Terça-feira, 13 de Julho de 2010
O que não faz sentido

Não se pode negar que vivemos num país de superficialidades - pequenas e grandes. Se das grandes superficialidades resultam consequências imediatas, muitas vezes irreversíveis, das pequenas podemos retirar exemplos fundamentais para diagnosticar, em abstracto, os erros que uma sociedade vai cometendo com a sua falta de consciência do passado, do presente e do futuro, ou seja, do devir.

Dentro dessas particularidades encontramos a formalidade. Este factor da vivência colectiva é, por norma, encarado de duas formas: uma negativa, em que o espírito serôdio de liberdade não encaixa com a regra e com o protocolo, e uma positiva, que vê na formalidade uma necessidade de rigor.

Igoremos a primeira que tem pouca expressão e que vigora apenas na mentalidade mais ingénua e irracional da vida numa sociedade dita civilizada. E por mera hipótese académica coloquemos Portugal nessa civilidade, sem rir. A segunda forma encontra tradicionalmente um despropósito por não corresponde às necessidades quotidianas que reflectem uma série de circunstâncias relevantes como o clima, o espaço e, acima de tudo, o tempo.

Trago à colação, para exemplificar, a indumentária da generalidade dos trabalhadores. Não é de todo aceitável que se continue a promover o uso de fato e gravata para a maioria das profissões num país com o clima de Portugal. É até, de certa forma, ridículo que, em pleno Verão, alguém circule pelas ruas vestido assim. E nem é o pretensiosismo individual que deve resolver esta questão, mas sim as instituições - sejam lojas, armazéns, distribuidoras, repartições públicas, etc. - que devem promover internamente uma indumentária mais leve e descontraida dentro das suas estruturas. A conversa do "contacto com o público" é, também ela, falaciosa. O que se coloca é a qualidade desse atendimento. O que se coloca é, de um modo geral, a qualidade do trabalho e o bem-estar de quem está a trabalhar de modo a que todos estejam harmonizados com a necessidade global.

Este factor de superficialidade, este comportamento irracional e dogmático menor, é um sinal evidente da desvaloriação da qualidade do trabalho em prol da aparência. Mais, trata-se de uma aparência saloia que, em muitos casos, acaba por ser contraproducente, visto que o desconforto é um péssimo cartão de visita, para quem o sente e para quem o vê.

 


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publicado por jorge c. às 00:35
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1 comentário:
De Pao Metálico a 13 de Julho de 2010 às 08:58
Concordo.

Hoje mesmo vou tosquiar os meus cães.

Obrigado.


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