Quinta-feira, 8 de Julho de 2010
Regionalização - para início de conversa

Por que se fala de regionalização?

Apesar de parecer de fácil resposta, a questão traz mais implicações que o tradicional romantismo político de descentralização. Sendo que falamos de Portugal, há várias coisas a ter em conta: a necessidade, as pessoas, o timing, a organização.

O tema começa sempre pelo regionalismo bacoco, pela rivalidade e pelo sentimento de inferioridade. É inevitável começar mal. A defesa da regionalização nunca foi sustentada pesando prós e contras, mas sim com matéria identitária e populista. Ora, como se pode defender em absoluto algo como a regionalização tendo em conta a qualidade dos nossos políticos no panorama partidário português, tanto na Assembleia da República como nas autarquias? Só a hipótese de caciquismo deixa logo muito que pensar. E se as pessoas nos deixam reticentes, imagine-se os meios, numa altura de profunda crise onde a má organização, o excesso burocrático, a saturação de funcionários públicos (lembremo-nos do recente congelamento e da eventual descida dos salários), a fiscalização e outros assuntos não são de ignorar.

É de notar também que o fim dos fundos comunitários apressa esta discussão e uma parte dos responsáveis até agora estará algo ansioso para lhe dar início. As regiões, vítimas de 30 anos de má política, estão a um passo de ficar sem a ajuda que, ainda assim, foi equilibrando as contas, não obstante os "projectos de interesse nacional" que levaram muito dinheiro que lhes estado destinado para Lisboa.

Estas questões não são, para já, argumentos contra ou a favor, mas sim tópicos de reflexão.



publicado por jorge c. às 10:20
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9 comentários:
De Filinto a 8 de Julho de 2010 às 11:54
Isto é um conjunto de argumentos pró-regionalização, sim senhor.


De jorge c. a 8 de Julho de 2010 às 12:02
Se estivermos todos de acordo em ter Fernando Ruas e companhia, sim.


De Filinto a 8 de Julho de 2010 às 12:04
Quantos ruas terás nas delegações regionais de - sei lá - Ambiente, por exemplo?


De jorge c. a 8 de Julho de 2010 às 12:08
Não podes colocar a questão dessa forma. Temos maus políticos. Isso é um facto, seja em que sector for.
Numa região mais pequena e com mais poder as consequências podem ser irreversíveis. Tendo em conta o período que estamos a atravessar seria muito mais complicado solucionar os problemas criados por esse caciquismo e falta de visão estratégica.


De Filinto a 8 de Julho de 2010 às 12:12
Tu é que colocaste, e eu dou-te razão. Não podes é julgar apenas os que têm visibilidade pública, porque esses, pelo menos, têm de se reger tendo em conta o princípio da fiscalização democrática. E o tamanho não importa: tenho dúvidas que o Corvo seja pior gerido que Lisboa.


De jorge c. a 8 de Julho de 2010 às 14:13
Estás a fazer rodriguinhos.
Em primeiro lugar, eu não posso dizer que como tenho maus políticos nas direcções regionais ou outros organismos, que se lixe. Suponho que nem tu queres dizer isso.
Em segundo lugar, quando falo em tamanho, falo como me parece óbvio no maior poder que muitos terão, sendo que o objecto de poder é muito menor. Era nesse tamanho que falava, comparando-o ao Estado central. É evidente que eu posso ter uma aldeia com 700 habitantes muito mais desenvolvida que uma cidade de 200 000 ou vice-versa.


De Filinto a 8 de Julho de 2010 às 23:44
Destroquei-te e falas em rodriguinhos? Não, tu dás razões a favor da regionalização mas preferes ser contra. É a tua cena, pronto.


De jorge c. a 9 de Julho de 2010 às 11:29
Eu apresento factos. E factos muito relevantes: no more guito from outtaspace.
Mas também deixo muitas desvantagens. O que eu digo, e se leres com atenção, é que temos de jogar bem com os factos na definição de prioridades. E os factos que dou tanto a favor como contra não pesam uns mais do que os outros. O teu wishful thinking é que os faz pesar. Isso é outra coisa.
A não ser que aches que sem fundos morremos todos.
Não me enerves! Tu não me enerves!


De joca a 9 de Julho de 2010 às 18:01
É só ver a polémica gerada à volta das SCUT´s e o puxa a brasa à minha sardinha que o meu concelho é mais pobre que o teu e perceber que este país não está preparado para a regionalização que (sendo bem estruturada e executada) merecia. Coisas do ainda nosso terceiro-mundismo e dos políticos que temos (e elegemos)...


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