Domingo, 10 de Fevereiro de 2013
O grande taxi do inferno

O problema da petição pela moralidade não é o seu grau de moralismo mas, antes, a altura em que surge. Como diria Frankie Pentangeli, em O Padrinho II, nunca deveriam ter deixado Hitler sair de Munique. Uma crise financeira é propícia a estas romarias dos arautos da "crise de valores" e isso pode tornar-se muito perigoso. É uma caça às bruxas. Conhecemos bem as consequências mais graves destes circos.

O populismo moralista é um perigo numa sociedade livre. Ele parte de um fenómeno demagógico, de uma adulteração dos factos para galvanizar a preponderância popular. A sua linguagem é sempre muito próxima da íntima desconfiança das pessoas. Liga-se, com facilidade, à sua condição de eleitor, sem influência directa nas decisões políticas, nos tribunais, etc. "Tudo uma cambada". Alimenta-se, assim, a sensação da sua impotência e da impunidade dos outros.

Não quer isto dizer que essa impunidade não exista. Não quer dizer que as instituições estejam, ao dia de hoje, a passar o seu melhor momento de credibilidade. Não estão. Porém, uma generalização é o primeiro passo para a tolerância de uma liberdade condicionada. 

Mas, o moralismo tem sempre um lado cómico. Lembrar-se-ão, certamente, de Charles Foster Kane, da sua declaração de princípios e da sua tentativa de incursão no Senado. Mesmo assim, parece que não aprendemos; que nos deixamos dominar por esse impulso irracional do justicialismo. Talvez seja falta de amor ou, simplesmente, má-fé intrínseca. 



publicado por jorge c. às 09:19
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Sábado, 10 de Dezembro de 2011
A demagogia institucionalizada

Que boa ideia, rever a Constituição da República Portuguesa para inserir limites ao défice, de forma a que todos os Estados da UE se portem bem. Ora, pensei que a fase da infantilização da democracia tinha acabado em 1980. Parece que não.

Vejamos, a CRP é a lei fundamental que define os princípios e a estrutura política do Estado. A incluir o limite ao défice na CRP, terá de ser no catálogo dos Direitos Sociais, Económicos e Culturais, como norma programática, o que significa que não tem determinabilidade própria e, como tal, terá de ter um instrumento que a concretize: ou o orçamento de Estado ou uma lei autónoma que defina as regras da violação dos limites ao défice.

Em primeiro lugar, é um bocado estranho que seja a Constituição a regular um instrumento sem dignidade filosófica. Por outro lado, não me parece lá muito bem que a Constituição assuma o papel de proibir a ultrapassagem do défice, limitando a intervenção dos governos na livre e democrática prossecução do programa com que se propõem governar.

Qual será o passo seguinte, a criminalização dos políticos pelas decisões tomadas? Lindo serviço!



publicado por jorge c. às 11:26
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Domingo, 21 de Agosto de 2011
Confissões de um demagogo

Peça interessante, esta. Um jornalista resolveu sair da frente do monitor do computador e procurar um porquê.

Foi, então, em busca do comentador irado, um apontador de problemas, um denunciador da escumalha política. Foi, acima de tudo, encontrar um cidadão comum que, como todos os cidadãos comuns, se acomodou no sistema e que considera que a sua participação política passa apenas por votar, comentar e exigir; que, como todos os cidadãos comuns, quando as coisas não correm bem começa a pedir cabeças e a falar em organismos independentes, menos políticos.

A verdade é que, no fim deste artigo, fica-nos uma frase: "Sou demasiado pequeno para mudar o mundo.” Esta confissão de impotência é compreensível. Os agentes políticos não podem olhar para ela como uma coisa menor - muito pelo contrário. Mas, também não é correcto sustentar que o descontentamento tudo permita. Não pode permitir a demagogia e o populismo, as armas que levaram ditadores ao poder porque estavam do lado cego do descontentamento.

O sr. M, como todos os senhores M's deste mundo, tem falta de memória histórica.



publicado por jorge c. às 11:48
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Terça-feira, 5 de Julho de 2011
Vai e não voltes

Não será preciso dizer muito mais do que isto e do que isto sobre a renúncia de Fernando Nobre ao seu mandato de deputado. Nobre, como todos os populistas e demagogos, sofre de vaidade e a sua ambição era apenas mostrar-se moralmente superior. Acontece que o seu lugar na Assembleia da República não se resume à tribuna plenária e Nobre não tem inteligência nem discernimento suficientes para compreender que uma saída imediata deixa a descoberto a sua incapacidade política.

