Quinta-feira, 31 de Outubro de 2013
no comment

Confesso que me custou ler o guião do Dr. Portas. Mas li. Não me merece é grande comentário. É tão ridículo o que ali está e o tempo que demorou a fazer que só posso acreditar que se trata de uma brincadeira.



publicado por jorge c. às 23:58
link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 30 de Outubro de 2013
vodka tónica

As reacções ao acordo de governabilidade entre CDU e PSD em Loures levantaram uma onda de ruído político com centro gravitacional em Lisboa.

Para uma parte significativa da mentalidade política da capital (partidos, militantes, comunicação social, opinião publicada), a política nacional é encarada de forma redutora. Nos últimos dias temos assistido a uma dramatização absurda de algo perfeitamente normal. No entanto, por acreditarem que as eleições autárquicas têm a mesma forma das legislativas, por acreditarem que as câmaras, no fundo, são como os círculos eleitorais - do maior para o mais pequeno - fazem julgamentos de acordos cuja natureza e função se desconhecem. É compreensível mas, também é sintomático.



publicado por jorge c. às 13:13
link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013
esta gente

Num país com outras regras, Cavaco Silva já não seria Presidente da República. As suas declarações sobre o compasso de espera para o pedido de fiscalização revelam o desprezo que tem pela sua magistratura e pela responsabilidade que tem sobre a Constituição.

Tirando meia-dúzia de tolinhos, já toda a gente percebeu que não há Presidente da República. Há um contra-presidente, um não-ser, um mono de covardia e falta de sentido de Estado.



publicado por jorge c. às 16:10
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quarta-feira, 16 de Outubro de 2013
o partido único de josé sócrates

A mitomania é uma característica de muitos políticos. E isto não tem de ser um problema. A não ser, claro, quando ganha traços de alucinação.

Numa entrevista a José Sócrates, que o Expresso publicará, o antigo Primeiro-ministro diz (e tentem não desatar logo à gargalhada) que é o "chefe democrático que a direita sempre quis ter". O riso é inevitável, bem sei. Mas esta afirmação de Sócrates revela muito da natureza de uma parte significativa dos socialistas. 

Por um lado, são a esquerda democrática, por outro o que a direita queria. Percebe-se bem a motivação de partido único em democracia que o PS tem. À semelhança da governação de Sócrates ou Guterres, o próprio partido vai passando entre as gotas da chuva a tal velocidade que acaba por tornar-se dominador do espaço ideológico. E é aqui que nasce o tenebroso sectarismo do Largo do Rato - o partido daqueles que são bons e justos e únicos. Todos os outros são uns cretinos de direita ou uns irresponsáveis de extrema esquerda. E apenas há lugar no seu reino para aqueles que com eles concordam. É uma doença sem limites que gera a sua atracção a partir do Largo do Rato, aproveitando aquela arroganciazinha urbana da capital.

Sócrates cresce politicamente neste contexto. Pelo que não é de estranhar que se ache um "chefe democrático", um líder, como um facho que alumia. Esta teoria pega naqueles que olham para o PS como o único partido credível em democracia. Não pega com mais ninguém, felizmente. 

 

(Já sabemos que escrever sobre José Sócrates implica sempre um conjunto de observações: a insídia, o ataque pessoal, a culpa é sempre do sócrates, etc., uma maçada de uma conversa que temos de aturar porque há gente que lida mal com a crítica. É a vida.)



publicado por jorge c. às 17:12
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 15 de Outubro de 2013
uma república de bananas

Há uns anos, quando o mercado português deixou de responder aos objectivos das empresas e a crise das dívidas estrangulou o seu financiamento, Angola passou a ser um destino necessário. Com a arrogância dos países desenvolvidos, partiu tudo em comitiva, mas para beijar a mão de um novo padrinho que abria as portas do seu país. O deslumbramento criou uma dinâmica de curto-prazo que não percebeu que, um dia, a fonte secaria. Angola tinha um interesse e Portugal uma necessidade. Por mera lógica, percebia-se que havia tudo menos convergência de interesses. Primeiro, era o dinheirinho que já não podia sair de lá. Depois, o recrutamento passou a ser feito com exclusividade para cidadãos angolanos a estudar em Portugal. Mas, não, Angola é que estava a dar.

