds