Terça-feira, 6 de Abril de 2010
A grande ilusão

Diz-se que a necessidade aguça o engenho. Em Portugal aguça a ilusão. Qualquer coisa, aliás, aguça a ilusão em Portugal: uma moda qualquer, uma novidade... o progresso, meu Deus, o progresso!

Desta vez a crença está nas exportações. Há um grupo indefinido de cidadãos portugueses que está convencido que a solução é exportar. E de facto nós temos exportado imensa gente, pessoas, que infelizmente não têm o valor de mercado pretendido. Uma chatice, esta coisa dos Direitos Humanos. À quantidade de gente que sai estávamos ricos e a esta altura o país prosperava.

Porém, a realidade é outra e a pergunta que se deve fazer é: exportar o quê?

Há alguma coisa para exportar? Que condições têm as empresas para exportar? Se o grosso do tecido empresarial português são PME's não seria adequado certificar-mo-nos de que existe volume de negócio para isso, que existe capacidade de produção para isso? E com quem se vai competir, estarão as empresas portuguesas no mesmo pé de igualdade?

Um país trapalhão (desenrascado, como lhe chamam), sem cultura de exportação, a braços com uma tremenda falta de crescimento económico, que durante anos delapidou o seu património agrícola e cultural convencido de que era o progresso, um país onde existe cada vez menos solidariedade e noção de função social das empresas, um país destes quer ter ambição nas exportações? Há aqui qualquer coisa que não faz sentido.



publicado por jorge c. às 12:14
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4 comentários:
De NanBanJin a 6 de Abril de 2010 às 17:30
Ora aí está. Realmente, dizer mais? o quê?
Exportar... what?
Parece que tudo o que outrora o país fazia de bom e de exportável, hoje é "Made in China" ou "Made in elsewhere".

Meus cumprimentos, do Japão.
L.F.Afonso, NBJ, Kyushu


De drmaybe a 8 de Abril de 2010 às 09:39
segundo o Jaime Quesado é a NOVA COMPETITIVIDADE. segundo os Ladrões de Bicicletas é como tu dizes, exportar o quê e para quem...


De GRaNel a 8 de Abril de 2010 às 12:38
Tens razão no que dizes mas a solução para o nosso crescimento económico passa obrigatoriamente pela exportação.

Precisamos de ganhar competitividade e responder às necessidades dos mercados-alvo, sejam eles quais forem. Os países lusófonos (exceptue-se aqui o Brasil) são um bom principio e plataforma de teste para as empresas que se querem iniciar, por exemplo.


De jorge c. a 8 de Abril de 2010 às 13:46
Trata-se de saber se aquele grosso do tecido empresarial português - as PME's - tem capacidade para investir num país que tem mais necessidade de capturar o capital e conservá-lo lá dentro do que deixá-lo sair. Ou seja, qual a viabilidade do lucro num país como Angola, por exemplo, e a sua margem com o investimento feito por uma empresa sem um grande volume de negócio.
O objectivo é trazer o dinheirinho, certo? Logo, de que adianta se ele tiver de ficar lá? É por isso que lhe chamo uma ilusão.


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