Sábado, 11 de Setembro de 2010
Acordar com Nova Iorque

A década de oitenta acabou mais cedo do que se esperava. A falsa festa decadente e yuppie do ocidente foi interrompida pela Queda do Muro. "O Muro está a cair" foi a primeira frase que me marcou, e a imagem de gente a precipitar-se na ânsia da mudança, numa noite fria, no meio de lágrimas e silêncios aliviados, é a fotografia que abre a minha década.

Cresci e fui adolescente num mundo livre onde o dinheiro caía do céu, a informação circulava cada vez mais rápida e onde se respirava paz. Tinha todos os motivos para me tornar etnocêntrico. A Europa era agora uma lição de democracia e os Estados Unidos uma fonte de inspiração. Mas estava na moda ser multicultural. A minha geração, ou todos aqueles que beberam os anos 90, achou que ser multicultural era comer "comida étnica", ouvir "world music" e ser solidário com as criancinhas em África usando uma t-shirt branca em hora e data a definir. Felizmente também li e ouvi muita música e comi muitas coisas diferentes. Tive foi a sorte de tentar compreender o outro, estivesse ele no outro lado de um outro muro ou mesmo a meu lado, na minha Europa livre.

Pensar de uma forma global e diversa, plural e tolerante, foi meio-caminho para acreditar que finalmente tudo estaria no sítio.

A 11 de Setembro de 2001, dez anos escorreram pelo cano abaixo. Vi o mundo mudar entre uma gigante nuvem de cinzas que trouxe o ódio, o terror, o medo, a paranóia, a conspiração, a demagogia, o preconceito, a inquietação, a perseguição, a desconfiança, a vergonha, o moralismo e nos mandou para trás, quando já não pensávamos lá voltar, para uma guerra-fria que mói e nos destrói todo o sentido de Humanidade que julgamos estar sempre a conquistar.

 



publicado por jorge c. às 10:56
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3 comentários:
De Blondewithaphd a 11 de Setembro de 2010 às 11:50
Não acho que o mundo tenha mudado assim tanto, os "novos" inimigos da Humanidade é que vão mudando periodicamente.


De Filinto a 12 de Setembro de 2010 às 14:26
Felizmente, estamos sempre do lado do bem.


De jorge c. a 12 de Setembro de 2010 às 15:06
Lamento, mas o meu entendimento de Humanidade parece não ser o mesmo que o seu.


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