Agora, é o Presidente Angolano que vem dar por terminada esta "parceria estratégica" (expressão caricata). Mãos na cabeça e ai jesus.

Se tivéssemos um Presidente da República, um Primeiro-ministro e um Ministro dos Negócios Estrangeiros, esta questão estaria resolvida. Mas não temos. E, assim, tenho de concordar com um amigo que no outro dia me dizia que vivemos numa República de Bananas. Somos subservientes a um país que tirou proveito da nossa necessidade e fechámos os olhos a atentados a direitos humanos básicos.

É esta prevalência da economia global sobre a vida em sociedade, a vida política dos povos, que nos está a matar. E o Primeiro-ministro já nos veio alertar para a perda de soberania. Os bananas somos nós.



publicado por jorge c. às 17:11
link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 1 de Outubro de 2013
a grande avalanche

As eleições autárquicas são eleições locais e tirar conclusões a nível nacional pode ser muito perigoso para a democracia. Não é, neste caso. Exemplo máximo disso mesmo é o caso da Madeira. O mapa autárquico demonstra que a derrota do PSD é nacional e deve ser encarada como uma derrota partidária. Isto, como é evidente, relativiza a vitória do PS. Porque quando falamos de política em democracia, as vitórias ou derrotas dos partidos não devem ser a finalidade. Um partido não é um clube de futebol. E no panorama autárquico, os partidos perdem o controlo de parte substancial das suas candidaturas. Senão, veja-se o caso do Bloco de Esquerda em Elvas e do seu candidato racista, situação que foi de imediato e muito bem resolvida pelo partido. Quando um partido ganha uma autarquia com um candidato que não corresponde aos seus princípios de base, ou não preenche os requisitos éticos, então há sempre derrota. São vitórias do sectarismo ou do populismo sobre a democracia.

A lógica eleitoral do PSD não tem sido esta, infelizmente. Preocupados com quantos delegados conseguem meter no Congresso, em quantas listas de comissões políticas conseguem ter absoluto controlo, os responsáveis pelas concelhias e distritais do partido esqueceram-se do que é o serviço público e do que é fazer política. Oferecem-se lugares sem critério, multiplicam-se promessas para fazer aliados e destruir toda a concorrência possível. Afastaram, nos últimos 20 anos, muita gente que não se revia nesta forma pequena e irresponsável de fazer política e que faz, hoje, muita falta.

Foi precisamente neste cenário que o PSD foi crescendo para a decadência. Porque com um trabalho com qualidade nas autarquias, é difícil que os eleitores se deixem influenciar de forma tão declarada contra um autarca do partido do governo. É que torna-se importante lembrar que as autárquicas são sempre o rosto de alguém cuja proximidade não é só mediática.

Pedro Passos Coelho conseguiu, assim, juntar no mesmo pote todos aqueles que contribuiram para a grande avalanche que leva, hoje, o PSD a ser uma sombra do partido que foi. 

A eleição de Rui Moreira, no Porto, configura um manifesto de cidadania contra esta dinâmica do PSD, que poderia ter resultado num autêntico desastre, como aconteceu no resto do país e não apenas com o PSD. A proposta eleitoral de Rui Moreira deu aos cidadãos do Porto a certeza de que é possível acreditar na política local como um instrumento sério para o desenvolvimento e reforço da comunidade. A diferença entre a sua candidatura e as outras era notória e a cicatriz que isso deixa nos partidos pode ser profunda e dolorosa.

Por outro lado, também a emagadora vitória de António Costa em Lisboa não pode ser ofuscada pela panorâmica nacional. Costa tem feito um bom trabalho na cidade de Lisboa. É um presidente próximo dos cidadãos e da cidade, garantindo um sentimento geral de comunidade.

Mas, apesar da sua aclamada vitória, o PS também não pode ignorar as circuntâncias destas eleições (é claro que vai ignorar porque ganhou e o sectarismo é uma coisa tramada). A CDU, por exemplo, colheu os frutos do seu enraizamento dentro das comunidade e, muitas vezes, do seu excelente e reconhecido trabalho autárquico em concelhos muito difíceis, onde o PS falhou. O Bloco de Esquerda sofreu o seu centralismo na pele, demonstrando que não é um partido para autárquicas. Tudo isto terá consequências. Algumas delas podem ser dramáticas tendo em conta o inconformismo com a política partidária que vai crescendo como tendência.

