Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010
Os tutores da democracia

Uma parte significativa do país é tendencialmente socialista. Digo socialista no sentido que tomou o Partido Socialista e, por tanto, é um eleitorado que sente uma certa obrigação de ser de esquerda, estando no centro e promovendo as políticas do chamado bloco central. Há uma espécie de dogma, ou até conveniência, em se ser de esquerda, em valorizar o factor social, como se os outros partidos fossem avessos a esse mesmo factor. Ainda hoje, parece que ser de direita, mesmo que ao centro, dá mau aspecto e não fica nada bem numa mesa.

O PS ganhou com isto e com a ideia falsa de uma suposta paternidade da democracia portuguesa. Há quem diga até que o Estado se confunde com o PS. Não é uma afirmação totalmente descabida.

Senão, repare-se num certo ruído que por aí anda desde o planeamento da Greve Geral. Ouvem-se vozes próximas do PS que não encontram um grande propósito nesta greve. Chamam-lhe extemporânea ou desadequada. Nós, que achávamos que o socialista de convicção defenderia sempre a força desta manifestação (não falo em direito porque dir-me-iam certamente que "ninguém falou em direito à greve", o que é verdade), ficámos um pouco incrédulos. Mas faz sentido.

É natural que a família mais próxima do PS, que lhe atribui o epíteto de maior partido português, num sentido amplo, não veja com bons olhos a greve em massa contra um governo socialista e confunda esta manifestação com uma espécie de atentado contra a estabilidade do país (económica e política). Porque para este grupo de cidadãos, a estabilidade da sua família política e do seu programa é muito mais importante do que a insatisfação social.

Admito que o tempo para esta greve foi há um ano e meio atrás, quando a Dra. Ferreira Leite avisou sobre os riscos da dívida. Na altura, ninguém ligou. Agora, aqueles que já começam a sentir na pele os efeitos do irrealismo governamental face ao endividamento querem mostrar o seu desagrado. Devem fazê-lo. Independentemente da demagogia sindical, as pessoas não são estúpidas e têm personalidade política suficiente para achar o que devem ou não fazer.

O Estado não é o PS. Temos todos muita pena porque de certo que ia ser um regabofe, mas não é. Em democracia a extemporaneidade da manifestação não existe.

 

 

Nota: Muitas das observações que faço, a grande maioria, partem de um conhecimento empírico e são pura e simplesmente uma opinião. Da minha percepção da realidade nasce uma posição que tento defender em virtude dessa percepção. Não há aqui qualquer pretensão doutrinária.



publicado por jorge c. às 16:55
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