Durante as Presidenciais ficou mais do que claro que Fernando Nobre não tinha condições para exercer um cargo político por falta de adequação. A ideia de que um independente, militante contra a classe política, teria algo a ver com cidadania esbarrou na realidade e no trabalho que um cargo político envolve. Ainda assim, Nobre tem o descaramento de afirmar isto. É um homem sem o mínimo de noção da sua própria inadequação. Um tonto. Um perigo que felizmente se tornou inconsequente.



publicado por jorge c. às 09:47
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
Ah! os independentes, os independentes!

Como quase em tudo, nunca usamos da adequação quando nos colocamos numa postura crítica sobre o que quer que seja. Com os independentes a história repete-se. Por um lado há os que acham que a política deveria ter mais independentes, em contraponto a esses bandidos dos políticos. Por outro, temos os que acreditam que só alguém com um certificado de habilitações políticas pode ser parte integrante do regime político-partidário.

Ser independente em política não é uma característica, por si só, positiva ou negativa. As pessoas, no geral e em abstracto, ou têm capacidades políticas ou não têm. Ser independente significa apenas que não se tem uma ligação partidária formalizada. Isto não é bom, nem é mau. Acontece que há pessoas que não querem ter essa ligação. É um direito que lhes assiste. Contudo, dispõem-se a exercer cargos políticos porque, em rigor, têm capacidades que operam nesse sentido. Ou pelo menos, supõe-se que têm. Porque não faz qualquer sentido alguém que não tenha uma dimensão política exercer um cargo que é, por natureza, político.

A conversa dos independentes, no sentido positivo, tem o toque da demagogia, da preponderância popular. Já no seu sentido mais negativo, ela ganha contornos de sectarismo e de clausura partidária. Ora, isto não faz qualquer sentido. A actividade política exige características que têm que ver em exclusivo com a sua natureza, não obstante os seus actores não terem obrigatoriamente de estar vinculados a um partido. Seria simples compreender, não fosse a má vontade.



publicado por jorge c. às 00:57
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Terça-feira, 17 de Maio de 2011
Sobre a criminalização política - demagogia e moralismo

Ontem tivemos a oportunidade de ouvir José Manuel Silva, Bastonário da Ordem dos Médicos, sugerir a criminalização dos políticos pelas suas más decisões. É claro que este disparate recebe o apoio de muita gente. Felizmente, a José Manuel Silva ninguém dará ouvidos, à excepção de um conjunto de gente ignorante que não compreende a democracia e o princípio da separação de poderes. O problema é que esta preponderância populista está a ganhar relevo e começa a corromper o juízo das pessoas que, angustiadas com a indefinição e falta de soluções políticas, aceitam inconscientemente qualquer proposta que identifique um culpado e o puna exemplarmente. Em última análise, é a isto que chamamos demagogia.

É exactamente por esse crescimento desinformado, acrítico e perigoso que perco agora uns minutos para dar aquele que é o meu entendimento sobre a problemática da criminalização política.

Desde 1822, da nossa Carta Constitucional, pelo menos, que adoptámos o Princípio da Separação dos Poderes. Muito resumidamente, este princípio garante-nos que os poderes soberanos não se imiscuem, não se intrometem na esfera dos outros. Ao poder judicial o que é do poder judicial, ao poder executivo o que é do poder executivo e ao poder legislativo o que é do poder legislativo. A razão disto ser prende-se com o facto de à mínima folga de promiscuidade se comprometer a segurança, a independência e a estabilidade sociais.

No caso particular da criminalização da política seria uma intromissão do poder judicial no poder executivo, sendo que o executivo passaria a conter-se na tomada de decisões com receio das consequências criminais. Aquilo que pode parecer à partida uma excelente ideia, não passa de um dos maiores erros de lógica democrática. Se um executivo chega ao poder através da maioria dos votos, espera-se que tome as decisões necessárias à prossecução do interesse público. Para tal é necessário que reforme determinadas áreas, que inove, que aja. Ora, estas reformas são sempre um risco. Não podemos garantir que o seu resultado seja eficaz. São riscos essenciais ao desenvolvimento económico, social e cultural das sociedades. Poderemos ter um executivo mais cauteloso ou um executivo mais vanguardista. Essa decisão coube sempre, à partida, ao eleitorado. Ao criminalizar a decisão política estamos a impedir a própria acção e a limitar a vontade popular.

Outra coisa será um político que age de forma dolosa, constituindo a sua conduta um crime. Essa conduta é exclusivamente da competência judicial. Não estamos aqui na esfera do poder executivo com finalidade pública porque o que houve foi um crime. É isto que podemos verificar no ordenamento jurídico português. Não podemos é querer à força que se condenem políticos porque na nossa mais profunda convicção são uns criminosos, mesmo que disso não se faça prova. Felizmente o boato não é prova suficiente. Não se defende isto para proteger interesses obscuros, mas para proteger cidadãos inocentes de campanhas difamatórias e manipuladoras. 