O cenário não é, de todo, agradável. Por isso, torna-se urgente reflectir e agir dentro dos partidos sobre aquilo que interessa às comunidades e não terem, apenas, como desígnio nacional, a vitória. 

É preciso salvar os partidos dos seus verdadeiros carrascos. 

 

 



publicado por jorge c. às 11:11
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 17 de Setembro de 2013
Da política local

1. Na política local, o factor mais importante é a cidadania. É mais fácil vermos concretizado um projecto de desenvolvimento e crescimento se, antes do escrutínio, influenciarmos e demonstrarmos aos representantes políticos a direcção mais interessante para a comunidade. Por todo o país, o movimento associativo e organizado tem um poder que, ainda hoje, não consegue mobilizar os cidadãos para a sua relevância no plano político. Sem dramatismos ou decadentismos, ao associativismo falta a capacidade de maior mobilização para além da sobrevivência. 

 

2. Se as redes sociais são, hoje, um elemento eficaz de comunicação política, elas são também um perigo para a cidadania. A campanha autárquica tem sido um exemplo claro disso mesmo. Uma campanha autárquica deve conseguir esclarecer os eleitores. O seu valor está na capacidade de transmitir um projecto político que capte o interesse daqueles. Para isso, recorre-se à componente lúdica, que é uma forma eficaz de captar atenção. Com as redes sociais, e principalmente com as centenas de páginas criadas no Facebook, a componente lúdica passou a ser o resultado final e não um mero instrumento. Por um lado, trazemos mais pessoas para o universo político, por outro, transmitimos uma ideia errada daquilo que é essencial na política local.

 

3. O campo aberto para o populismo nas autárquicas tem dimensões cada vez maiores. A convicção criada no eleitor mais atento, muitas vezes, é que já nem vale a pena porque a política local é um espaço de broncos. Os partidos, dada a sua dimensão, tem cada vez mais dificuldade em promover boas práticas nas suas células locais. Fora do período de eleições, as distritais e concelhias têm como única preocupação a captação de votos para dentro e pouco trabalham o projecto autárquico e comunitário durante 4 anos. Por outro lado, as candidaturas independentes estão a promover o anti-partidarismo e uma ideia falsa de superioridade moral que vai contra tudo aquilo que a nossa Constituição defende. A necessidade é, cada vez mais, formar quadros políticos locais sem recurso a metodologias eleitoralistas. 



publicado por jorge c. às 13:26
link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 9 de Setembro de 2013
tudo o que tenho a dizer sobre este assunto

 Eis uma atitude impensável para Rita Cavaglia, 20 anos, lisboeta, no segundo ano de Psicologia. "A primeira vez que me lembro de ouvir um "piropo" - que é uma palavra que acho mal escolhida para esta discussão, porque as pessoas refugiam-se na questão semântica para não falar disto - tinha uns 10 anos. Estava à porta da escola e um senhor perguntou-me se queria fazer um broche. Fiquei um bocado assustada e pus-me a pensar naquilo - e que não tinha de andar na rua sujeita a ouvir coisas assim, que os homens não tinham o direito de o fazer". O evento coincidiu, conta, com o facto de os miúdos da escola andarem a apalpar as miúdas. "Resolvi começar a responder, tanto na rua como na escola." Chegou a ser chamada à direcção por ter rasgado a camisa a um rapaz que a apalpara. "Ele apalpou-me e eu é que fui chamada?", questiona, atónita. Não foi a única vez que que se confrontou com consequências da legítima defesa. "Uma vez vinha na rua, um gajo de carro disse-me qualquer coisa, mandei-o à merda e ele saiu do carro e apertou-me o pescoço. Valeu-me haver muita gente à volta que interveio. De outra vez só não apanhei porque fugi: estava num autocarro, um tipo não parava de me chatear e levantei-me, chamei-lhe porco de merda e saí quando as portas estavam quase a fechar. Mas ele saiu na próxima paragem e veio a correr atrás de mim com ares de louco. Não havia ninguém na rua, tive de acelerar dali para fora." Suspira. "É fantástico, não é? Podem dizer tudo o que lhes apetecer e quando alguém responde está sujeita a apanhar uma tareia. Depois penso que me coloquei numa situação de risco, mas na altura fico tão passada..."

