Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013
esta gente

Num país com outras regras, Cavaco Silva já não seria Presidente da República. As suas declarações sobre o compasso de espera para o pedido de fiscalização revelam o desprezo que tem pela sua magistratura e pela responsabilidade que tem sobre a Constituição.

Tirando meia-dúzia de tolinhos, já toda a gente percebeu que não há Presidente da República. Há um contra-presidente, um não-ser, um mono de covardia e falta de sentido de Estado.



publicado por jorge c. às 16:10
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 10 de Março de 2011
Um ponto a seu favor

Há algo que ressalta do discurso do Presidente, como já disse. Esta tomada de posse mostrou que sabemos que neste momento o PR será um desbloqueador de crise política na eventualidade de ser inevitável afastar o Governo. Isto porque o PR marcou bem uma posição ao avisar o Governo sobre a forma como este deturpa a realidade.

Analisar as palavras de Cavaco passa muito por perceber a acção de Sócrates. É que apesar do ruído dos socialistas, o mandato anterior começou com uma vontade de cooperação por parte do PR, vontade essa que foi ridicularizada e que é agora choramingada pelos próprios, na figura de Francisco Assis. Esta posição dos socialistas em relação a Cavaco é essencialmente hipócrita. Antes de Cavaco começar o primeiro mandato já os socialistas lhe viravam a cara.

Fará, assim, algum sentido a agressividade política de Cavaco? Julgo que sim. Estamos a falar de um Governo que negou a crise financeira através do seu Ministro da Economia quando ela estava a explodir; um Governo que logo depois de falar em recuperação iniciava um novo plano de austeridade; um Governo que não assume responsabilidades quando confrontado com as exigências da política europeia a que está vinculado. Estas questões não são de menor importância. Se não é possível falar da crise nacional sem mencionar a internacional, tal como foi repetido ontem até à exaustão e foi motivo suficiente para os socialistas chamarem antipatriota a Cavaco, também não é possível colocar Portugal num cenário de crise internacional sem responsabilizar a sua governação.

Posto isto, é evidente que o PR tem de assumir uma postura dura e crítica em relação ao Governo mesmo que, no limite, isso implique uma medida mais drástica. Ontem ficou mais ou menos claro que é esse Presidente que temos.



publicado por jorge c. às 09:45
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Um discurso curto

Confesso que tenho alguma dificuldade em perceber o que se passou hoje na tomada de posse do Presidente da República. O ruído e o spin que se fizeram sentir durante o dia abafaram um pouco a natureza do discurso e até, de certo modo, a sua forma.

Não restam dúvidas que é um discurso amargo e crítico. Mas é evidente que o Presidente da República é um órgão de natureza política e que a sua posição é - isso mesmo - política. Deve sê-lo, principalmente num período de alguma instabilidade institucional e de descontentamento social. O PR deve mostrar que a sua função tem uma ideia política e força que lhe dê eficácia. Resta saber se essa posição foi assertiva.

O discurso de Cavaco Silva centrou-se nas dificuldades económicas que o país atravessa. Não obstante a responsabilidade das governações na situação económico-social, também não se pode empalidecer a influência e o peso que a economia internacional, nomeadamente as políticas europeias e os mercados secundários, têm na nossa realidade. Cavaco não assume este facto. Não o fez em campanha. E este é um problema da soberania, logo, o Presidente não pode esconder isso no seu discurso quando a sua preocupação é o país como um todo.

Julgo que lhe faltou alguma sensatez, o que condiciona o impacto de uma chamada de atenção ao Governo, passando apenas por mau estar institucional ou até mesmo guerra aberta. Não podemos esquecer que a execução orçamental tem de ser um dado adquirido. E esse equilíbrio não foi manifestamente conseguido.



publicado por jorge c. às 00:38
link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011
Figadeira

Sócrates: um Presidente não deve falar em crises políticas.

 

Não foi o único a referir-se ao tema nestes termos. Tal como Sócrates, há uma certa mentalidade que parece não compreender muito bem as funções da Presidência ou só as compreende quando é conveniente. À conveniência em matéria de princípios chamamos relativismo - uma velha tradição francesa da qual o socialismo europeu é particularmente fã. Ou refém.

Mas, regressemos ao tema e ao argumento falacioso. O Presidente da República pode e deve falar em crises políticas, principalmente quando elas estão latentes e a objectividade e a segurança institucionais são demasiado importantes para que o Estado não caia em desgoverno. Há crises políticas bem mais graves do que a dissolução da Assembleia da República.

Assim, compete ao Presidente da República mostrar que não se demitirá das suas responsabilidades num cenário de crise política (que pela Europa fora parece ser uma realidade cada vez mais presente) e ao mesmo tempo tentar evitar que ela aconteça cooperando com o Governo para o interesse nacional. Ora, se o Governo não se mostrar cooperante para o interesse nacional e tiver uma narrativa diferente do resto do país, é natural que nessa altura o PR actue em conformidade. Parece-me uma realidade política mais do que óbvia e legítima.

Tentar evitar uma crise política e saber o que fazer no caso dela se tornar inevitável não são dois discursos desconexos e incongruentes. Muito pelo contrário, são o mesmo discurso - o da responsabilidade e do conhecimento das funções da Presidência.

 

Agora sim, estou a fazer campanha e a falar de matéria eleitoral.



publicado por jorge c. às 11:36
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 22 de Junho de 2010
Sobre a suposta polémica de Cavaco

Sejamos claros. Saramago não é apenas uma figura do universo literário. Teve também uma importância fulcral no debate político e foi um interveniente activo, um agente provocador e muitas vezes foi infeliz nas suas declarações. O Presidente da República tem um cargo político e como tal deve ter a possibilidade de optar e não compactuar com questões que considera contrárias aos seus princípios, sem hipocrisias.

A polémica gerada em torno deste episódio revela a incapacidade transversal de discernir entre as diversas circunstâncias.

No entanto, sou da opinião que a relevância de Saramago na língua portuguesa é superior à sua intervenção política e que é nessa qualidade que o PR deve representar o Estado. Foi uma opção que julgo ter sido errada, mas não suficiente para tanto vuvuzelamento.

 



publicado por jorge c. às 11:32
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar


Um blog de:
Jorge Lopes de Carvalho mauscostumes@gmail.com
pesquisa
 
arquivos

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

tags

todas as tags

blogs SAPO
visitas
subscrever feeds