Em suma, abdicar deste princípio - da separação dos poderes - é, ao mesmo tempo, abdicar da nossa evolução civilizacional, é pôr em xeque a democracia e abrir portas ao justicialismo mais bárbaro que podemos imaginar. Podemos escolher ou podemos deixar que escolham por nós a partir de critérios dúbios de um moralismo ditatorial.



publicado por jorge c. às 11:34
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Terça-feira, 3 de Maio de 2011
A grande ilusão

É relativamente fácil alguém se deixar seduzir pela estética revolucionária e pelo discurso da repressão e da exploração sobre os desfavorecidos. Quem não se sente solidário com os abusos psicológicos e físicos, com o autoritarismo ou com a exploração? Mesmo que sejam actos isolados, junta-se tudo e faz-se disso uma política, uma política contra. É esta a imagem que o 1º de Maio representa nos dias de hoje. Sem qualquer orientação ou narrativa política, a defesa dos direitos dos trabalhadores não passa de um conjunto de lugares comuns revolucionários e contra-sistema que não encontram qualquer adequação ao mundo em que vivemos. No fundo, é pegar num conjunto de situações emocionalmente fortes e vendê-lo como um ideal político.

É este excesso que caracteriza o revolucionarismo, esta persistência secular, a insistência basista numa sociedade que não existe, a diabolização de um dono de escravas, a metáfora desadequada. Quem não se deixa corromper pelas emoções?



publicado por jorge c. às 12:56
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011
A ignorância das frustrações

Temos um problema sério para resolver em Portugal. Uma parte significativa dos portugueses acredita que votar é um favor que se está a fazer aos políticos. Isto é muito grave porque parte de uma linguagem demagógica que resulta invariavelmente em líderes populistas que acabarão, mais cedo ou mais tarde, por restringir-nos direitos, liberdades e garantias. Num tempo de crise financeira, a crise política aguça este engenho populista e conquista o coração dos mais distraídos, dos mais incautos, que vêem nas mensagens anti-política, anti-sistema, anti-regime, anti-banca, anti-tudo o que cheire a poder, a tónica certa para tapar a sua incapacidade crítica objectiva.

É importante que, para isto, os agentes políticos saibam ser pedagógicos e expliquem a relevância de um sistema partidário, das mais simples vantagens da democracia, do financiamento público e da remuneração e não se deixem envolver pelo élan populista.

O crescimento da demagogia em Portugal é alarmante. Mesmo quando se lança este alerta é-se facilmente julgado como protector do regime corrupto, tachista e por aí fora. Temos um problema sério para resolver em Portugal.



publicado por jorge c. às 13:39
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Segunda-feira, 14 de Março de 2011
A precariedade da consciência política

Não se pode ignorar que o que aconteceu por todo o país no Sábado é um protesto com relevância. Resta-nos é perceber que tipo de relevância é que está aqui em causa: quantitativa, qualitativa ou as duas.

Ao longo da tarde de Sábado fui acompanhando a manifestação através dos directos na televisão que, de forma aleatória, iam recolhendo testemunhos. Não se tratam de peças editadas e trabalhadas com uma narrativa específica, mas sim entrevistas em directo, sem qualquer critério, feitas ao longo de toda a manifestação. A ideia que passou para fora foi que se tratava de um protesto político contra a governação. No meio disso havia um tópico: a precariedade. Mas, para muitos dos manifestantes, a precariedade é um problema político imediato.

Vejamos por que é que isto não faz sentido. A precariedade, simbolizada pelo recibo verde, é uma realidade cada vez mais preocupante. Ninguém duvida disto. O tratamento que damos ao tema não pode, por isso, cair numa reivindicação inconsequente. Temos o exemplo da questão levantada pelos falsos recibos verdes que não são objectivamente um problema que compete ao poder político mas sim ao poder judicial. Dir-me-ão que os tribunais não funcionam, ao que eu respondo que se não recorrermos a esses mecanismos é certo que eles não funcionam. E o discurso à volta de tudo isto torna-se inconsequente porque não avalia bem todos os dispositivos democráticos espelhados no princípio da separação de poderes. Mesmo a conversa do não funcionamento da justiça tem muitas vezes que ver com a subjectividade do caso. Não é por eu achar que o meu recibo verde é falso que ele o é, de facto, e que isso é um problema geral. Confundir uma frustração com um direito é um erro. O que aconteceu no Sábado foi mais um aglomerado de frustrações do que uma reivindicação certa, objectiva e bem definida. A indignação, a vergonha e todos os outros sentimentos expressados não são uma reivindicação, são sentimentos e a sua manipulação é demagogia.