Mesmo assim, crê que não é só por medo que a maioria das raparigas e mulheres não reagem. "Há muita gente que acha que a atitude correcta é não dar importância, é aquela coisa da mulher honesta não tem ouvidos. E como ninguém fala disto, é como se não acontecesse. Mas quando temos 13, 14 anos é todos os dias. Temos ar de miúdas e os gajos acham que não te sabes defender. Quanto mais desprotegidas mais pica lhes dás." No rosto angelical, a determinação não vacila: "Enerva-me profundamente. E não estou só a falar do lambia-te e fazia-te e acontecia-te, o 'és tão bonita' também não me deixa confortável, porque não conheço aquela pessoa de lado nenhum, não tenho de ouvir isso, tenho o direito de não ser importunada. E assusta-me particularmente a idade com que as miúdas começam a ouvir aquelas coisas."

Aliás, diz, mesmo quando consegue "desarmar" o piropador e sentir o poder que advém de se ter defendido, é "sempre uma situação humilhante. Não sei se é fácil criminalizar o piropo mas é uma discussão que é importante ter. E não consigo explicar as mulheres que não querem falar disto".

 

Retirado da reportagem "Cenas eventualmente chocantes", da Fernanda Câncio, no DN de 07/09/2013



publicado por jorge c. às 14:06
link do post | comentar | partilhar

o dilema americano

Invejo aqueles que, sem hesitar, tomam uma posição muito assertiva sobre os assuntos da vida e, em particular, sobre intervenções militares. É uma zona confortável. Assim que descobrimos a nossa posição, defendemo-la incondicionalmente. Até à morte.

Eu tenho os meus dilemas. 

Há mais de um ano que olhamos para uma Síria de punhal cravado no peito. Vemos imagens, lemos e ouvimos relatos. Sobre o que ali se passa, não restam dúvidas: um desastre humano. Depois, vem o divisionismo. Ora que são um povo orpimido por um ditador, ora que são terroristas opositores que provocam a opressão do regime. Entretanto, o genocídio. 

Na América do Norte, o mesmo dilema, mais ponderado que noutros momentos: o que fazer? O Direito Internacional é tão claro, quanto ineficaz, no que respeita à ingerência de terceiros em assuntos internos; as Nações Unidas, uma comissão da boa-vontade incapaz de restaurar a ordem no Intendente ou no Bairro da Sé do Porto.

Tal como bem definiu Robert Kagan, é na dicotomia poder/fraqueza que se encontra o ónus da acção. Os EUA têm capacidade militar (e financeira, já agora) para intervir. A Europa, não. Daí a preferência por duas soluções - a política e a militar. Resta-nos, então, definir o dilema e resolvê-lo. Podemos perguntar o que terá mais valor: a vida humana ou a soberania de um Estado. Se estamos perante a morte de dezenas de milhar de pessoas, não tenho qualquer dúvida - a vida humana. 

O meu dilema resolve-se. Porém, não se dissolve. E enquanto isso, o tempo vai passando.



publicado por jorge c. às 12:58
link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 2 de Setembro de 2013
Carta aberta ao Presidente do PPD/PSD

Caro Pedro Passos Coelho,

 

Quando em 1997 me filiei no Partido Social Democrata, assumi, com a humildade que a tenra idade me permitia, que era um partido que me tinha a mim e não o contrário. É um acto de consciência fundamental para um militante compreender que, para participar politicamente num partido democrático, os princípios e estatutos que o regem são fruto de uma realidade política colectiva, de serviço público, e não um mero instrumento de chegada ao poder para fabricar uma outra realidade.

Para chegar a esta conclusão e aceitar subscrever os estatutos do PSD tive, quase ao mesmo tempo, de compreender o sistema e o regime político do meu país. Era essencial para a minha consciência cívica. E mesmo com as alterações que são comuns e legítimas, há uma coisa que não posso esquecer e que aqui partilho consigo:

 

"(...)

Capítulo I - Princípios Fundamentais

 

Artigo 1º (Finalidades)

 

1. O Partido Social Democrata (PPD/PSD) tem por finalidade a promoção e defesa, de acordo com o Programa do Partido, da democracia política, social, económica e cultural, inspirada nos valores do Estado de Direito e nos princípios e na experiência da SocialDemocracia, conducentes à libertação integral do homem.

