Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010
Ainda sobre a opinião pública...

... e agora mais propriamente sobre a opinião publicada, surgem hoje novas linguagens que vão cada vez mais ao encontro do que foi dito no post anterior. As redes sociais e a blogosfera são hoje um palco para os insignificantes (uns mais do que outros). Fazer opinião tornou-se mais acessível. Mas se isto tem todo um tom positivo a priori, o que se revela mais tarde é uma descarga de frustrações e de má formação de carácter ou de inadaptação emocional.

Repare-se, por exemplo, nos nossos cronistas habituais. Todas as suas opiniões são baseadas em acontecimentos políticos, umas vezes mais agrestes nas suas insinuações ou ataques directos a pessoas concretas, por norma figuras que se poderão defender usando ou os mesmos meios, ou recorrendo à tutela judicial.

O que se passa hoje na internet é algo completamente diferente. As opiniões de Pacheco Pereira, Ana Gomes, Pulido Valente, Maria José Nogueira Pinto, Rui Tavares ou de Fernanda Câncio são motivo imediato para uma enxurrada da ataques pessoais, juízos de valor e boatos infundados. É tudo lateral e raramente se conclui uma opinião política com argumentos políticos. São opiniões sobre opiniões. Eu próprio fui vítima desse disparate até ao dia em que deixei de me levar tão a sério e aprendi a respeitar ou ignorar as opiniões dos outros. Foi fácil, bastou ver as figuras que outros faziam. Parte do problema nasce de uma patologia social - a razão emocional.

Não percebendo muito bem de onde possa surgir uma linha de argumentação baseada em emoções, esta é muito comum, principalmente em grupos específicos de causas sociais ou religiosas. A defesa ou a evangelização para a sua causa tornam-se agressivas e tudo o que se mostre contrário é julgado como um atentado humanitário, uma força do mal contra a Verdade, ou até mesmo contra si próprios. Neste sentido um fanático religioso ou anti-religioso não difere muito de uma fanática feminista ou de um ambientalista radical. A discussão ideológica desaparece e a única questão que se mantém é emocional, numa linguagem de perseguição e de diabolização.

A gravidade está no facto de muitas destas pessoas perceberem que não estão sozinhas nas suas causas. É que depois elas juntam-se e de uma rede livre de opinião e cidadania passamos a ter um hospício de desadequados.

 



publicado por jorge c. às 11:42
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2 comentários:
De EK a 13 de Agosto de 2010 às 15:31
Infelizmente essa é uma verdade incontornável. Comenta-se cada vez mais o comentário e cada vez menos a notícia.


De Daniel João Santos a 13 de Agosto de 2010 às 22:32
é o chamado sintoma da multidão. Em grupo são os maiores, individualmente atiram e fogem.


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