Quinta-feira, 22 de Maio de 2014
you gotta get out more


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publicado por jorge c. às 13:33
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os que te querem bem

Há uns anos, Brian Warner foi acusado pelos movimentos conservadores americanos de ser um dos responsáveis pelo famoso massacre de Columbine, porque os seus autores seriam seus fãs. Warner explicou, na altura, que o problema nuclear estava na política de uso e porte de arma nos Estados Unidos e não na sua música. Ao longe, será fácil compreender o artista e defender a irreverência e o seu estilo. Entende-se o que é uma manifestação artística se formos ao seu encontro e não nos deixarmos impressionar pelo primeiro impacto.

Talvez seja mais óbvio se eu disser que Brian Warner é, também, Marilyn Manson. A própria escolha do seu nome, bem como dos outros elementos da banda, foi feita com base numa dialética: a beleza e o sonho americano representados pelo icon Marilyn Monroe e o lado negro da condição humana representado pelo tenebroso Charles Manson.

Em Portugal, há cerca de 25 anos, conhecemos uma personagem muito semelhante. Adolfo Luxúria Canibal é um artista reconhecido não só pelos seus pares mas, por todos os que pararam para o ouvir dentro e fora do palco. Quem o fez teve a oportunidade de perceber como é possível encenar rock'n'roll. Lembro-me bem quando no início da década de 90, a propósito do sucesso de Mutantes S-21 - o seu disco mais mediático -, o aparecimento de Adolfo nos media provocou um choque nas almas mais sensíveis. Ai que nome horroroso! Era natural, num país ainda massacrado pela falta de percepção artística e ainda receoso do avant-garde, que se estranhasse toda aquela mise-en-scéne dos Mão Morta. Mas com o passar do tempo, e em particular com o extraordinário Müller no Hotel Hessischer Hof, o país foi percebendo o artista e passou a respeitá-lo. Adolfo contou um dia uma história caricata. Já muito depois de Mutantes S-21 ser lançado, foi confrontado com um fã que tinha visitado as cidades descritas nessa obra-prima porque - e passo a citar - "não viu nada daquilo". O artista tentou explicar que o disco era sobre experiências individuais e era, fundamentalmente, uma obra artística inspirada nas cidades e no ambiente que ele teria sentido aquando de viagens feitas na sua juventude.

Em 2014 há quem ainda prefira apostar na literalidade e nos processos de intenções. Nunca esperaria isso, porém, de Ferreira Fernandes e fiquei muito triste quando li esta crónica. Não me espantaria que gente que lê por obrigação ou por entretenimento fizesse um juízo tão básico; gente que nunca entrou num teatro ou viu um filme sem se queixar da "falta de história"; gente que olha para Pollock e vê rabiscos; gente que diz que o jazz lhe faz confusão aos nervos; que a poesia é coisa de maricas e lamechas. Não, não é esse o tipo de pessoa que vejo em Ferreira Fernandes. Mas, hoje, muito sinceramente, pareceu. E foi horrível.

 

 



publicado por jorge c. às 08:45
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Terça-feira, 13 de Maio de 2014
do ódio ao desconhecido

Será com muita dificuldade que um programa de debate na televisão consiga esclarecer alguém para lá da mera heurística sobre qualquer matéria. O de ontem, sobre a tauromaquia, não foi excepção. Para além de ser um tema de guerrilha urbana, é um assunto complexo, que envolve factores culturais e identitários endógenos. A ancestralidade do culto tauromáquico não nos merece a leviandade de uma discussão pouco esclarecida e ainda menos esclarecedora.

Se é verdade que a tradição não legitima qualquer actividade por si só, não é menos verdade que o progresso não tem de ser o estrangulamento daquela, a tábua rasa da história dos povos. E se muitas vezes o conservadorismo ganha contornos reaccionários, pouco esclarecidos, também acontece o progressismo exceder-se em tiques pós-modernistas, sem referências, sem cultura, cínico e alimentado por uma ideia de urbanidade que ignora a vida no campo.

