Domingo, 20 de Janeiro de 2013
O desafios de Rui Moreira

A eventual candidatura de Rui Moreira à Câmara Municipal do Porto deixa a cidade a respirar um pouco de alívio e o PSD num grande sarilho.

Para já, Rui Moreira tem o apoio inequívoco de grande parte do eleitorado de Rio e terá, muito provavelmente, um efeito positivo num espectro político amplo, podendo ir buscar retorno, até mesmo à esquerda.

Porém, não conhecendo a estratégia de Moreira, corre-se o risco de criar uma expectativa tão alta, que a desilusão pode ser devastadora, tal como aconteceu ao próprio com Fernando Nobre, se a memória não me falha. É que Moreira não é um político. E como todos sabemos, os cargos políticos devem ser ocupados por pessoas que não tenham qualquer prurido com a designação e funções, algo frequente nos independentes que, por qualquer deficiência cognitiva, acreditam no seu valor supra-político. No fim, como sabemos, acaba tudo em auto-destruição da candidatura.  

Outro desafio que se coloca a Rui Moreira chama-se Luís Filipe Menezes. Será que Moreira está pronto para receber os ataques miseráveis de Menezes, o ruído de campanha, o populismo, a falta de educação, o não-debate e todas as mesquinhices que Menezes vai dizer ao longo dos próximos meses? É uma prova a que poucos se prestariam. Menezes é aquele tio bêbado, dos encontros de família, que aparece sem ser convidado e insulta a família toda mas, já ninguém tem coragem de o pôr no sítio porque a vida já dá chatices suficientes para nos estarmos a inquietar com um tolo.

Ainda assim, a questão que Rui Moreira terá de se colocar a si próprio é outra. Estará pronto para ser presidente da mais extraordinária e identitária cidade portuguesa?



publicado por jorge c. às 10:05
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
A divina providência

A escassez de recursos, enquanto fenómeno limitador da conformação governamental, é uma característica recorrente nas sociedades democráticas e fundamentalmente dos Estados-Providência. Os Estados definem as suas prioridades e gerem os recursos a partir dessa escala mais ou menos consensual. Essa gestão de recursos, de uma forma mais social ou mais liberal, não atenta necessariamente contra essa ideia de Estado-Providência, contra o Estado Social. Isso não corresponde à verdade até porque a alteração das circunstâncias e da realidade sócio-económica obriga a que se definam bem as prioridades.

O dogma do Estado Social como algo perpétuo, rígido e estanque não tem origem na opinião pública. Ele tem origem no discurso político que tenta condicionar as escolhas dos eleitores criando uma falsa ideia de fim da estrutura social e a diabolização de propostas de resolução da escassez de recursos.



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Sábado, 21 de Maio de 2011
Coisas realmente importantes

"Ponto primeiro: nós, com esta política de concorrência não vamos a lado nenhum. O PSD não abre a boca sobre o assunto. Nós, com esta autoridade de concorrência, não conseguimos garantir condições para uma política de concorrência sã, não conseguimos garantir que players novos entrem nos mercados..."

 

Paulo Portas, hoje, em entrevista à Única (sem link)



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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
Ouvir sempre o Pedro Magalhães


publicado por jorge c. às 13:40
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Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
A forma errada de fazer campanha

Com seis anos de governação tomam-se muitas decisões, sendo que muitas delas não coincidem com o programa original, outras contrariam posições assumidas anteriormente e outras tantas desafiam até a natureza ideológica dos partidos. Podemos não ver isto como uma incoerência inadmissível, mas antes como real politik ou mera movimentação social.

A verdade é que basear uma campanha eleitoral nas contradições e erros dos outros pode ser uma estratégia contraproducente devido a esses tais seis anos de decisões, ou mais, em alguns casos. Para além do vazio discursivo, o tiro pode sempre sair pela culatra e depois é uma maçada.



publicado por jorge c. às 12:22
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
Igualdade de Oportunidades

O tema da semana são as Novas Oportunidades (NO) e, como não poderia deixar de ser, a defesa do programa passa por dados estatísticos e o sucesso avaliado por uma auditoria monotorizada pelo saudosíssimo Dr. Roberto Carneiro. A vida tem destas pequenas ironias.