2. O Partido Social Democrata concorrerá, em liberdade e igualdade com os demais partidos democráticos, dentro do pluralismo ideológico e da observância da Constituição, para a formação e a expressão da vontade política do Povo Português.

3. O Partido prossegue os seus fins com rigorosa e inteira observância das regras democráticas de ação política, repudiando quaisquer processos clandestinos ou violentos de conquista ou conservação do poder.

(...)"

 

Certamente que reconhece os estatutos do nossos partido. E é precisamente com eles que lhe quero transmitir a minha absoluta repulsa por vários militantes do PPD/PSD terem aplaudido as suas inenarráveis palavras, proferidas durante Universidade de Verão.

A sua opinião sobre a Constituição da República Portuguesa é-me indiferente. Não lhe reconheço, a título pessoal, qualquer grau de conhecimento sobre qualquer assunto civilizacionalmente relevante. Porém, enquanto presidente do partido do qual sou militante (já para não falar enquanto Primeiro-ministro de um Governo Constitucional) exijo-lhe, a si e a todos os que com modos acéfalos o aplaudiram, que respeite os estatutos do partido e os seus princípios fundamentais. Porque caso isso não aconteça, julgo que o melhor é criar um partido novo que apoie tomadas de posição dessa natureza.

O PSD não é isto e não pode ser isto.

 



publicado por jorge c. às 21:19
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quinta-feira, 8 de Agosto de 2013
da política

Interessante, este artigo de João Ribeiro. Levanta uma questão fundamental e que até se deve explorar, sobre o critério da independência e aquilo a que pode conduzir. 

No entanto, não podemos esquecer que este conceito de "independentes" não surgiu por obra e graça do espírito santo e que os próprios partidos têm muita responsabilidade na forma como afastaram potenciais políticos, porque aquilo a que chamam realpolitik é, muitas vezes, um jogo pouco ético de caça ao voto e que envolve comprometimentos com determinados círculos pouco relacionados com o serviço público de que nos fala. Negar ou ignorar isto é branquear a realidade do aparelho partidário que tem destruído o crescimento da cultura democrática dentro dos partidos e o exemplo para aqueles que começam.

Já em relação à segunda parte do texto de João Ribeiro, fico com dúvidas relativamente à lógica. Parece-me um pouco rebuscado. Talvez o porta-voz do PS tenha ficado um pouco baralhado. Quando queremos falar de várias coisas ao mesmo tempo, porque não nos dão muito espaço para tal, isso acaba por acontecer. Não que não tenha razão e que não sejam todos uns incompetentes com interesses escondidos (é uma generalização perigosa e também ela falsa, porque podemos olhar para políticos de carreira que estão hoje em altos cargos privados e não seria ilegítimo presumir que tal decorreu da natureza das suas últimas funções públicas). Porém, o leitmotif que Ribeiro encontra não pega, neste caso. É evidente que o moralismo anti-público deste governo é fundamental para se perceber o que se está a passar. Mas, a problemática dos independentes é muito maior do que isso e, muitas vezes, não tão grave quanto isso. O pathos de Ribeiro é seguramente maior do que o logos. E isso alimenta o maniqueísmo que o próprio critica. 


tags:

publicado por jorge c. às 11:16
link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 5 de Agosto de 2013
urbanismo para totós

Já que estamos numa de autárquicas - uma tendência de verão semelhante aos anúncios das operadoras de telemóvel - seria uma boa altura para falar de integração no sector do trânsito. Por exemplo, e assim a propósito de nada, sinalização e direcções. 

Imaginemos que somos um inglês que chega à cidade do Porto e aluga um carro. Tentemos sair da cidade do Porto em direcção à auto-estrada que nos levará para Lisboa (A1 porque nós sabemos). Passado este desafio, tentemos entrar na cidade de Lisboa, pela 2ª Circular, claro. Duas saídas para o Campo Grande. Qual delas escolher? A vida é um mistério. Imaginemos, então, que vamos depositar a viatura em Lisboa e que o local onde temos de ir é na linha de Sintra. IC19 connosco. E agora? Como entrar para o IC19 seguindo apenas as direcções nas placas?

