Sexta-feira, 17 de Junho de 2011
Nos olhos de Wenders a cabeça da Bausch

 

 

Procuramos sempre alguma coisa. Um telemóvel, uma cerveja, uns trocos, uma palavra, uma linguagem, um amante, a memória, a vida, a morte. Em cada momento da nossa procura o nosso corpo reage. Pina Bausch procurava a expressão do corpo, a reacção do corpo e a criação da linguagem que o corpo pode exprimir em reacção à procura. Mas não é da Bausch que quero falar e sim de Wenders.

Apaixonei-me por Wim Wnders há muitos anos quando o encontrei na sua História de Lisboa (prefiro a tradução literal). Fiquei viciado no discurso de Winter, no seu realismo sobre a arte e sobre o homem, aquele fool on the hill. Desde então não parei de o visitar para trás e para a frente. Porque Wenders também procura a reacção e aquele silêncio intimista que está na inquietação dos homens e tudo o que os faz reagir.

Nunca esperei vê-lo em cima do palco a filmar para 3D cada gesto, cada movimento que vivia desenhado na cabeça da Bausch. Foi como um bailado perfeito entre os dois. Agora, ali mesmo à nossa frente, mesmo no último dia de exibição, estava tudo isso perfeitamente filmado e documentado para sempre. Para nós, como quem diz: tomem o pormenor que nunca puderam ver.

Obrigado.


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publicado por jorge c. às 22:49
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Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
Home

Em Grande Hotel, de Lotte Stoops, Berta, a mulher que podemos ver e ouvir logo no início do trailer, diz-nos que se "saudade" é uma palavra exclusivamente portuguesa, então "home" será uma palavra exclusivamente inglesa. Nenhuma palavra pode descrever o significado de "home": esse lugar onde nos sentimos confortáveis, cúmplices e parte integrante; esse lugar onde a linguagem é inteligível, onde nos entendemos e onde somos naturalmente solidários.

Para Berta, não foi regressar a Portugal, mas deixar esse útero e chegar a um sítio estranho. Apesar de não o compreender, passados tantos anos, sabe que não há outra solução. Mas não lhe peçam para aceitar e fazer de conta que é forte e que está tudo bem. Longe dessa casa nunca se estará totalmente bem, mesmo que qualquer tábua sirva de cama.

 



publicado por jorge c. às 20:17
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Sábado, 12 de Fevereiro de 2011
The brother man in the mother land

 

Jazar: How long is your phallus, Mr. Shaft?

Shaft: My what?

Jazar: Your cock?

Shaft: Baby, by now it's shrunk down to 20 inches.

 

-

 

Zubair: You know how to ride camel?

Shaft: No ride camel. Ride ass!

 

-

 

Wassa: Where did you study stick fighting, Mr. Shaft?

Shaft: Conducting the New York Philharmonica.

Wassa: The Emir will be pleased. Also by the fact that you're already circumsiced.

 

-

 

Emir Ramila: How good are you with a stick?

Shaft: Cat named Shaft ain't gonna be bad with a stick.

 

-

 

Shaft: [looking at a naked prostitute] No wonder they call Africa the mother country! Mama, I ain't gonna fight it.


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publicado por jorge c. às 11:40
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Ainda Black Swan

Há uma frase do Chesterton no Tremendas Trivialidades de que gosto bastante e que tenho citado muito: "O mundo nunca morrerá à fome por falta de maravilhas, mas apenas por falta de se maravilhar." Foi isto que pensei com as críticas que ouvi a Black Swan. Quer dizer, primeiro pensei "estúpidos" e só depois é que pensei com erudição. É sempre assim, primeiro somos grosseiros e depois é que vem a erudição, excepto com aquelas pessoas que escrevem nos blogs colectivos de esquerda com rigor científico que são muito chatas.

Mas, dizia eu, as críticas que tenho ouvido são bastante incompreensíveis porque partem de premissas erradas. Primeiro, o filme é previsível. Ora, nem todos os filmes têm um twist, mas acho curioso que se diga isso em relação à relação de Nina com os outros e não com ela própria. Segundo, a temática é um cliché psicológico (diz o meu amigo Rodrigo, mais assertivo). Sim, talvez, mas também o foram o Dr. Jekyll and Mr. Hyde, o Shinning ou The Rise and Fall of Ziggy Stardust e muito mais coisas desde o início dos tempos, certamente. O homem tenta compreender e discutir a sua mente através de processos criativos e a partir de realidades novas. E é precisamente na abordagem que está a novidade deste filme. Tem se visto algo relativamente próximo em Sofia Coppola e a dimensão interior das suas personagens. São coisas simples e se calhar chatas para quem quer ver apenas filmes complexos com grandes twists. Assim sendo, teríamos o mundo entregue a Fincher. Mas, na simplicidade também reside a beleza. É isso que Chesterton pretende dizer com aquela frase.