Posto isto, é legítimo que nos manifestemos contra algo que nos parece ultrapassar todos os limites éticos. Até aqui, de acordo. Acontece que a não existência de um caderno reivindicativo dá azo a que a manifestação não tenha uma narrativa coerente. Se este era um protesto contra a precariedade porque razão se tornou numa manifestação anti-governo?

Em rigor, as medidas propostas por alguns dos manifestantes (um nicho com pouca expressão no meio de 300 mil pessoas) não se afastam daquilo que é uma parte do programa do Bloco de Esquerda. Falar em demissão do governo torna-se, então, numa manobra pouco séria quando o Bloco saiu há 1 ano e meio de eleições com 9,81% dos votos; depois de ter apresentado uma moção de censura que foi chumbada pelo Parlamento na semana passada. Tudo isto - esta reverência pela preponderância popular - é um desrespeito absoluto pela democracia representativa e, acima de tudo, pela memória de uma ditadura sem partidos e sem representatividade. Falar-se, então, de um novo 25 de Abril é falta de consciência política, da mais básica possível.

Também a participação da JSD é bastante caricata. Que eu saiba, a JSD tem deputados na bancada parlamentar do PSD. O que andam eles a fazer? Na manifestação foi evidente o que andaram a fazer: propaganda anti-governamental. O que é absolutamente legítimo, mas convenhamos que encerra só por si a ideia de uma manifestação sem pretensão anti-governamental. E se o problema era a política laboral, onde está a proposta política da JSD até hoje que, ao que eu saiba, ainda é uma organização político-partidária?

Chegamos aqui a um ponto em que se torna tudo muito confuso e inconsequente. É uma manifestação aberta que permite que todos apresentem as suas reivindicações. Essas reivindicações são anti-governamentais. Logo, é nisso que a manifestação se torna. E se o é, porque razão aquelas 300 mil pessoas não votaram nesse sentido nas últimas eleições? Revolucionar um sistema democrático para transformar o sistema político em quê? Se não aceitam resultados de um sufrágio universal, aceitam o quê?

Respondendo à minha primeira questão: a manifestação de Sábado tem relevância quantitativa. O descontentamento de centenas de milhares de pessoas não pode ser ignorado pelos responsáveis políticos, nomeadamente pelo Governo, pelo Presidente da República e por todos os partidos com assento parlamentar. Não foi uma manifestação com relevância qualitativa devido à vacuidade do protesto, à inconsequência e diversidade de movimentos gerados espontaneamente sem qualquer ligação de conteúdos entre si. Não há muito a retirar de discussões de café agrupadas na rua, mesmo que isso pareça uma coisa linda. A estética revolucionária engana sempre.

Sou profundamente solidário com os receios, frustrações e com o desespero do próximo. Sou intolerante à demagogia.



publicado por jorge c. às 14:40
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Quarta-feira, 9 de Março de 2011
Mais demagogia

Tem sido o meu cavalo de batalha nos últimos tempos e por vezes chega a parecer uma obstinação. Acontece que não acredito que uma sociedade onde a demagogia reina tenha as melhores condições para evoluir democraticamente. A cidadania democrática não é compatível com a demagogia. Só que para travar esta batalha não posso ir a acompanhar o meu lado da trincheira ideológica ou partidária. Quero com isto dizer que não existe demagogia apenas quando é o meu opositor a cometê-la.

Foi isto que vimos nos últimos dois ou três dias a propósito de mais um comentário infeliz de Miguel Sousa Tavares, o mesmo que, como me lembravam no Sábado, disse um dia que os estudantes não queriam pagar propinas para poderem beber copos. Mas é bem feito. Aqueles que vão promovendo o protesto da geração à rasca vão confundindo os problemas da classe política com problemas de ética individual enquanto causa da sua situação concreta. Por isso, acabam por beber do próprio veneno ao serem comparados com aqueles imbecis que querem demitir a classe política. Demagogia com demagogia se paga.

Dir-me-ão que há gente no protesto que não confunde o que quer que seja e que só vai protestar porque está indignado. Mas eu não posso saber isso a partir do momento em que não há uma narrativa reivindicativa. O que há é um conjunto de reivindicações individuais sem representatividade.