No meio disto tudo, a sinalização de estrada evapora-se, as faixas de rodagem confundem-se, os sentidos proibidos não são compatíveis com a necessidade de inverter a marcha, entre muitas outras coisas. Portugal é um caos de sinalização e Lisboa é o seu centro nevrálgico. O trânsito é feito para os locais e ignora-se a lógica e a assertividade das indicações. 



publicado por jorge c. às 13:41
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quarta-feira, 24 de Julho de 2013
parceria público-privada

É importante que todos respondam a esta questão que tanta polémica tem gerado nesta sociedade desdogmatizada pela fúria socialista. 

 



publicado por jorge c. às 14:49
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 23 de Julho de 2013
uma ideologia

Há uns anos, falava-se muito de medidas impopulares. Tornou-se um conceito muito utilizado pela direita, já no fim do guterrismo e foi muito desse discurso que levou Durão Barroso ao poder. É verdade que na altura, um gnu com uma placa a dizer PSD ganharia as eleições. Mas, se houve alturas em que um gnu ganharia a Durão Barroso, então podemos assumir que o discurso das medidas impopulares teve os seus méritos. Foi um tempo em que Reforma do Estado era um conceito ainda melindroso. Eu era fã desse discurso.

As medidas impopulares eram compatíveis com o Estado-Providência. Qualquer um dos partidos as podia adoptar. Não tinham um factor ideológico forte, aparentemente, e eram apenas necessidades de um país que pretendia equilibrar-se depois da injecção de fundos comunitários dos anos 90. Era uma questão de prioridades. 

Entretanto, o conceito de medidas impopulares evoluiu, no centro-direita, para a necessidade de austeridade, numa década. O discurso tranformou-se em algo que vai para além das simples necessidades de equilíbrio e começou a afectar o próprio Estado-Providência, o rendimento das famílias, a sustentabilidade das micro e pequenas empresas e o desemprego.

Creio que foi Paul Krugman que definiu a austeridade como uma ideologia. Tendo a concordar. Ao contrário das medidas impopulares, a austeridade tem, de facto, contornos ideológicos. Ela baseia-se na convicção de que se nos focarmos no cumprimento escrupuloso da dívida e no controlo rígido do défice, seremos mais competitivos e o sol brilhará para todos nós. Pelos resultados que vamos vendo, espelhados na dinâmica socio-económica, pode ser que não seja bem assim. 

Não deve haver medo em assumir a narrativa ideológica da austeridade. Será, de certo, mais honesto do que vendê-la como uma necessidade imediata. As tranformações sociais provocadas pela austeridade são políticas; são decisões tomadas com base numa convicção. Ora, estas transformações não são escurtinadas de forma transparente por dois motivos: esconde-se a intenção ideológica e esonde-se a origem da orientação da mesma. Se há uma política europeia clara e inequívoca pela austeridade, e que está a ingerir no contrato que os eleitores fizeram com o seu Estado, então parece-me mais lógico que a votemos. Democraticamente. 

Não há qualquer problema em discutir ideias, desde que se assuma que são ideias. A sua não-assumpção é que é uma neblina contrária aos princípios que todos acordámos.



publicado por jorge c. às 14:54
link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 22 de Julho de 2013
um país em piloto automático

É com alegria que poderemos continuar a ver António José Seguro apresentar propostas concretas. O secretário-geral do Partido Socialista gosta é de apresentar propostas-concretas. Ser uma alternativa democrática, com uma estratégia de influência e impacto europeus? Não, a ele não o apanham. Ele vai é apresentar propostas concretas - das boas. Vai ser propostas concretas todas as semanas, até 2015, ou até o PS convocar eleições.

Ora, como era nisto que uma dissolução da AR cairia, mais vale deixar o país em piloto automático, com um governo sem capacidade de resposta e obcecado com uma política que o próprio ex-ministro das finanças admitiu que fracassou. As propostas concretas de Seguro não são, senão, uma forma de fugir à apresentação de uma orientação diferente para o país. E como para incompetente já temos Passos Coelho, é deixar estar como está.

Eu até acredito que tenha sido este o pensamento de Cavaco Silva. O Presidente diz que percebeu o sentimento dos portugueses. Concordo. Talvez o sentimento dos portugueses seja o da resignação ao deboche institucional a que temos vindo a assistir nos últimos dois anos; à acomodação a um processo de empobrecimento colectivo com destino à perda de dignidade. É o chamado Síndrome de Estocolmo. É para o nosso bem. Ficamos pobres e destituídos de estrutura institucional mas pelo menos as contas ficam em dia. Ou não. 


tags:

publicado por jorge c. às 10:45
link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 15 de Julho de 2013
é a economia, estúpido

Alguém dizia, há uns dias, que quando em tempo de crise se fala à carteira das pessoas, há uma imediata aceitação do discurso. É a isto que chamamos populismo.