Entretanto, vi o Shaft em África - The brother man in the mother land. Talvez assim percebam melhor o que quero dizer.



publicado por jorge c. às 11:13
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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011
O Cisne Branco

Quando Tchaikovsky compôs o Lago dos Cisnes, fê-lo com a intenção de criar uma tragédia, mais do que um simples drama, tal como lhe fora encomendado pelo Bolshoi. Esta é a altura de grande crescimento do ballet nas artes do espectáculo. Havia que colocá-lo ao lado do Teatro e torná-lo sublime e transcendente. Para o compositor russo, essa função colocar-se-ia não nos momentos mais trágicos da peça, mas sim nos mais delicados, porque seria precisamente da fragilidade que nasceria a hipótese da perversão.

O mais difícil na vida é ser o cisne branco correndo sempre com uma imagem cândida sob a ameaça de um cisne sedutor e, lá está, perverso. Concorrer com o lado obscuro dos outros é, à partida, uma derrota certa que causa uma frustração tão grande na mais profunda das bondades que a tragédia se torna o final mais evidente. Esta relação clássica entre o bem e o mal está presente na cultura da maioria das civilizações. As relações amorosas são sempre uma boa solução para metaforizar essa disputa, pois a elas está naturalmente agregado o núcleo mais instintivo das emoções, mas não são o problema em si.

Em Black Swan (2010), Aronofsky dá a essa disputa uma face unilateral que cria em si mesma um dilema. Deixa de haver dois lados e a problemática está apenas numa personagem que se debate com os seus próprios demónios. Julgo estar tudo numa frase de Thomas Leroy (Vincent Cassel): "The only person standing in your way is you". Sendo que a tónica é esta, Aranofsky vai explorar todo o universo possível á sua volta sem se concentrar muito numa única causa do dilema. O realizador percebe bem que os problemas psicológicos são muito alimentados pela sociabilização e que isso será condicionante de comportamentos futuros.

Assim, não são só os elementos estéticos ou a brilhante prestação de Portman que fazem deste filme um soco no estômago. As tensões criadas com a sonoplastia reforçando a tendência persecutória ou a própria disposição da narrativa, sempre muito nebulosa apesar da aparente evidência, dão a este filme uma grandeza que exige alguma sensibilidade.

Nina (Natalie Portman) não está ali para ser o Cisne Negro. Ela está ali para ser o Cisne Branco, a sua fragilidade, os seus dilemas e as consequências da sua corrupção.  Nina não quer ser o Cisne Negro, ela quer conseguir executá-o e, nessa necessidade de ser o que não se é, ela vai agudizar uma dor antiga que estava ali escondida, mas que, no fundo, sempre existiu - um cisne branco que acumula demasiados demónios. Porque é nessa existência escondida que está a natureza do filme e é isso que o torna absolutamente belo.


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publicado por jorge c. às 10:23
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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011
Sou uma pessoa que gosta de arte


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publicado por jorge c. às 15:44
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Segunda-feira, 7 de Fevereiro de 2011
super bowl goes to hollywood



publicado por jorge c. às 01:36
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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011
dar e receber

 

Doente, fico em casa a tentar não piorar. É o que andamos todos a fazer, no fundo. Na televisão, revejo Good morning, Vietnam! Já não me recordava de como é um filme sobre o belo, sobre a generosidade - a de dar e a de receber. Já me tinha esquecido que este era um dos meus filmes de eleição por causa dessa simplicidade.

 


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publicado por jorge c. às 18:26
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Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011
deus

 

A melhor prenda da semana from my own private godess.


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publicado por jorge c. às 13:00
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Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010
É isto, é isto!


publicado por jorge c. às 10:15
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Domingo, 14 de Novembro de 2010
Quentin

Ontem à noite, fiquei a ver Pulp Fiction com uma recente fã de Tarantino. Não revisitava o filme há quase dez anos. Está lá tudo.

 


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publicado por jorge c. às 13:49
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Sábado, 31 de Julho de 2010
A tridimensionalidade em Nolan

Chris Nolan tem a capacidade de criar em três elementos distintos e interdependentes: narrativa, cenário e mensagem. A interligação entre os três elementos, deveras complexa, é feita com o rigor de quem está empenhado em fazer cinema. Pois é  disso mesmo que estamos à espera, que se faça cinema.
Em Inception (2010), Nolan vai reunir consequências das suas experiências anteriores e contruir uma narrativa complexa, não em puzzle, mas sim em lego, onde todos nos sentimos integrados e na linha da frente do conhecimento dos factos que se vão construindo por força das circuntâncias.
Para isso, e através do tema principal, constrói uma cenografia que se altera e que projecta sempre o peso característico dos sonhos, o incómodo da alteração física dos espaços que nasce, de certa forma, com a ideia de que não sabemos muito bem como chegámos ali.
Com a forma e a matéria bem estruturadas consegue, então, tornar o enredo consistente e escorreito para chegar assim a uma moral. Acontece que a moral em Nolan está em vários lugares. E pode, também, não ser apenas uma. É o cinema a projectar a complexidade dos tempos e a tentar equilibrar forças, tal como Artaud falava do Teatro em relação à sua origem.
A única coisa que chateia em Inception é a banda sonora. Música de suspense exagerada e completamente ultrapassada. Tem muito que aprender com Scorsese, nesse capítulo.


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publicado por jorge c. às 12:03
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