Segunda-feira, 7 de Junho de 2010
A bem do Progresso: diabolizar!

Para defender o progresso, não se sabendo ao certo o que isso significa, a esquerda utiliza uma táctica política de rua muito eficaz: a diabolização. Ao longo dos anos essa táctica vai-se tornando cada vez mais perfeita e enraizada nessa particular mentalidade do "ser de esquerda". É uma espécie de teoria da conspiração típica das extremas, mas mais sofisticada. Um jornalista, um colunista, um artista, um político, ao assumirem-se como de direita, em Portugal, poderão estar a pôr o seu bom nome em causa. Ser de direita corresponderá automaticamente a ser nojento, um pulha, um canalha, etc, etc. A não ser que se seja a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da interrupção voluntária da gravidez, da eutanásia, da adopção por casais homossexuais e utilizador frequente de palavrões (eu sou, estou safo). Ou seja, para a esquerda moderna, próxima do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda, ou entre os dois, uma boa pessoa de direita é uma pessoa de esquerda.

As principais vítimas desta maldição nos últimos tempos foram Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite. Ninguém lhes tirou o rótulo de conservadores monstruosos que queriam fechar o país dentro da Santa Madre Igreja e queimar o resto das pessoas. Disseram-se coisas inenarráveis, truncaram-se afirmações, insultou-se, criaram-se boatos de bastidores e especulou-se (tipo agências de rating) sobre hipotéticas más intenções. Enfim, diabolizou-se de tal forma a imagem destas pessoas que, a certa altura, até parecia real. Não acredito que alguém num estado de lucidez razoável fique convencido disso. A verdade é que não parece haver um estado de lucidez razoável nestas coisas. Se por um lado temos a geração castrada de Abril sempre à procura da igualdade absoluta entre homens e minhocas, reivindicadora dos direitos das sereias, por outro temos a esquerda mais moderna que pretende proceder a uma alteração estratégica das elites e a quem convém mudar o sentido da opinião pública (em abstracto).

Acontece que essa diabolização não tem correspondência na realidade. A direita portuguesa é uma direita social. Não tem qualquer comparação com movimentos políticos extremados. Mesmo a direita católica é bastante moderada, tendo ainda em conta que nos últimos 30 anos aguentou com "os beatos", a "padralhada", entre muitos outros epítetos simpáticos que, como bons cristãos, devem aceitar sem piar. Há uma espécie de Verdade à esquerda, um dogma anti-religioso e politicamente preconceituoso.

O que não se compreende, e chega mesmo a ser paradoxal, é como é que a esquerda defensora de Abril não aceita uma ideologia política contrária e como é que à falta de melhor confrontação ideológica recorre à banalidade da diabolização, ao insulto e aos atentados fictícios de carácter. Começa a ser preocupante e deixa de ser apenas patético.



publicado por jorge c. às 12:13
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5 comentários:
De Fernando M. a 7 de Junho de 2010 às 15:11
Ao que parece, e pelo que tenho lido, o Marxismo está em alta devido à actual crise económica internacional. Karl Marx a bombar! No entanto, as pessoas que leram “O Manifesto Comunista” e os freaks que andam com t-shirts do Marx (não, o das barbas) não fazem a mais pequena ideia de que foi escrito por dois jovens que nunca tinham trabalhado um dia sequer das suas vidas, mas que não obstante falam em nome dos “trabalhadores”.

Abraço, amigo Jorge.


De Pão Metálico a 7 de Junho de 2010 às 15:32
O problema é o mesmo que aflige a comunidade motard. Um punhado de idiotas dá má fama à rapaziada.

Na esquerda, não. Nem sabem andar de mota.

Post Scriptum: Tenho mais uma cadela. Foi abandonada no Domingo passado. Chama-se
Frederica Alexandra Carolina Maria Carlota Luísa.
Mas tu já sabias que a minha bandeira era azul e branca.


De Pão Metálico a 7 de Junho de 2010 às 15:34
Esqueci-me de informar que, como és da casa, podes-lhe chamar Dicas.


De jorge c. a 7 de Junho de 2010 às 19:46
Mas apanhaste-a na rua, outra vez? A tua mulher qualquer dia põe-te fora de casa. Quantos é que são agora, 11?


De Pão Metálico a 7 de Junho de 2010 às 20:17
Claro que a apanhei na rua. Em frente à minha porta. Porque é que julgas que casei com a Ana?
São 9, porque infelizmente dois estão a fazer um soninho muito grande. Mas estão bem.

A Dicas já me roeu uma colcha. Mas nunca proporia que os cachorros dela saltassem da ração para os ossos (10º ano de escolaridade canina) sem a frequência das aulas, neste caso um ano na rua a cravar os vizinhos.


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