Sexta-feira, 28 de Maio de 2010
A decadência também é moderna

 

A temática pode chatear. Estamos a perder demasiado tempo a falar disto. Mas já vimos a força que a modernidade e o progresso têm num governo à deriva. Em poucos dias a histeria da aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo levou os activistas lgbt e alguns lóbistas a saírem pelos media fora e a acelerar o passo daquilo que para eles é o avanço da civilização e o renascer do homem novo. Nem os mais sensatos nesta questão, que costumam ser os calculistas de serviço - "uma coisa de cada vez que é assim que se faz real politik" -, escaparam ao histerismo progressista e fracturante. Encheram o peito com uma suposta vitória e acharam-se em condições de dominar o mundo.

 

 

Vejamos esta e esta notícia e mais este post do Vasco Barreto sobre uma declaração de Sérgio Vitorino.

 

Como podemos ver, na primeira notícia é perceptível o nível de desorientação civilizacional a que se chegou. Vale tudo. A alteração de nome anterior à mudança de sexo constitui um dos maiores atentados à diferenciação de género a que assistimos nos últimos tempos. Será lógico, sequer? É que nem cientificamente, nem moralmente e muito menos juridicamente. Não há aqui um fundinho de lógica. As consequências de uma tal alteração da lei são mais do que óbvias nos três campos de que falei.

 

A segunda notícia e as declarações de Sérgio Vitorino espelham um pouco aquela que é a mentalidade do activismo lgbt. Para além do lado provocatório, que é preferível ignorar para evitar argumentos que saiam de um espectro aceitável, temos também a tendência gradual das reivindicações. A forma como se propõe arrasar o entendimento geral de matrimónio com as suas responsabilidades, a sua perpetuidade tendencial, a sua natureza monogâmica, enfim, com todo o instituto é, agora, bastante evidente.

 

Esta ideia de derrubar esse instituto burguês que é o casamento fica, então, bem clara com a equiparação das Uniões de Facto ao Casamento (tema a que voltarei mais tarde). A prevalência dos direitos perante os deveres e a luta para que isso seja uma realidade denotam a inconsciência da reivindicação e o - esse sim - burguesismo da mesma. Para além de se ignorar o direito e a sua natureza, ignoram-se também as consequências sociais relativamente à auto e hetero-responsabilidade em nome de um fanatismo relativista que convenceu um homem sem qualidades.



publicado por jorge c. às 10:13
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