Terça-feira, 13 de Maio de 2014
do ódio ao desconhecido

Será com muita dificuldade que um programa de debate na televisão consiga esclarecer alguém para lá da mera heurística sobre qualquer matéria. O de ontem, sobre a tauromaquia, não foi excepção. Para além de ser um tema de guerrilha urbana, é um assunto complexo, que envolve factores culturais e identitários endógenos. A ancestralidade do culto tauromáquico não nos merece a leviandade de uma discussão pouco esclarecida e ainda menos esclarecedora.

Se é verdade que a tradição não legitima qualquer actividade por si só, não é menos verdade que o progresso não tem de ser o estrangulamento daquela, a tábua rasa da história dos povos. E se muitas vezes o conservadorismo ganha contornos reaccionários, pouco esclarecidos, também acontece o progressismo exceder-se em tiques pós-modernistas, sem referências, sem cultura, cínico e alimentado por uma ideia de urbanidade que ignora a vida no campo.

A diferença entre as duas vivências é abissal. A espiritualidade que advém de cada uma tem origem em fenómenos identitários dissonantes que apenas se reúnem num mesmo indivíduo cuja sensibilidade foi sendo preparada ao longo do seu próprio desenvolvimento. Não quer isto dizer que tal faça de alguém mais ou menos sensível, melhor ou pior. Quer antes significar que há, por vezes, mais disponibilidade para observar o mundo.

O grande problema da pós-modernidade é, precisamente, a urgência, a efemeridade, a falta de tempo para contemplar e reflectir, para compreender, discernir e, sobretudo, para sentir. Não conseguindo compreender, opta-se pela tentativa de destruir. É esse o génio da multidão, como diz o grande Bukowsky.

 



publicado por jorge c. às 09:36
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
A Turista - let england shake

Se o Reino Unido (RU) é o Estado-membro da UE mais sui generis, então esta visita da Rainha é particularmente interessante para toda a União, não só pela paz social, como também pela narrativa do RU para o futuro em relação a tudo o resto - à sua relação com os outros.

Não deixam de ser apenas dois dias de visita oficial para já (100 anos depois), mas já deu para perceber que não passará muito deste registo turístico e paternalista, diria, até. Quatro dias ao todo de uma visita que se esperava mais relevante e expressiva. Por isso não deixa de ser curioso este artigo no Belfast Telegraph, por Charles Lysaght, que mostra a simpatia que os irlandeses têm por Elizabeth e o desprezo - quando não raiva - pela Coroa que representa.

Portanto, cingindo-me ao que diz Lysaght para os irlandeses seria mais simpático uma visita a título pessoal da Rainha (causal, de ténis, quem sabe) do que uma visita oficial que pode não ter qualquer impacto numa solução histórica e é completamente fútil, vindo apenas agravar tensões que têm desaparecido em grande escala, com o tempo. O autor sugere ainda que esta visita deveria ser acompanhada de uma cedência britânica para que marcasse efectivamente um papel na História, e não este passeio de turista oficial, de traje clássico, como se o tempo tivesse parado 100 anos e a Coroa viesse ver as terras.

 

 

 

"until the day is ending, 
& the birds are silent in the branches, 
& the insects are courting in the bushes, 
& by the shores of lovely lakes 
heavy stones are falling."

 

pj harvey



publicado por jorge c. às 10:44
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