Mas não foi isso que me trouxe aqui. Foi a demagogia de MST. Como é que alguém espera que o levem a sério quando o próprio, ao denunciar uma particularidade de um movimento, comete exactamente o mesmo erro? O que mais me intriga é como é que não tem noção que o que se está a dizer é, no mínimo, incoerente.

Aqui está um exemplo de um discurso contraproducente que se limita a ser sobranceiro por ser pouco rigoroso, o que nada ajuda a um debate sério. Começamos todos a acusar o outro de demagogia usando demagogia. Primeiro começa por ser patético e uma pessoa vira só a cara e faz de conta que não ouve, só para não ter vergonha alheia. Depois, começa a ser preocupante porque deixa de haver capacidade de auto-crítica. E isso é o que mais falta nos faz: auto-crítica.


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publicado por jorge c. às 13:45
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Contexto e significado da demagogia actual

Quando se fala em geração parece que há uma bolha que eleva um determinado grupo de pessoas com características identitárias semelhantes. Falar em geração é como deixar o indivíduo despido de qualquer individualidade ainda que se apele à sua individualidade para pertencer à geração. Para os que a determinam existem só três gerações: a nossa, grupo motor do futuro próximo; a dos mais velhos, indiscriminadamente malvados e egoístas ou ignorantes e atrasados; e a dos mais novos, as gerações futuras.

É assim que aparentemente se divide uma sociedade para que se possa sair à rua com alguma coisa parecida com um motivo lógico e válido. É assim que se determina que problemas éticos universais e políticos específicos se podem misturar, que todas as reivindicações são matéria governamental, que a culpa há-de ser de alguém em particular e que só nós é que sentimos a dor. Com o tom de "o povo é quem mais ordena" a cena fica completa.

As hienas adoram isso.


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publicado por jorge c. às 10:14
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Quinta-feira, 3 de Março de 2011
Infantilidades

Sou insuspeito de gostar do Primeiro-ministro. Mas há situações em que é impossível não tomar partido porque, em rigor, são questões mais abstractas. É o caso desta anormalidade da conversa anti-políticos. "Os políticos" parecem ser uma entidade medonha. Tudo porque um conjunto significativo de cidadãos, devido à ignorância e à frustração, não consegue discernir entre pequenos ódios pessoais de factos, de lei, de democracia, enfim, de regras. Uma das regras é a presunção de inocência. É claro que para um político há questões éticas e morais com mais peso e que têm de ser muito bem medidas. Mas também é válido para o lado que acusa. Senão, começávamos todos a insinuar coisas sobre todos os governantes e ficávamos - se calhar para gáudio de muitos - sem classe governativa, por nossa conta e risco, power to the people.

Vem isto a propósito de mais um raciocínio recheado de demagogia e incapacidade de sentido crítico objectivo e devidamente definido pelas regras e pelo bom senso. Comparar um plágio de uma tese de doutoramento, que é algo mais ou menos detectável, com uma licenciatura supostamente tirada ao Domingo (e digo supostamente porque existe a possibilidade de não haver implicação directa de José Sócrates) é desonestidade ou, no mínimo, desnorte. Isto porquê? Porque não há uma prova concreta que determine o dolo. Comparar qualquer coisa que seja com um membro do aparelho de Estado estar a passar férias quando se está perante uma das maiores crises políticas por falta de democracia no próprio local de férias, sem sequer se dar conta, é um disparate. Ainda que seja comparável (dou de barato a capacidade imaginativa dos cidadãos), são factos que dizem respeito a cada indivíduo e que devem ser escrutinados e avaliados individualmente e nunca presumindo que se trata de uma característica dos políticos em abstracto. Até porque a consciência moral será sempre diferente em cada indivíduo, muito embora haja um conjunto de valores definidos com carácter geral.

Tomar cada caso destes como um mecanismo para acusar a classe política portuguesa (vejam, é só aqui e nas grandes ditaduras, a comparação extraordinária a que esta conversa conduz) de falta de responsabilidade política é pura e simples demagogia. Há uma manipulação emocional para tentar chegar a uma conclusão política. Sem disfarces, sem grande sofisticação - pura demagogia. Os políticos em Portugal e em grande parte das democracias do mundo são chamados à responsabilidade das suas opções políticas na acto eleitoral. Quando existe alguma falha na conduta ética minimamente exigida deve, pelo menos, haver factos objectivos que suportem a tese da obrigatoriedade moral do abandono do cargo.

Para além disto tudo, misturar questões ético-morais de grande relevância na vida pública com "passar à frente de velhinhos" chega a meter pena por nem haver ponta de discussão possível tal a mediocridade da perspectiva. E como se sabe, não se explica a mediocridade aos medíocres.

