Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
O festim das hienas

Não sou propriamente o maior dos fãs de Cavaco Silva. No entanto, não posso de deixar de considerar triste, lamentável, pobre, fraquinha, mesquinha toda a campanha que começou ontem de detracção. Primeiro começou nas suas palavras. Os seus detractores implicam com tudo: vírgulas fora do lugar, palavras sem acentos, a boca seca, o cabelo despenteado. Tudo aquilo que verdadeiramente interessa.

Se Cavaco é uma personagem estranha da política portuguesa, a crítica que lhe fazem não lhe fica atrás. Não passa de uma crítica sectária, ininteligível e baseada no ódio partidário e, muitas vezes, pessoal. Outra forma não haveria para atacar Cavaco em rigor porque não passaria de simples debate político. Insuficiente porque o povo é estúpido. Dirão que há imenso por onde atacar politicamente. Muito bem, estamos todos à espera que larguem a galinha de plástico que faz barulhinhos e partam para a caça.

O que é engraçado é que, depois do tanto que se defendeu José Sócrates por causa dos ataques pessoais, faz-se exactamente o mesmo a Cavaco. Não? Claro que não. É só impressão minha.



publicado por jorge c. às 09:50
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3 comentários:
De funes60@gmail.com a 27 de Outubro de 2010 às 11:47
"Não passa de uma crítica sectária, ininteligível e baseada no ódio partidário e, muitas vezes, pessoal"

No meu caso particular, é só ódio pessoal. Ninguém me é mais aborrecido do que Aníbal António Cavaco Silva.
Um amigo meu costuma dizer que Mário tem muitos defeitos e duas ou três qualidades apreciáveis. Cavaco Silva tem muitos defeitos e nenhuma qualidade. O mais odioso nele é aquele seu ar manholas com que sempre apresenta, figurando-se invariavelmente como o homem providencial que está acima da política e dos políticos (o seu partido é Portugal - diz ele) e que, bem contra a sua vontade, por imperativo patriótico, sacrifica o seu bem estar pessoal para salvar o país.
Valerá a pena dizer que os esforços de salvação com que desde 1985 nos brinda têm vindo a afundar o país, relegando-o irremediavelmente para as últimas vértebras da cauda da Europa?
Valerá a pena recordar que foi Cavaco - com o aumento eleitoralista dos salários da função pública para níveis incomportáveis; com a introdução de reformas obscenas para funcionários com meia dúzia de anos de descontos para a segurança social; com a criação do português novo, o homem europeu despreocupado e consumista que tinha o Estado a garantir-lhe para sempre o futuro - o coveiro do país e o pai profundo da crise económica em que nos atolamos até à raiz dos cabelos?
Alguém acredita que Cavaco tem alguma coisa mais a dar ao país?
Alguém acredita que a sua eleição servirá para outra coisa, senão a perpetuação do estádio de desânimo e afundamento em que mergulhámos?
Sim. Ele próprio. Ele próprio continua a ver-se como como um líder excepcional a quem a pátria deve um tributo eterno de gratidão. E proclama-o a cada oportunidade, como ontem mesmo se viu no anúncio anunciado da sua recandidatura. Nesta irreprimível tendência para o auto-elogio que em boca própria é vitupério está a razão primeira do meu ódio de estimação a Aníbal Silva. Que, repito, não é partidário. É só pessoal.


De Funes, el memorioso a 27 de Outubro de 2010 às 11:50
Não percebi como é que no comentário anterior saiu o meu mail e não o meu nome.
O Mário que refiro nesse comentário é o Soares, naturalmente.


De Pao Metálico a 27 de Outubro de 2010 às 16:21
Caro Funes,

O seu comentário explicativo do Mário em questão é redundante. Muitos defeitos e duas ou três qualidades (para a família, creio eu) é mais que suficiente.

Quanto a ódios, cada qual tem os que tem. Eu por exemplo odeio esta república.

Mas o Jorge tem razão: isto é um festim das hienas.
Daquelas genuínas, que comem merda.

Cumprimentos,

Mário (só com defeitos)


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