A diferença entre as duas vivências é abissal. A espiritualidade que advém de cada uma tem origem em fenómenos identitários dissonantes que apenas se reúnem num mesmo indivíduo cuja sensibilidade foi sendo preparada ao longo do seu próprio desenvolvimento. Não quer isto dizer que tal faça de alguém mais ou menos sensível, melhor ou pior. Quer antes significar que há, por vezes, mais disponibilidade para observar o mundo.

O grande problema da pós-modernidade é, precisamente, a urgência, a efemeridade, a falta de tempo para contemplar e reflectir, para compreender, discernir e, sobretudo, para sentir. Não conseguindo compreender, opta-se pela tentativa de destruir. É esse o génio da multidão, como diz o grande Bukowsky.

 



publicado por jorge c. às 09:36
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Sábado, 28 de Abril de 2012
A Origem da Tragédia

Não obstante a minha necessidade de expressar opiniões sobre a dinâmica política, e porque sou um génio da circunstância vs. cultura, irei ocupar-me, nos próximos tempos, de uma doutrina sobre o Rock'n'Roll. Tratá-lo-ei como um afecto, expondo defeitos e virtudes mas, sempre com o amor que dedicamos aos amigos. Sobretudo isso: dedicação.

São hoje, já, cerca de 25 anos de percepção do Rock. Porém, não é a natureza da minha paixão que deverá importar neste formato mas, sim, a qualidade de um empirismo feito de consciência crítica, nascida de percepções inequivocamente condicionadas.

Poderia começar pela clara diferença entre o Rock americano e o Rock britânico. Porém, seria injusto, pois que o Rock britânico, para além da sua inetvitável natureza tradicional, conheceu origem na música tradicional americana. Uma pescada de rabo na boca? Talvez. Mas se é nos Beatles e nos Stones que ela se torna inquestionável (sem cronologia), a dúvida perde qualquer significado. A multiculturalidade da natureza americana fez o Rock'n'Roll.

Tamanha cultura multicultural acaba exposta, a meu ver, numa banda: Queens Of The Stone Age. É disto que irei, fundamentalmente, falar nos próximos tempos: a mais imperfeita e fundamental banda do Rock Contemporâneo.



publicado por jorge c. às 03:28
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Quarta-feira, 21 de Março de 2012
um homem diferente de todos os outros homens

 

via funes



publicado por jorge c. às 00:11
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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
Responsabilidade Institucional

Vasco Graça Moura decidiu, sabe-se lá bem por alma de quem, que o seu CCB não iria aplicar o novo Acordo Ortográfico. Vamos por partes.

 

Em primeiro lugar, não se trata de estar, ou não, de acordo com o novo acordo. O que está aqui em causa é se existe ou não legitimidade, de alguém que assume um cargo público, para decidir que determinada instituição não aplica uma regra que o Estado assume como estratégica. Imaginemos, agora, que um professor, um médico ou um juiz decidem não aplicar uma regra definida pelo Estado... Pois.

 

Nenhuma convicção pessoal pode subverter aquilo que o Estado, legitimamente representado, define como estratégia política, a não ser a de um governo eleito que decida alterar essa mesma estratégia. Vasco Graça Moura representa uma instituição. Ele não é a instituição. A instituição rege-se por aquilo que o Estado define.

 

Por último, a discussão sobre o Acordo Ortográfico não pode ignorar a relevância que tem uma uniformização de uma linguagem que abrange centenas de milhões de pessoas. Não hoje, em 2012, e num mundo com as características que ganhou. Uma vez mais, podemos estar a favor ou contra. No entanto, é mais do que lógico que, ao desenhar uma estratégia política desta natureza, todas as instituições que representam o Estado sejam coerentes com ela. É a isto que se chama responsabilidade institucional. 



publicado por jorge c. às 19:59
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Domingo, 27 de Novembro de 2011
Do património imaterial

Andamos há quanto tempo a questionar o que é e o que não é cultura? Entre eruditismos e popularismos, a cultura deverá ser algo como um património material e imaterial de uma determinada realidade circunscrita e que representa os hábitos e tradições de um determinado colectivo. Não será uma definição rigorosa, é certo, mas, ajuda a compreender a relevância do seu reconhecimento enquanto fenómeno identitário. A cultura será, portanto, a forma como um certo grupo percepciona e representa a sua realidade ao longo do tempo. É uma linguagem.