Não ponho em causa de forma alguma que todos estes problemas sejam passíveis de ser verdadeiros. Mas também não ponho em causa que o não sejam. E esta dúvida não pode tombar para um dos lados por capricho, tem de ter um fundamento que a sustente.

É claro que eu gostava que José Sócrates fosse um bronco irresponsável e mentiroso em todos os aspectos da sua vida. É claro que eu gostava que Armando Vara ardesse empalado em Praça Pública. Mas o meu gosto particular por estes indivíduos ou a minha animosidade política, não pode interferir com o escrupuloso cumprimento das regras mínimas do bom senso e da ponderação. Temos uma classe política fraca ou até medíocre? Não digo que não. Este não é o Primeiro-ministro que deveríamos ter? De certeza absoluta que não. Mas não vale tudo e, acima de tudo, há que distinguir o essencial do acessório para uma discussão honesta.


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publicado por jorge c. às 11:30
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Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011
Definições importantes

demagogia

(demagogo + -ia) s. f.

1. Preponderância do povo na forma do governo.

2. Abuso da democracia.

3. Dominação tirânica das facções populares.

4. Discurso ou acção que visa manipular as paixões e os sentimentos do eleitorado para conquista fácil de poder político.

 

Também podem ser definições de carácter. A demagogia é uma fragilidade do carácter.


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publicado por jorge c. às 11:45
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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011
Da carreira política

Poderia ter mas não tem razão Alfredo Barroso, neste artigo ao qual cheguei através da Alda Telles. Poderíamos começar logo por desmontar o erro lógico do cronista quando este cita Mário Soares - o maior político profissional que o país conheceu desde o 25 de Abril. Ficávamos por aqui e a conversa acabava-se. Não seria sério nem pedagógico. E a nossa função aqui, na blogosfera, muitas vezes, é educar as massas como Arnaldo Matos, mas em bom, do lado do Bem da Força.

A oligarquização dos partidos só acontece por falta de cidadania. A lógica dos partidos é que as pessoas participem no debate público e se desloquem no seu circuito de conforto conhecendo deste modo os actores políticos que se disponibilizam para as representar. A existência numa sociedade democrática pressupõe, assim, duas premissas: cidadania e representatividade.

Posto isto, podemos avançar para a desconstrução do texto a partir desta relação ou até, se preferirem, interdependência. Nenhum partido sobrevive numa lógica de poder sem um aparelho partidário competente e eficaz. Quando falamos em aparelho (lato sensu) temos de pensar na estrutura organizativa, na agenda política, na salvaguarda do legado político-ideológico e na disposição perpétua para o sacrifício pessoal pela causa pública. Ora, nada disto é possível sem uma carreira política de preparação. Um político não tem de ser um técnico numa área específica, mas antes alguém capaz de fazer lobby por essa área juntando à sua volta os instrumentos mais eficazes para a sua concretização.

Chegados aqui, convém dizer que o exemplo que Barroso oferece ajuda-nos a realçar a importância da cidadania. O exemplo dado é, então, José Lello, como um apparatchik. É natural que devido à existência de personagens destas - péssimas, diga-se -  se confunda a carreira política com o aparelhismo carreirista, aquela coisa dos cães de fila sem qualquer competência que não passam de carregadores de pianos com uma pseudo-retórica. Mas é exactamente neste tipo de político que temos de nos focar para compreender que só uma cidadania mais activa os faz desaparecer. Se forem expostos às necessidades das comunidades sendo obrigados a demonstrar as suas aptidões serão facilmente reduzidos à sua insignificância. É o Princípio de Peter. Numa sociedade mais informada e mais exigente isto é possível. Ou, como diria Cavaco Silva, a boa moeda afasta a má moeda.

E por falar em moeda, se calhar se pagássemos bem aos nossos políticos teríamos uma classe mais competente e poderíamos estar a colocar à frente dos mais aptos uma escolha que pudessem seguir, em concorrência com carreiras melhor remuneradas. Não seria também mau de todo discutir a lei de financiamento dos partidos. Porque normalmente esta conversa entra sempre por campos demagógicos e pensar o financiamento numa lógica positiva de remuneração dos seus funcionários, que no fundo estão ao serviço da democracia, pode ser uma solução.