A minha questão com as NO não é nem a sua intenção, nem o sucesso que parece ter entre os seus formandos e formados. É perfeitamente natural que se olhe para esta oportunidade de aumentar as habilitações literárias com bastante entusiasmo. Acho isso óptimo. A verdade é que o modo como o programa é executado suscita-me dúvidas. Vejamos, então, as declarações do tal Dr. Carneiro aqui.

Não obstante a satisfação pela oportunidade que lhes é concedida, não podemos passar uma esponja nas diferenças académicas entre estas pessoas e as que fizeram o percurso curricular comum. Não será de todo justo que seja atribuída a mesma habilitação a uns e outros. Parece-me lógico.

É neste sentido que corre a crítica ao programa em causa. E, ao contrário do que diz o Pedro Marques Lopes, não acho que seja um caso de sucesso em sentido amplo, mas sim em sentido muito restrito - o das estatísticas. Sim, um achismo, porque a política também é a nossa convicção sobre as matérias, aquilo que acreditamos ser ou não ser um caminho certo para um objectivo comum, neste caso a igualdade de oportunidades.

 

Adenda: "A avaliação externa do programa Novas Oportunidades não contemplou, até hoje, uma aferição directa da qualidade da formação ministrada no âmbito desta iniciativa, que, em seis anos, permitiu a certificação de 520 mil pessoas com diplomas do 4.º, 9.º e 12.º anos, confirmou ao PÚBLICO o investigador Joaquim Azevedo, um dos peritos que têm acompanhado o trabalho de avaliação iniciado em 2008." (sublinhados meus)



publicado por jorge c. às 13:03
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
Questões de princípio

Há alguns anos que não sei o que é a adrenalina de campanha. Talvez por ter feito muitas desde muito cedo, hoje olho para o período que as envolve e sinto uma certa repulsa. Tudo é excessivo. Mas confesso que gosto de assistir a esse excesso, à perda de discernimento, de razoabilidade e à histeria (individual e colectiva). Gostava, porém, de ser um desses arquivadores que guardam tudo para mais tarde confrontar os seus adversários com as incoerências ou com as atoardas que dizem sem pensar. Sou demasiado preguiçoso para o fazer.

No entanto, nasce por aí um lugar comum no pragmatismo eleitoralista. Diz-se que é perfeitamente natural que nesta disputa politico-partidária ataquemos os nossos adversários e se pegue em qualquer pormenor da sua campanha. Qualquer coisa serve. E quando confrontamos esses fiéis serventes com a sua falta de auto-crítica, por exemplo, é com alguma rapidez que nos respondem com a nossa falta de democracia, que o que queremos é obrigá-los a falar do que nos interessa. O entrincheiramento e a tensão criados por uma ideia errada de debate triunfaram. O princípio que está por detrás da crítica perdeu.

Tudo se prende com questões de princípio, volto a dizer. Se a finalidade da campanha é obter um resultado positivo para o nosso partido de forma a servir o país, então qualquer excesso e gesto relativista é contrário ao interesse geral. Digamos que, em campanha, o interesse do partido parece ser superior ao interesse nacional, aos valores morais e éticos. Podíamos aqui adoptar o adágio dos telhados de vidro. E ainda falta tanto tempo para esta tristeza acabar.



publicado por jorge c. às 10:08
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Sábado, 14 de Maio de 2011
Catrogadas

"A direita é sempre a direita dos interesses e da mentira". Quem terá dito isto: Jerónimo de Sousa? Carvalho da Silva? Luís Fazenda? Francisco Louçã? O puto Gualter dos eufémios? Não. Quem fez esta generalização gravíssima para o debate democrático foi Eduardo Ferro Rodrigues.

