Domingo, 28 de Novembro de 2010
O pensamento dos labregos

Não é só o populismo de café de Marinho e Pinto que é preocupante. O mais grave é o entendimento que sugere de uma linguagem ampla como o Direito. Abel Salazar dizia que "quem só sabe de medicina, nem de medicina sabe". O mesmo vale para o Direito e para pessoas que insistem em reduzir uma linguagem rica e universal ao processualismo típico. Porque o Direito é próximo das ciências sociais e o espelho da organização em sociedade.

Mas o problema não é Marinho e Pinto. Este é só um produto acabado da ignorância consentida. Este pensamento de labrego que acha que um jurista ou é advogado ou magistrado ou então que vá para caixa de supermercado é só uma consequência da voz que lhe dão e do apoio ao seu justicialismo contra os poderosos. A verdade é que o seu discurso é muito mais coporativista e muito menos benéfico para a melhor imagem da classe.

A necessidade que foi criada de aceder à Ordem dos Advogados para trabalhar é que é o verdadeiro problema. Um licenciado em Direito não é um advogado. Nem tem de ser. E ser advogado não é propriamente ganhar logo um estatuto meritório, porque muitos advogados nem distinguir entre um herdeiro e um legatário sabem. Muitos deles nem português correcto falam e escrevem. Os licenciados em Direito são juristas com formação suficiente para contribuir em várias áreas e em várias realidades: empresas, institutos, marketing, lobby, investigação, política, etc. Haverá certamente muita gente com vontade e talento para o fazer mas que se vê obrigado a perder dois anos da sua vida numa Ordem na qual não se revêem e num estágio que não têm interesse em fazer. Tempo e dinheiro e outros contributos desperdiçados.

Estude Direito, é que eu lhe digo.



publicado por jorge c. às 11:37
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4 comentários:
De Carlos Barbosa a 28 de Novembro de 2010 às 14:55
"Um licenciado em Direito não é um advogado. Nem tem de ser."

Então por certo, concorda com o exame de acesso à ordem dos advogados, sendo este exame uma das medidas (tomada) mais contestadas pelos licenciados em Direito. Criticar é sempre fácil.


De jorge c. a 28 de Novembro de 2010 às 15:01
Desculpe, mas o seu comentário é ininteligível. Depois, ignora em absoluto o conteúdo deste post que não se prende com o exame de acesso à Ordem, nem pretende criticar nada que não uma mentalidade saloia e corporativista que se acha uma espécie de primus inter pares das classes profissionais.


De Carlos Barbosa a 28 de Novembro de 2010 às 16:13
Colega,

Eu retirei uma frase do texto (bem visível) e apenas escrevi um simples comentário.

Se não quer que comente, não permita. Agora parece-me que é mais um tuga com a mania da conspiração.

Cumprimentos.


De jorge c. a 28 de Novembro de 2010 às 22:39
Colega? Deve haver algum equívoco.
A frase tem que ver com todo o post que nunca refere nem pretende trazer o exame à colação.

E vai-me desculpar mas tenho mais que fazer que aturar parvoíces.


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