Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011
Para encerrar o assunto Cavaco/BPN

A ler estes dois posts (I, II) de Francisco José Viegas. Podemos ler isto:

 

"Culpar os anos do cavaquismo é uma hipótese muito produtiva para efeitos de pregação moral e de reavivamento da memória, para quem não toma Fosgluten; mas as Sras. Auctoridades que deixaram o BPN chegar a este buraco suspeito estão livres de investigação; o Banco de Portugal fica com o currículo limpo; a CGD vai receber doses injectáveis até diluir o veneno; e os tribunais hão-de recorrer a linguistas e filólogos como de costume."

 

e isto:

 

"Durante meses pedem política, ideias, honra e seriedade; em dois dias, seguem a lebre como se fossem alferes de coutada."



publicado por jorge c. às 14:41
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8 comentários:
De Funes, el memorioso a 5 de Janeiro de 2011 às 18:54
Meu caro,
O assunto não encerra (ou, pelo menos, não deve encerrar já), porque não está esclarecido. E, mais uma vez, o Jorge C. atira ao lado.
Com certeza que a supervisão do banco falhou, e Vítor Constâncio falhou e o BCE falhou e toda a gente falhou e essas falhas todas devem ser apreciadas em sede própria. Não é nada disso que está aqui e agora em causa. O problema é outro: Aníbal Cavaco Silva comprou fora da bolsa, pelo preço de um euro cada, mais de 100.000 acções de uma sociedade envolvida desde a sua fundação em burlas tremendas cujo custo ao erário público vai em 7,8 mil milhões de euros e, passado um ano, vendeu, mais uma vez fora da bolsa, essas mesmas acções por 2,4 euros cada. Realizou uma mais-valia de mais de 140%. Um super-expert em economia e finanças, como Cavaco Silva gosta de se apresentar, não podia deixar de sentir como muito estranha e absolutamente anormal uma tal valorização, que invariavelmente só ocorre quando em causa estão negócios ilícitos.
É isto - e só isto - que impõe um esclarecimento. É mentira o que se diz sobre esta compra e venda de acções? Não adquiriu nem vendeu nunca Cavaco Silva acções da SLN? Adquiriu e alienou, mas sem saber de nada, porque entregava as suas poupanças a gestores que lhe faziam os negócios sem lhe dar conta dos mesmos? Não estranhou a mais-valia realizada, caso tenha sido efectivamente realizada?
Repito: é isto - e só isto que se exige a Cavaco que esclareça. E isto não se esclarece nem o caso se encerra com proclamações de que os outros não fizeram e não aconteceram e não fiscalizaram e que a administração actual do BPN é incompetente, porque não recuperou ainda o dinheiro que os antigos administradores roubaram, acentuando até o descontrole das suas contas. Tudo isso pode ser verdade, mas não responde às perguntas formuladas. E essas são as que Cavaco deve responder de forma plena, cabal e sem tergiversações se não quiser ser considerado indigno de exercer o elevado cargo a que se candidata.


De jorge c. a 5 de Janeiro de 2011 às 19:05
Funes, primeiro volta a misturar a administração antiga com a nova que implica, agora sim, prejuízo para o Estado. O Estado tinha uma opção: não deitar a mão ao BPN. A culpa, como deve imaginar - e só não imagina por odiar o personagem - não é de Cavaco.
Em segundo lugar, Cavaco fez algo perfeitamente legal aos olhos da supervisão que nada disse sobre o assunto. A partir daqui qualquer acusação de ilicitude é, no mínimo, ridícula. Quer dizer, quem de direito nada diz, e agora Cavaco vinha autoflagelar-se em público? Mas que moralismo mais medonho, igual ao que gostam tanto de lhe atribuir. Cavaco falou no assunto há dois anos. Não gostaram das suas explicações? Temos pena. Acusem-no publicamente de alguma coisa. Ou a coragem da Verdade não dá para tudo? Digam o que têm a dizer mas deixem-se de insinuações.
Serei mesmo eu que estou ao lado? Não me parece.

O assunto para mim encerra e definitivamente. Para mim, repito.


De Funes, el memorioso a 5 de Janeiro de 2011 às 20:35
Jorge C.,

Vamos esclarecer uma coisa: eu odeio Cavaco Silva. É um facto. Não o odeio, todavia, por nenhuma razão pessoal. Pelo contrário, provavelmente, a seguir a Marcelo Caetano, devo a Cavaco Silva o relativo bem estar em que vivo. Odeio-o, porque ele tem o mais abominável defeito que pode ter um político: é manhoso e, sabendo que isso faz as delícias do povo português, apresenta-se sempre como um político não político, um político que odeia a política e que, ao contrário dos outros políticos todos, está na política por espírito de missão, sacrificando-se imensamente, porque para ele era muito mais confortável dedicar-se às suas actividades particulares. A pátria, porém, reclama o seu contributo e ele, sofrendo, sacrifica-se. Contudo, ao contrário dos outros todos, ele é impoluto. Está para servir não, como os outros todos, para se servir.
Ora, acontece que Cavaco Silva fez uma negociata com acções de uma sociedade criada para a prática de burlas e trafulhices: Nessa negociata ele e a filha ganharam (diz-se e ele ainda não desmentiu) mais de duzentos mil euros. Pela sua formação e pelos cargos que ocupou Cavaco Silva não podia ignorar que esta negociata não era normal e que cheirava mal à distância. Apesar disso, não se absteve de a fazer. Todos os portugueses gostariam de feito a negociata que Cavaco fez. Mas não puderem nela entrar. Cavaco só entrou, porque era político e porque a política lhe proporcionou esta oportunidade. Não a deixou escapar.
É este - só este, não me canso de lho dizer - o problema. Não está em causa a natureza ilícita ou criminosa do negócio. Está em causa o carácter de Cavaco Silva. Não é uma questão judicial. É uma questão política. Afinal, o puro, o honesto, o sacrificado, o político acima da política aproveitou a sua posição para, como todos os outros, enriquecer com uma negociata duvidosa.
E isto não tem nada a ver coma actual gestão do BPN nem com a sua eventual incompetência. De resto, nesta matéria, é hoje fácil proclamar que o governo deveria ter deixado falir a instituição. Simplesmente, se a falência do BPN tivesse levado a uma corrida aos levantamentos que estourasse com o sistema bancário português, seria igualmente fácil estar hoje aqui a lamentar que o governo não o tivesse segurado. Seja como for, como disse, isso não tem rigorosamente nada com o tema do carácter de Cavaco Silva que é o que aqui e agora está em causa.
E não é o meu ódio a Cavaco que me cega. É o seu amor ao cavalheiro que o impede de ver as evidências. Imagino o que por aqui não iria se a negociata de Cavaco tivesse sido levada a cabo por Sócrates. Eu, ao menos, odeio imparcialmente esta camarilha toda que se apoderou do regime.