Para mim estas questões são sempre de princípio. E por princípio este tipo de generalizações são uma cretinice. Gostava de ver mais pessoas desagradadas com estas declarações infelizes. Ah, mas lembrei-me, estamos em campanha.



publicado por jorge c. às 13:11
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Fora de jogo

Há umas semanas era capaz de admitir que o único partido com uma visão política europeia e com um discurso coerente sobre a Europa era o PS. Não tenho dúvidas que será o único, pelo menos, a ter esta discussão principalmente desde os trabalhos para o Tratado de Lisboa. O Governo adoptou, desde então, uma nova linguagem com dimensão europeísta. Mas, com a crise financeira, percebemos que essa linguagem concentrava-se apenas na perspectiva económica e de uma forma bastante técnica. Ou seja, de visão estratégica e de capacidade de discussão dessa visão com os parceiros europeus havia muito pouco.

Com o aparecimento dos programas eleitorais percebemos que afinal nem o PS mantém sequer a ilusão de que tem preocupações estratégicas na Europa para além das particularidades financeiras imediatas. Os partidos portugueses parecem não estar atentos ao que se passa dentro e com o espaço Schengen. A discussão sobre a livre circulação não chegou ainda às linhas orientadoras dos partidos para governar um país inserido numa realidade política maior. O ministro Silva Pereira ainda se pronunciou sobre as pretensões da Itália e de França de alterar as regras de Schengen afirmando que o Governo não se poderia pronunciar enquanto governo de gestão. Depois disso nem uma palavra.

A Europa não é um tema da moda, é a nossa realidade política. Para além do problema actual destas alterações à entrada e livre circulação, temos um problema de indefinição de poder político que será urgente resolver e que diz directamente respeito às soluções para uma crise financeira. As lideranças portuguesas não estão para aí viradas, o que diz muito da estrutura do pensamento político em Portugal, da sua falta de visão global e da sua cultura. Votar num partido sem uma ideia clara do que pensa sobre a Europa é votar numa brincadeira.



publicado por jorge c. às 12:00
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
O ruído de campanha

Muito bem, teve piada, sim senhor, pintelhos e não sei quê. Teve piada 5 minutos. Agora começa a cheirar a ruído para desconversar. Principalmente vindo de onde vem. Nunca acredito muito na inocência nestas matérias. Dar valor a isto é ajudar a esse ruído. É um caso sem importância que muitos dramatizarão como já vem sendo hábito. É triste que assim seja. Porque olhando para trás vemos Manuel Pinho e o fim da crise, Mário Lino e a obstinação com a Ota (margem sul jamais), Almeida Santos e as ameaças terroristas nas pontes, enfim, em conjunto de catrogadas (como dizia a minha amiga Shyznogud hoje de manhã) com um impacto bem mais significativo na política do país do que uma expressão infeliz na sua forma e não no seu conteúdo. Tenham lá juízo.



publicado por jorge c. às 11:09
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011
A chantagem, a dúvida e o raio que os parta

Com os disparates consecutivos que o PSD anda a fazer, nem nos dá tempo para dizer mal do PS. Eu adoro desporto e entre correr 7 km's ou dizer mal do Partido Socialista fico sempre indeciso. E há muito espaço, atenção! O PS é o partido mais escorregadio de sempre da política portuguesa. Até o O'Neill sabia isso. E vocês também sabem, que eu sei. Nunca confiar num partido socialista cujos governos foram os que mais privatizaram em Portugal. É estranho. Ainda assim, e estando a par da malabarice nas entranhas do Rato, a malta ainda o defende porque - convenhamos, por amor de Deus - é o verdadeiro partido da esquerda democrática e republicana e séria e responsável e cuidado com o papão que ataca no armário a partir das duas, qual raparigas do Conde Redondo.