Mas, para além do populismo habitual e perigoso de moralistas como José Gomes Ferreira, Camilo Lourenço ou o Pato Donald, há um discurso, noutra linha, também ele perigoso e que já conduziu o país a 40 anos fora dos mercados (do mercado da liberdade, da igualdade, da democracia, etc.). É o discurso da prevalência da economia, que nos diz que a sociedade corre por motivos económicos, como uma finalidade.

O objectivo de um sistema como a social-democracia, e por ter nascido no pós-Guerra, é tornar evidente que as democracias são regidas pela política, pelo interesse público e pela necessidade de paz e harmonia social.

Quando a construção de uma nova narrativa passa a desenhar a finalidade financeira e económica, então sabemos que nos estamos a desviar do objectivo inicial. A única forma que um discurso sobre a prevalência da economia tem de triunfar é através da coação, da imposição, da negação de liberdades individuais e colectivas, do empobrecimento estrutural do país. Ao aceitarmos empobrecer, aceitamos não nos desenvolver, porque o empobrecimento pressupõe desigualdades mais abrangentes, como se viu no Estado Novo.

Por isso, sempre que me falarem de superavits, de cortes na despesa e de pagamento da dívida, cantarei a Maria da Fonte.



publicado por jorge c. às 11:16
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 14 de Julho de 2013
o desespero

E aqui estamos, na branda expectativa que António José Seguro se revele de acordo com o nosso interesse. Digamos que é um pouco deprimente. 

O meu interesse é que haja uma liderança que reoriente o país, que defina uma linha estratégica clara e inequívoca e que tenha força para defender a social democracia. Será que posso contar com Seguro? Tenho muitas dúvidas. 

Seguro é um homem do aparelho socialista, orientado para os pequenos resultados eleitorais distritais, sem qualquer carisma ou sinal de liderança convicta. Configura, em muitas coisas, o mesmo tipo político de Passos Coelho: ambicioso na chegada ao poder mas, com um défice de competência latente. No caso de Passos Coelho tornou-se evidente. E é este dilema - e porque Seguro tem muito mais experiência política que o Primeiro-ministro, quer queiramos, quer não - que me deixa angustiado.

Sobre o que o secretário-geral do PS deve fazer, prefiro não especular. Porém, a única coisa que precisávamos era que a sua posição fosse cristalina e não deixasse dúvidas sobre a sua capacidade de ser uma alternativa. É aqui que está a questão em que Seguro falha como a Primavera no séc. XXI. A verdade é que não podemos estar à espera de um Verão surpreendente. Não há tempo.

Se as eleições antecipadas são, neste momento, uma necessidade para a estabilidade política e reforço da legitimidade e credibilidade governamental, as eleições nos partidos também não seriam descabidas, de todo. 



publicado por jorge c. às 14:35
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quinta-feira, 11 de Julho de 2013
nota breve para o meu querido leitor

Sou visceralmente contra governos de iniciativa presidencial, contra salvações nacionais e contra soluções que não sejam conformes à democracia representativa. Desejo eleições antecipadas mas, para isso, tem de ser de imediato. Marcar eleições para daqui a um ano é deixar um governo em gestão precária, logo, é ridículo e provoca doenças. 

Posto isto, um grande abraço a todos.



publicado por jorge c. às 14:55
link do post | comentar | partilhar

twist and shout

Queria aqui agradecer ao Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva por ter entalado toda a gente. Aposto que fez benchmark para os guionistas das grandes séries estrangeiras e até para o Bem-Vindos a Beirais. Foi uma matança como há muito não se via. Nunca pensei vir a assistir a isto em toda a minha vida. Estou muito satisfeito por todos nós.

Um filme, ou uma série, nunca são verdadeiramente bons sem vilões de mau carácter, sem características bem vincadas e cenas surpreendentes e inesperadas. Para nossa sorte, isto não fica por aqui. Ainda assim, é uma das vinganças mais bonitas de sempre. 

É claro que Cavaco não perde pela demora. Há casas da Coelha e BPN's e sacos do lixo onde pegar. Mas, isso pouco interessa.