Não obstante ser um país com características culturais muito interessantes, Portugal não tem uma marca cultural imaterial forte. Ao longo da sua História negou-se a preservar esse património, nomeadamente no séc. XX onde a arte foi confundida transversalmente (diabolizada ou instrumentalizada) com as ideologias - imediatismos que nos fizeram perder alguma consistência. A intelectualização do património cultural popular foi, por isso, fudamental. Para que a cultura popular sobrevivesse foi preciso que as elites a valorizassem. Ainda assim, são poucos os elementos artístico-culturais reconhecidos como uma marca. O Fado será, talvez, o mais representativo, a par do Vinho do Porto.

Enquanto fenómeno artístico, o Fado é um excelente paradigma cultural, na forma de representar a percepção de uma realidade. Não querendo entrar em grandes análises antropológicas, as quais não domino, será mais ou menos consensual que não haverá grande diferença nos sentidos e nos sentimentos dos homens. Talvez seja apenas a experiência desses sentidos - o empirismo - que muda na percepção da realidade. É precisamente aí que nasce a causa da arte e da cultura. O Fado será, assim, a forma como um determinado colectivo sente a sua realidade, assim como o Blues, o Flamenco, o Semba e por aí fora o serão das suas próprias realidades. É a linguagem que muda e que constitui, desta forma, um contributo para o enriquecimento e diversidade das civilizações e, em bom rigor, da humanidade.

Vimos, então, por que razão é importante reconhecer o património cultural das nações. Vejamos agora, também, a importância de ser reconhecido.

A dimensão de um país depende, hoje, da forma como é visto pelo exterior. Não citarei Spínola mas, se é importante contribuir para uma aproximação e harmonização dos povos - o lado positivo da globalização - também é importante que esse contributo seja a partilha da cultura de cada um. Vivemos do Turismo, mas não basta. O nosso desenvolvimento e a nossa credibilidade também se fazem da forma como tratamos o nosso património. O reconhecimento do nosso património imaterial é, ao mesmo tempo, o reconhecimento do nosso desenvolvimento e da nossa disponibilidade para sustentar a nossa própria identidade.

Não é preciso fazer disto patriotismo serôdio. Também não é preciso tornar isto num complexo de provincianismo. Se há factores culturais que são relevantes na nossa identidade, então devemos trabalhá-los e promovê-los, torná-los mais competentes e marcantes, separar o trigo do joio, inseri-los nos manuais e fazer deles um elemento da nossa dimensão social.


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publicado por jorge c. às 13:46
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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011
É artista, coitadinha

Quem perdeu isto no Sábado, nem sabe o que perdeu, como se diz por aí. Não só a Ana é um caso à parte de personalidade artística como, também, um caso à parte de outras situações, inclusive.

 

Curte lá a tag, Vidigal: cultura! cultura!


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publicado por jorge c. às 12:08
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011
Os zangados

Como era o mundo antes da internet? Muitos de nós parecem ter-se esquecido. Só isso explica que um conjunto de pessoas possa, hoje, manifestar uma homenagem ou um desconforto sobre uma personalidade, publicamente, e ainda ter direito a uma resposta (quando nem se perguntou nada) ao estilo mais ressabiado "agora toda a gente conhece o, ou a, não sei quem".

Ontem aconteceu um fenómeno extraordinário que os mais desatentos não repararam. Durante todo o dia falou-se no desaparecimento de uma personalidade, um empreendedor, de obra reconhecida e de grande valor sócio-económico e, até, cultural. Foi um reconhecimento global feito por milhões de pessoas, a grande maioria delas através da internet.