De jorge c. a 5 de Janeiro de 2011 às 20:47
Aproveitou? Mas aproveitou como? Não compreendo sequer o que se pretende que Cavaco diga. Não pode comprar e vender acções? É esse o problema? O que as pessoas querem é que Cavaco se assuma como co-responsável pela situação do BPN, como cúmplice. Ora, isso é um disparate.
É claro que se o Governo não deitasse a mão a coisa podia ter sido grave. Mas o que eu digo é que não há um nexo de causalidade entre acções que foram compradas e vendidas entre 2001 e 2003 e a situação de 2008 e até mesmo a de hoje. E quem tenta encontrar uma relação tem um problema psicótico por resolver, porque nem argumentos racionais se consegue arranjar para responder a isso.


De Funes, el memorioso a 5 de Janeiro de 2011 às 21:01
«Aproveitou? Mas aproveitou como?»

Ganhando mais de 147.000 € através das mais valias realizadas com a venda de acções que se valorizaram mais de 140% num ano. Nenhum português comum teve oportunidade de realizar um negócio semelhante.

«Não compreendo sequer o que se pretende que Cavaco diga. Não pode comprar e vender acções?»

Se as acções forem de uma sociedade envolvida na prática de crimes que determinaram a falência do banco de que era detentora; se as acções forem compradas e vendidas, fora da bolsa</i> e, num escasso ano, se valorizarem 40%, NÃO, um aspirante à mais alta magistratura da nação não pode comprar nem vender acções.

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«<i>Aproveitou? Mas aproveitou como?</i>»

Ganhando mais de 147.000 € através das mais valias realizadas com a venda de acções que se valorizaram mais de 140% num ano. Nenhum português comum teve oportunidade de realizar um negócio semelhante.

«<i>Não compreendo sequer o que se pretende que Cavaco diga. Não pode comprar e vender acções?</i>»

Se as acções forem de uma sociedade envolvida na prática de crimes que determinaram a falência do banco de que era detentora; se as acções forem compradas e vendidas, <b>fora da bolsa</i> e, num escasso ano, se valorizarem 40%, <B>NÃO</B>, um aspirante à mais alta magistratura da nação não pode comprar nem vender acções.

<i[o] que eu digo é que não há um nexo de causalidade entre acções que foram compradas e vendidas entre 2001 e 2003 e a situação de 2008</i>

Um banco que em 2003 proporciona aos seus clientes rentabilidades de 140%, está condenado a acabar em 2008 como acabou o BPN. É este o nexo de causalidade que nega.



De Funes, el memorioso a 5 de Janeiro de 2011 às 21:02
«Aproveitou? Mas aproveitou como?»

Ganhando mais de 147.000 € através das mais valias realizadas com a venda de acções que se valorizaram mais de 140% num ano. Nenhum português comum teve oportunidade de realizar um negócio semelhante.

«Não compreendo sequer o que se pretende que Cavaco diga. Não pode comprar e vender acções?»

Se as acções forem de uma sociedade envolvida na prática de crimes que determinaram a falência do banco de que era detentora; se as acções forem compradas e vendidas, fora da bolsa</i> e, num escasso ano, se valorizarem 40%, NÃO, um aspirante à mais alta magistratura da nação não pode comprar nem vender acções.

que eu digo é que não há um nexo de causalidade entre acções que foram compradas e vendidas entre 2001 e 2003 e a situação de 2008

Um banco que em 2003 proporciona aos seus clientes rentabilidades de 140%, está condenado a acabar em 2008 como acabou o BPN. É este o nexo de causalidade que nega.



De jorge c. a 5 de Janeiro de 2011 às 21:11
Funes, estas mais valia constituem uma irregularidade? Essa irregularidade foi detectada pelas instituições reguladoras? Em que data foram compradas e vendidas as acções e o que era Cavaco nessa altura? Os crimes de que fala estavam em causa à época?


De jorge c. a 5 de Janeiro de 2011 às 21:19
Repare numa coisa, eu não pretendo que os políticos não sejam escrutinados. Também não pretendo defender Cavaco que é uma figura por quem não tenho grande simpatia, principalmente por esse motivo que invoca de se julgar a seriedade em pessoa.
A verdade é que me parece que neste assunto há muito pouco por onde pegar relativamente à liberdade contratual e tornar isto num tema de campanha é bastante infeliz.
Foi apenas esse ponto que quis marcar. Até porque posso perfeitamente assumir a minha ignorância em matéria de compra e venda de acções e as suas mais valias.


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