O país está suspenso por causa de uma classe política deplorável. E, para quem como eu, defende com unhas e dentes a democracia representativa, olhar para o lado é um susto. É claro que a garotada acha que há gajos de 40 anos capazes de pegar nisto. (Oh, oh! Claro que sim!) Todos sabemos que não. E essa falta de maturidade (tanto nos mais novos, como nos mais velhos) é que assusta. Olhamos para os líderes dos dois maiores partidos e vemos duas criaturas educadas nas jotas, no meio de joguinhos eleitoralistas das concelhias e distritais, das promessas e dos rabos presos com favores para conseguir mais votos e sem qualquer tipo de convicção e cultura política, de serviço público. Olhamos para o seu lado, para dentro dos partidos e vemos Junqueiros, Zorrinhos, Montenegros, Marcos Antónios... Já sofri menos com o futuro do Benfica.

Enfim, minhas senhoras e cavalheiros, com todo o respeito e pedindo antecipadamente desculpa pelo excesso de coloquialidade: estamos completamente fodidos!

 



publicado por jorge c. às 14:01
link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 4 de Julho de 2013
Da impotência

Spínola dizia, em Portugal e o Futuro, que - e cito de memória - não bastava acharmos que éramos democratas, se os outros não o reconhecessem em nós. Apesar desta ideia do general se referir à imagem do país perante o exterior, podemos, de certo modo, fazer uma analogia para os dias que vivemos: um governo cuja consciência da actuação política não é entendida do mesmo modo pelo resto do país.

Precisamos, então, de compreender o que leva o governo de Passos Coelho a manter-se em funções, após um conjunto de acontecimentos inexplicáveis e desprestigiantes para a dogmática do poder político. Poderíamos acreditar, numa primeira hipótse, que se trata de excesso de zelo relativamente à necessidade de estabilidade institucional que o país precisa para gerir a sua credibilidade perante o exterior, não tivesse o disparo partido da carta de demissão de Vitor Gaspar, que compromete toda a acção governativa, admitindo um conjunto de falhanços e de mau estar dentro do governo. Esta hipótese - a que admite algum sentido de serviço público a Passos Coelho - não justifica, como vimos, a sequência de episódios (no mínimo) infelizes que lhe sucederam. Será, aliás, muito complicado acreditar no sentido de serviço público de um homem que desde 2008 traçou o seu caminho para o poder, atropelando o seu próprio partido,  reunindo-se de personagens pouco credíveis e de seriedade duvidosa, bem como de não-militantes com uma agenda contrária aos valores tradicionais do PSD, fazendo campanha pessoal quando Manuela Ferreira Leite preparava as eleições de 2009, contribindo para uma crise política que nos levou a um resgate financeiro e acabando num discurso fútil anti-constitucional. Os mínimos de compreensão do regular funcionamento das instituições não foram cumpridos. E isto é a base da política em Democracia. 

Chegamos, então, a uma segunda hipótese: Passos Coelho acha que está aqui para salvar a pátria. Colocando-se a si próprio num patamar de divindade, o Primeiro-ministro não abdica da sua ideia de tirar Portugal do fosso em que os socialistas nos meteram. Ignorando o que se passa no resto do mundo, Passos perdeu a noção da realidade e julga-se uma espécie de primus inter pares. Se esta hipótese se mostrar próxima da verdade, então o caminho será, decididamente, para uma autocracia. A solução seria um golpe de Estado ou o internamento compulsivo. Fica ao vosso critério, já que Presidente da República é uma figura dos nossos antepassados.

Seja qual for o entendimento mais viável que fazemos da situação, a verdade é que estamos perante uma profunda crise da democracia representativa e das instituições democráticas. Temos, neste momento, o pior Governo da nossa história, o pior Presidente da República da democracia e, para infortúnio geral, um líder de opinião incapaz.

Incrédulo, o país assiste a tudo isto em directo como um espectáculo burlesco, decadente e fatal, com um forte sentimento de impotência. "O que ser-se, então, neste país? Não ser-se?"



publicado por jorge c. às 10:51
link do post | comentar | partilhar


Um blog de:
Jorge Lopes de Carvalho mauscostumes@gmail.com
pesquisa
 
arquivos

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

tags

todas as tags

blogs SAPO
visitas
subscrever feeds