O descaramento dos socialistas a tratar as incoerências dos outros é fascinante. Sobe-se o tom, dramatiza-se um erro e está a tenda armada para o circo. Uma muito óbvia nos dias que correm é a da falta de programa. Isto como se o PS tivesse aí uma extensa proposta de resolução nacional que não a conversa de saco que apresentou em 2009 e que manifestamente não é uma alternativa à situação actual nem tão-pouco tem força revigorada para vingar a sua credibilidade. É que uma coisa é a irresponsabilidade de provocar eleições num período de ataques à credibilidade financeira do país e em que era preciso uma demonstração da força soberana, e outra completamente diferente é a sustentabilidade governativa de um executivo sem soluções e gerador de desconfiança institucional. O PS não se pode esquecer que, mais cedo ou mais tarde, o Governo caía. E caía bem. Era tudo uma questão de compassos mais oportunos.

No entanto, como se nada se passasse e estes tivessem sido os melhores 5 anos das nossas vidas, como aliás se viu naquela demonstração de culto ao Chefe no congresso socialista sem uma linha divergente, sem autocrítica, aí está o PS e os seus apoiantes independentes e imparciais a tentar convencer a populaça que se o PSD ganha é o fim do Estado Social. Ora, se para fazer uma alteração à CRP é quase preciso um tipo dar a mãe e o pai de penhor, era agora o PSD que ia acabar com o Estado Social só porque sim, porque lhes apetece. É preciso um descaramento que nem Iago teve na diabolização do Mouro. Outros Otelos, a mesma dúvida instalada.

Em rigor, estamos a assistir à mais vil chantagem psicológica feita por um partido em democracia: ou nós ou o fim. Este mesmo discurso repetido como um mantra - qual União Nacional!

E valerá a pena continuar a confiar neste discurso do PS? Não é só de Sócrates, é do PS, porque quem alinha em tudo não deixa de ser cúmplice desta aldrabice.

 



publicado por jorge c. às 11:43
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011
Outros armários

Em política, o simpatizante é o militante que não se assume, que não paga as quotas e que não se compromete. Ainda assim, o simpatizante tende a fazer menos autocrítica e mais claque. É estranho, mas acontece. É caso para dizer: saiam do armário.



publicado por jorge c. às 12:31
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Domingo, 17 de Abril de 2011
Um vício

Nobre dizia há dias que não conhecia o programa do PSD. É natural porque também não há grande coisa para além daquelas generalidades apresentadas no outro dia. Ainda assim lá vai a cabeça de lista. Eu sei que ele vai querer, sei que eles vão querer, vamos todos querer. É a tendência Primavera/Verão deste ano. Cabeça de lista is the new black.

Também Basílio Horta, que fez um like ao PS há uns dois ou três anos, vê-se agora a encabeçar listas dos socialistas por regiões damascenas, não obstante a total falta de exotismo, mas isso são outros quinhentos. O artista anteriormente conhecido como democrata-cristão preferiu abraçar a carreira no Estado da divina providência. Outros catecismos. Nada contra. Também eu sou pela liberdade individual.

Opções individuais à parte (é só curioso, nada mais) os partidos portugueses andam a ser alimentados por vícios de regime. A personalização do lugar político é um vício e dos maus, daqueles que encerram a substância eleitoral e valorizam a figura, numa lógica contrária ao que se pretende na democracia representativa.



publicado por jorge c. às 14:45
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2011
Hibernar

Com a proximidade das eleições há algo que vai crescendo a olhos vistos, algo que fica adormecido mas que quando cheira a eleições aparece logo à tona: o maniqueísmo esquerda/direita. Tenho amigos que levam isto demasiado a peito. É a histeria absoluta. Tudo é monstruoso e grave. Tudo é motivo para a mais vil das discussões. Tudo é motivo para processos de intenções. É um excelente tempo para hibernar.



publicado por jorge c. às 11:17
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Quarta-feira, 13 de Abril de 2011
Estes dois cavalheiros têm algo para vos dizer


publicado por jorge c. às 19:03
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