No mesmo dia, um ilustre desconhecido, Tomas Tranströmer, nasce para o mundo, premiado pela sua desconhecida obra poética. Mais uma vez, "agora toda a gente conhece o...". De repente, milhões de pessoas ficaram a conhecer uma pessoa nova, ao mesmo tempo, e ganharam a oportunidade de descobrir o valor da sua obra. A sua melhor reacção é criticar o vizinho do lado por uma aparente falsidade?

O desaparecimento e o nascimento de duas obras feitas por dois homens de áreas completamente diferentes e a possibilidade de serem divulgadas pelo mundo todo. Desde quando é que deixámos de nos maravilhar?



publicado por jorge c. às 10:36
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Sábado, 9 de Julho de 2011
Não há tempo

Quando as referências começam a desaparecer, começamos a temer que algo de bom se perca, uma orientação, uma estrela. Há qualquer coisa de espiritual nas nossas referências. Olhamos para elas como criaturas abençoadas pela clarividência ou pela transcendência. E, nesse sentido, tem sido uma semana negra.

Hoje, vejo partir um homem que muito me ensinou. Mais do que a música que fez, da qual não sou propriamente um fanático, Jorge Lima Barreto foi o meu guia espiritual na compreensão da música, da sua história, da sua estrutura, da sua estética e da sua sociologia. Foi ele que me ensinou a pensar na música popular como um fenómeno sociológico e a abstrair-me dos hypes e dos underdogs para identificar aquilo que é verdadeiramente criativo.

Da sua obra, destaco a Anarqueologia do Jazz e Rock & Droga. Nestas duas obras compreendemos a importância da música popular na cultura civilizacional contemporânea. Lima Barreto foi um visionário e, mais do que isso, um pedagogo, apesar de incompreendido e pouco divulgado. Dizia-se que os eruditinhos da musicologia tinham renegado Lima Barreto por não considerarem a música popular contemporânea uma arte digna de ser estudada. Se assim foi, perdemos todos muito com essa ignorância e preconceito. Mas mais perdemos com o desaparecimento desta figura ímpar da nossa cultura, o eterno companheiro de Vitor Rua por esses becos sinistros e obscuros da música, da estética... enfim, da arte.

Não há tempo.



publicado por jorge c. às 15:07
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Domingo, 26 de Junho de 2011
No fundo do mar

Não sei o que está na fronteira entre os sonhos e a fantasia. Sei, porém, que a fantasia é metafórica e que nos ajuda a crescer, a pensar em abstracto, a desenvolver a nossa percepção e os mecanismos para construirmos a nossa própria escala. Poucos são os que, a partir de uma narrativa fantástica, criam um factor pedagógico. A grande maioria prefere a infantilização. Por cá, tivemos a sorte de ter Sophia e José Gomes Ferreira.

Dos sonhos, desse lugar mais utópico de que mágico, ficamos com pouco mais do que uma idealização. O sonho embala as ideias e é, quase sempre, uma pretensão egoísta. Mas, deles podemos tirar uma estética terna, melíflua, ao mesmo tempo que negra e nublosa.

Nas "Histórias da Terra e do Mar", Sophia misturou estes dois universos, sem branduras. Gomes Ferreira fez o mesmo no "João Sem Medo". Até na fantasia existe adversidade e pode haver uma cortina de fumo - um sonho onde descobrimos a claridade. É algures nessa pedagogia que está a tal fronteira tão difícil de encontrar e que nos seduz, que nos leva à música, às letras e à encenação. Ora, não é fácil imaginar o imaginário que já por si só é tão perfeito. Representar qualquer um destes autores torna-se uma tarefa hercúlea.

Podemos, contudo, juntar dois ingredientes improváveis e fazer do imaginário uma representação fiel da fantasia e do sonho, recorrendo ao mais belo dos minimalismos. Foi precisamente este espectáculo que o Teatro S. Luiz montou, de forma muito feliz, com Bernardo Sassetti e Beatriz Batarda.