O discurso anti-políticos baseado em figuras específicas é, todo ele, pura demagogia. Não tem consequência nem alternativa. Vive essencialmente da ideia de que alguém tem de ser culpado pelo "estado a que nós chegámos", um culpado com rosto e bem definido que nos ajude a aliviar as frustrações. Pois numa sociedade democrática convém perceber que, no limite, somos sempre todos responsáveis e que parte de nós, da nossa iniciativa individual, tentar melhorar o espectro para que possamos ser melhor representados. O resto é conversa de taberna.



publicado por jorge c. às 14:03
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Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011
Cresçam

É triste ver a dramatização que a esquerda faz do discurso da direita em Portugal. Sejamos claros: trata-se de pura demagogia e desonestidade intelectual. Ninguém de boa-fé poderá alegar que é pretensão dos partidos à direita acabar com o Estado Social. Isto é inimaginável. Tanto o PSD como o CDS têm uma linguagem convergente com o Estado-Providência. A direita portuguesa nem sequer se aproxima da sua família internacional no que ao peso do Estado diz respeito e é muito mais uma direita social.

É claro que há uma linha mais liberal que pretende diminuir o peso do Estado. Mas essa mesma linha sabe que não conta com o apoio da grande maioria dos portugueses para grandes voos liberais. Por isso, tudo o que se disser sobre este Armagedão de direita é uma retórica de perna curta e que não tem muito mais argumentação que isto. O mesmo se passa com a direita que acusa a esquerda democrática e liberal de querer acabar com o ensino privado ou de estar a fazer política contra os ricos, por exemplo. Nenhuma das partes parece querer entender a outra ou concorrer com uma solução.

O que a direita portuguesa, neste caso o PSD, pretende é arranjar uma solução para um problema do Estado: o "prejuízo crónico" de algumas empresas públicas. A proposta, apesar de ter matéria para discussão, foi apresentada de forma um pouco leviana. Contudo, não será motivo para a diabolização que foi feita nestes dias. Dir-me-ão que faz parte do jogo. Ora, badamerda para o jogo que não nos está a ajudar em nada. Cresçam.



publicado por jorge c. às 18:09
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011
Petições

Não tinha dado por este post de Luis Menezes Leitão no Delito. É um texto que vale a pena ler. É claro que gostei em particular do parágrafo dedicado à petição do Correio da Manhã que, de uma forma inexplicável, continua a ser assinada por uma série de notáveis. Mais um aviso sério às consequências da demagogia e do populismo.



publicado por jorge c. às 17:41
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011
Impressões de uma campanha VI - epílogo

Fico com a ideia de que a maioria das pessoas tem algum desinteresse pela campanha eleitoral. Só pelas redes sociais é que há um surto forçado de campanha e que tem como foco principal Cavaco Silva. Julgo que se tratará mais de um facto do que de uma percepção exclusivamente minha.

Com um cenário destes, o meio dos que gostam de debater a política está um pouco condenado a cair no erro dos casos laterais e dos soundbites sem conteúdo ou enganadores. Poderá ser este um dos motivos para o desinteresse dos cidadãos em geral? Eu julgo que sim. Não porque as pessoas tenham necessariamente consciência do fraco grau de debate, mas sim porque deixam de compreender a necessidade da política nas suas vidas por falta de esclarecimento.

Ora, se os media tradicionais optam pelo lado da campanha menos relevante para o país (reflexo do que os candidatos transmitem), deveria caber aos comentadores, aos bloggers e aos milhares de pessoas espalhadas pelas redes sociais uma discussão mais profunda porque são estes os que a mais informação têm acesso. Limitarem-se a reproduzir soundbites das assessorias dos candidatos e dos partidos é um sinal evidente do falhanço do debate democrático.

Acima de tudo, estamos perante uma falta de juízo crítico provocada pelo sectarismo e pela propaganda. Alimentam-se expressões-chave ou casos sem uma acusação em concreto, levantando suspeitas sobre as pessoas, e ignora-se a substância política de cada candidatura. Para que serve a Presidência da República? Quais os seus poderes e funções? Não, nada disso. É preferível discutir a insignificância de um artigo matricial numa escritura pública (sem saber ao certo do que se está a falar, mas levanta-se sempre a suspeita), o passado extremista do candidato ou se é o partido A ou B que dá ou não dá apoio, e por aí fora. A desculpa é o escrutínio do carácter dos políticos. Já comi pior e não paguei.

Dizem que os soundbites resultam, porque as pessoas não querem conteúdos. Eu muito gostava de saber quem é que lhes passou procuração sobre o que os eleitores querem ou não. Os eleitores não são estúpidos e a culpa do regime não é deles. Responsabilizar o povo, em abstracto, pelo resultado das suas opções é desresponsabilizar os políticos da sua vertente pedagógica e honestidade intelectual. Conhecemos muitos instrumentos para fugir a essa responsabilidade: o populismo, a demagogia, a propaganda, etc.