É como um bailado entre os dois universos. A irreverência ternurenta de Batarda contando a história da Menina do Mar, alimentando a fantasia, dizendo todas as palavras e todas as onomatopeias com a fragilidade e a delicadeza que isso importa. A cortina de sonhos enrolados e escuros como um coral sombrio no fundo do mar que nasce dos gestos leves de Sassetti - um nevoeiro constante que mistifica a rotina - desnorteia-nos e adormece-nos o adulto.

Às vezes temos a sorte de encontrar estas conchas com pérolas que iluminam a nossa memória, e voltamos a ser o rapazinho que em frente à janela fantasiava os sonhos nas árvores, nas casas, nas pessoas, nos carros. Talvez fosse isso que Pessoa quisesse dizer com "os beijos merecidos da Verdade".



publicado por jorge c. às 23:07
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Segunda-feira, 13 de Junho de 2011
Antes de postar leia

Pessoa é um dos autores mais massacrados de sempre. Ou é vítima de citações oportunistas, ou é vítima dos maus fígados dos chatos, ou é usado e abusado por milhares de pessoas todos os dias para quem a poesia e o dia da mãe estão intrinsecamente ligados. Há até quem tenha orgulho em dizer "nunca li" como que afastando essa coisa das massas. Do desprezo absoluto ao poemazinho no blog, podemos ficar sempre estupefactos pela debilidade cultural que paira por aí.

 



publicado por jorge c. às 19:26
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
Informação vs Conhecimento

Julgo que foi Steffen Giessner que falava, há precisamente uma semana, de como a informação não é por si só cultura. Frank Zappa também já o tinha dito, curiosamente. Parece uma coisa bastante óbvia, mas é ao mesmo tempo um flagelo. O conhecimento wiki, superficial, linkado, é hoje uma das maiores evidências na web. Dou o exemplo do twitter, onde apanhava constantemente um cidadão a fazer a revista de imprensa de jornais todos os dias, logo pela fresquinha, com links de 5 em 5 segundos. Há aqui quase uma impossibilidade cósmica de conseguir ler pouco mais do que as parangonas. Esse exibicionismo existe e muito.

Mas regresso a este tema porque me parece claro que há hoje uma marca de água do excesso de informação e a falta de cultura ou conhecimento, como preferirem. A economia é um assunto quase paradigmático nesse sentido. De um já ultrapassado "É a economia, estúpido!" passámos a um mais sofisticado "leio Krugman, logo sei de economia" ou "vi o inside job, logo compreendo a crise". Todos parecem ter bastantes certezas sobre uma ciência que nem sequer é exacta. Mas como explicava Roubini no outro dia, os problemas da crise são complexos e não se cingem a fórmulas milagrosas. É necessário compreender a natureza, a estrutura e a evolução do objecto para lhe determinar um diagnóstico. Depois disso será preciso compreender a contextualização e a subjectividade social e cultural desse mesmo objecto para construir uma solução ou algumas soluções possíveis com as devidas consequências.

Ora, no meu entender, Krugman não faz este exercício e não avalia as consequências do seu próprio exercício. Esse não tem dimensão política subjectiva e, portanto, ignora um conjunto de realidades que saem da esfera económica. O que faz sentido no seu universo, mas que não deveria fazer para nós que temos uma percepção diferente da realidade. Não quero, de forma alguma, subvalorizar o papel de Krugman. Quero apenas chamar a atenção para um problema de superficialidade no debate político comum, de futilidade até, diria, com base em algo que se leu e que se entende como um dogma em si mesmo. A assertividade das ideias decoradas não faz necessariamente com que compreendamos o meio.



publicado por jorge c. às 09:29
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2011
La cogida y la muerte

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publicado por jorge c. às 12:19
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011
Sociologia II

Neste dia em que passam 17 anos (17 anos, santo deus!) da morte de Cobain recordo-me da importância sociológica da música popular contemporânea. Ela é e será sempre a expressão mais fiel de uma determinada geração, ou uma parte cultural significativa onde, para além das habituais frustrações, receios, ansiedades adolescentes, existe um sentido crítico, uma estética e um enquadramento que reflectem uma narrativa social própria de um grupo específico. Não tem necessariamente de ser explicito. Mas Cobain foi pornograficamente o grande autor da sua geração, o cronista daquele tempo, um génio de sociologia.