A repetição do discurso vazio das candidaturas por pessoas informadas, por puro sectarismo, é que vai, então, revelar essa falta de juízo crítico e incapacidade de pensar e promover a política como um bem comum e não como um projecto egoístico que não olha a meios para atingir fins. Compete-nos ser exigentes com o debate político e não nos conformarmos com o caminho que cada vez mais ele toma.



publicado por jorge c. às 12:14
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011
A ler

Este excelente post de Carlos Loureiro sobre a inenarrável petição do Correio da Manhã, que também sugere esta leitura.



publicado por jorge c. às 13:33
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Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010
As mulheres portuguesas - um país diferente

Até parece que estou a fazer campanha por Cavaco. Não estou. Mas a tentativa de denegrir adversários por processos menos correctos é uma coisa que me chateia.

Em que país vivemos? Num país tecnologicamente evoluído, de absoluta igualdade social e de género onde todos os homens e mulheres desempenham as mesmas funções? Num país todo moderno? Não. Mas só quem não tira o cu de Lisboa é que pode ver um país que para todo o outro território não existe. Um país com centenas de milhares de donas de casa (aproximadamente). Aquilo que chateia o Daniel é que esse país existe. Mas ele existe e, apesar do populismo serôdio da mensagem de Cavaco, ela não está direccionada para o vazio, tem um alvo muito significativo.

Confundir esse populismo com sexismo não é honesto. Não é. Comparar Cavaco com Salazar é, mais uma vez, de uma desonestidade intelectual sem nome. É apenas ódio e diabolização que prefere estas comparações radicias para provocar medo naqueles que não terão tanta disponibilidade para se debruçar sobre o assunto. É que basta pensar um bocado, sair do universo da baixa pombalina e ir, por exemplo, aqui ao lado ao distrito de Santarém ou de Setúbal e encontrar um número significativo de mulheres que se sentem contempladas pela mensagem do Presidente, porque, ao contrário do Daniel, ele não ignora que elas existem. Ao contrário dos feministas de trazer por casa deste país, ele sabe que num momento de consternação social uma dona de casa tem extrema relevância no plano familiar. É claro que existem muito mais mulheres com outras realidades. Mas aquelas serão muito mais esquecidas.

Esta despreocupação com a estabilidade das famílias portuguesas reais, as que ainda existem em grande maioria, fora do grande universo do Marquês de Pombal, nós já conhecíamos. O que não conhecíamos era o total desprezo que se sente pelos seus pilares.

Portanto, como não gostamos que haja mulheres que optem por uma vida doméstica, muitas vezes nem se tratando de uma opção, vamos insultar quem se dirija a elas. É todo um novo conceito de feminismo.



publicado por jorge c. às 12:49
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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010
Da total irresponsabilidade

Há cerca de 10 anos, quando apareceu, o Bloco de Esquerda era um partido irreverente. Por isso mesmo ganhou simpatizantes em muitos quadrantes políticos, e nomeadamente entre os mais jovens, que o PCP, por exemplo, não conseguia seduzir devido ao seu discurso reaccionário e o PS por ter uma linguagem demasiado ligada a um regime. Aproveitando-se destes factores, o Bloco construiu uma agenda. Para muitos desses simpatizantes essa agenda era irrelevante e o que mais interessava eram os soundbites do chefe da banda - Francisco Louçã. Com o seu discurso populista e demagógico, anti-poder e inconsequente na maioria das vezes, o Bloco conseguiu fazer do que já era mau pior. De um sector eleitoral muitas vezes ignorante passámos a ter um sector eleitoral mal informado e irresponsável por obedecer a soundbites e a discursos políticos demagógicos. É pior porque conduz a um sectarismo perigoso que pode degenerar em radicalismo anti-democrático.

É isto mesmo que está a acontecer com a questão wikileaks. Ao alojar a informação que está a ser veiculada pelo site, caso este venha a ser encerrado, o Bloco de Esquerda está a patrocinar o incidente diplomático, o risco de atentados terroristas, o ódio contra outros países, a indiferença e a falta de respeito por milhões de vidas. Tudo isto porque o Bloco de Esquerda é contra a Guerra do Iraque ou contra os EUA no geral, que é uma posição que implica certamente ser contra a população dos EUA. Mas lá está: há que dizer a Verdade!

Portanto, sabemos que continuamos a contar com um Bloco de Esquerda adolescente, sem qualquer responsabilidade até em assuntos que envolvem a vida de outros seres humanos. O mais grave é haver gente que acha isto correcto, que acha que não se deve olhar a meios para atingir fins, aquilo que sempre criticaram nos Estados Totalitários.



publicado por jorge c. às 10:48
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