 



publicado por jorge c. às 18:08
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Quinta-feira, 31 de Março de 2011
herbonmania



publicado por jorge c. às 17:27
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Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011
A música portuguesa se gostasse dela própria

Não me recordo onde ouvi Fernando Tordo dizer que os putos tocam o que ouvem na rádio. Nada mais verdade, se entendermos "rádio" como um símbolo da difusão cultural da época. Tal como eu, milhares de pessoas da minha faixa etária, e até das que estão à volta (permitam-me este exercício de egocentrismo) cresceram sob uma forte influência da cultura anglo-saxónica. Talvez mais do que qualquer outro grupo etário, aquele em que me incluo levou com uma dose grande da cultura popular britânica e americana. A partir desse momento, a expressão cultural, o raciocínio artístico ou a linguagem criativa têm uma matriz não tradicional, exterior ao meio. É natural que assim a expressão se faça nesse sentido.

A minha base cultural é americana. Quando penso em fazer música ou tocar faço-o naturalmente em blues, country ou rock'n'roll. Quando imagino um diálogo para ficção humorística, imagino-o numa língua que não é a minha. Mas quando penso ou escrevo no sentido mais literário faço-o em português. A minha cultura tem, assim, natureza diferente que varia consoante a forma como me chegou o objecto cultural e a qualidade desse mesmo objecto ou o interesse que ele suscita.

Já se tentou de tudo para modificar esta realidade. Normalmente vai-se pela lógica da obrigação: quotas, imposições editoriais ou de agenciamento, etc. Mas a cultura popular portuguesa parece não interessar aos mais novos, àqueles que estão em formação e mais permeáveis à influência cultural. A imposição editorial, por exemplo, não resulta porque para o fazer tem de se ter algum poder (financeiro e de lobby). Em Portugal só o tem quem participa no mercado mainstream que é um mercado com um enorme défice de criatividade, qualidade e inovação. Qual será a solução?

Ontem, pouco antes do Benfica, falávamos de Tiago Pereira e dos seus documentários. "A música portuguesa se gostasse dela própria". É uma frase do João Aguardela (vide vídeo vici) que descreve muito bem a raiz do problema: do preconceito à falta de auto-estudo. Mais tarde, passámos perto do Rock Rendez-Vous e lembrei-me do Aguardela, de como nos faz falta haver referências com essa auto-estima de que o próprio fala.

A importância dos docs do Tiago Pereira está exactamente aqui: na forma como nos descobrimos e reinventamos. É essa a solução.



publicado por jorge c. às 13:56
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Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011
Borges

Como é Segunda e vocês estão todos em baixo, deprimidos e mal-tratados, deixo aqui, com a papinha toda feita, uma conferência de Jorge Luis Borges sobre um tema que lhe é particularmente próximo... Oh, eram todos, que disparate!



publicado por jorge c. às 13:08
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Sábado, 19 de Fevereiro de 2011
É a cultura, estúpido

Quando comecei a ler isto pensei que fosse uma reportagem da estratosfera. Depois lembrei-me que estávamos a falar de um país demasiado grande para se conhecer a si própio, quanto mais ao resto do mundo. Já no fim, não pude deixar de aceitar que é uma realidade cada vez mais nossa. Basta ligar as rádios com maior audiência e ver a música que passam, a ideia errada que dão do espectro musical, da cultura popular contemporânea e como embrutecem as pessoas. E o processo repete-se várias vezes ao dia.

Esta semana, quando a Ministra Canavilhas apresentava o pacote, vi Tozé Brito a pairar por ali. Como diziam os Taxi, estamos condenados à chiclet. E isto, meus caros, já não é elitismo da minha parte, é uma preocupação séria com a estupidez alheia.



publicado por jorge c. às 12:05
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Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011
Noite de Reis


publicado por jorge c. às 22:48
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