Terça-feira, 24 de Abril de 2012
Os Donos de Portugal

Na última entrevista que deu à RTP, a certa altura, Melo Antunes fala do Dr. Soares e relativiza o seu papel na Revolução. Melo Antunes foi o único homem sensato que alguma vez vi a falar do 25 de Abril e, fundamentalmente, da Democracia a partir do 25 de Abril. Já o Dr. Soares gostou sempre de vir de cabeça de fora no comboio, como as crianças nos carros, a chamar à atenção. A mitomania do Dr. Soares faz dele uma personagem caricata. Não quero aqui retirar-lhe as virtudes políticas que serão, certamente, mais do que muitas. Porém, ao longo da sua vida, o Dr. Soares foi criando realidades paralelas. Os Soaristas, em nome do ideal social-democrata, nunca o interromperam. Nunca se interrompe o arauto, pois que é ele que leva a chama. Mesmo que ele esteja a dizer um enorme disparate. O disparate maior foi sempre o sentimento de detenção da Revolução. Afinal, a revolução é do Povo ou é da Esquerda?

Desta vez, o Dr. Soares achou que deveria ficar solidário com a Associação 25 de Abril. Nada contra. Mas, fará sentido? Segundo podemos perceber das palavras de Vasco Lourenço, o problema dos militares de Abril é a Troika e aquilo que para eles é um ataque à soberania nacional. Não vou agora tecer comentários sobre como é extraordinário ver pessoas que comungaram da Internacional Socialista defenderem a Soberania Nacional. Adiante.

Ora, sendo uma parte significativa da não participação da Associação 25 de Abril nas comemorações oficiais do 25 de Abril a dinâmica político-económica em que Portugal está envolvido, não me parece que nem o PS e muito menos o Dr. Soares estejam fora desta crítica. Senão, vejam bem, com olhos de ver, este link que vos deixo. É de uma pessoa ficar espantada com a tamanha lata. Ou não.

É que o grande pretexto para este discurso é a posse da revolução. Parece que se torna insuportável que a democracia aceite um governo que não segue as políticas que nós queremos. Mesmo tendo agido este legitimamente e não havendo, até à data, sinais de uma ruptura com o cânone democrático instituído pela Constituição da República Portuguesa. É que a Associação 25 de Abril não representa nem a CRP, nem o Povo português mas, antes, representa-se a si própria.

A decisão de Mário Soares torna-se, assim, incompreensível. Até porque o próprio já esteve numa situação semelhante, noutras circunstâncias, e ficou, igualmente, refém do apoio externo. Soares mostra que, acima de tudo, não tem qualquer respeito pela democracia, que não a compreende e que não percebe que esta não tem uma ideologia fixa. Ficará para sempre ligado a uma corrente de detentores da democracia. Esses sim, os donos de Portugal.



publicado por jorge c. às 11:25
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Terça-feira, 3 de Abril de 2012
"we need a little controversy, 'cause it feels so empty without me"

Não sei o que terá passado pela cabeça criativa do departamento de marketing e comunicação da Música no Coração para ter esta ideia peregrina. "Ah, afinal era só uma brincadeira do 1 de Abril".

Uma empresa não pode apresentar um produto, sabendo que não o tem, e vir depois dizer que foi uma brincadeira. As empresas não brincam ao 1 de Abril. Até no mundo das notícias, a brincadeira do Dia das Mentiras pode sair cara. Numa empresa nem sequer deve ser uma opção. No entanto, houve ali um génio qualquer que achou que ninguém levava a mal. Acontece que, quando um produto está a venda, corre-se o risco que seja comprado. O convite a contratar e a aceitação reúnem-se no mesmo momento, pelo que se torna imperativo que toda a informação sobre o produto seja objectiva e - veja-se lá bem - verdadeira.

Todo este episódio é de uma monumental imbecilidade. Uma estupidez tão grande, tão grande, que merece um castigo severo. O bom da lei é que ela é, grande parte das vezes, anti-estúpidos. E, portanto, seria aconselhável que aqueles que foram defraudados levassem este caso até às últimas instâncias não deixando a sua pretensão pela simples devolução do dinheiro. As empresas têm de aprender a respeitar os seus stakeholders. Isto é válido para a própria TMN que, a esta hora, já devia ter tomado uma posição, se já não tomou.

Mas, o maravilhoso em tudo isto é o artista escolhido. Eminem é um artista que ataca a falta de consciência crítica. A falta de cultura que advém desta macacada é tal, que os seus autores acabaram por praticar, inconscientemente, o comportamento que o próprio Eminem condena, muitas vezes. Oh, a suprema ironia!

Quem se deve estar a rir disto tudo, agora, é Álvaro Covões. Mas, o que agora sabia bem, era ouvir isto:

 

 

 

Adenda: Uma forma original e não fraudulenta de fazer as coisas, no Dinheiro Vivo.



publicado por jorge c. às 00:20
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Domingo, 12 de Junho de 2011
not searching for the real thing

Por aqui acontece imenso quando não se gosta de uma figura política. Escrutina-se tudo, inclusive vírgulas e metáforas. Mas nos EUA é pior. Parece ser um vício das democracias, esta busca fundamentalista por escândalos. Será que podemos chamar a isto a procura da verdade?

Quando não se encontram escândalos inventam-se. Já ninguém liga a títulos como "jornalistas ainda não encontraram...". Mas porquê, tinham esperança em encontrar? A descredibilização das pessoas é uma coisa assim tão positiva para a estabilidade das sociedades? As convicções políticas das pessoas estão directamente relacionadas com a sua falta de carácter?

E já nem ligo ao facto de os jornalistas estarem publicamente a violar a correspondência de outrém. Who cares, não é verdade? Haverá sempre alguém insuspeito com uma explicação razoável. Não vale a pena discutir. O que vale a pena é, pelo menos, tentar chamar à atenção para isto: está tudo doido, histérico e assim não vamos lá.



publicado por jorge c. às 12:17
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Sábado, 14 de Maio de 2011
Catrogadas

"A direita é sempre a direita dos interesses e da mentira". Quem terá dito isto: Jerónimo de Sousa? Carvalho da Silva? Luís Fazenda? Francisco Louçã? O puto Gualter dos eufémios? Não. Quem fez esta generalização gravíssima para o debate democrático foi Eduardo Ferro Rodrigues.

Para mim estas questões são sempre de princípio. E por princípio este tipo de generalizações são uma cretinice. Gostava de ver mais pessoas desagradadas com estas declarações infelizes. Ah, mas lembrei-me, estamos em campanha.



publicado por jorge c. às 13:11
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011
Menos que zero

Não se compreende a importância dada a um momento que, para além de tudo, foi gaffe da estação de televisão que o transmitiu e não da pessoa em concreto. Parece que Sócrates é o único a ensaiar a forma como olha para a câmara. Podemos sempre esperar que, sem ensaio, Sócrates fique a olhar para o lado e então fazemos regabofe disso. A infantilidade não tem limites e não tem qualquer graça, principalmente quando promovida por meios de comunicação a quem atribuímos credibilidade. O interesse noticioso disto é menos que zero.



publicado por jorge c. às 11:53
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Quarta-feira, 9 de Março de 2011
O menino Nelinho

Ia começar este post tentando explicar a Pedro Arroja que a civilização (a nossa, pelo menos) conquistou a harmonia social não por interesse pragmático mas por necessidade de paz social numa lógica de justiça, sendo que o objectivo de qualquer narrativa político-ideológica é a paz social. A nossa sociedade evoluiu muito ao ponto de a lei do mais forte fisicamente já ser quase insignificante. É que se não fosse Pedro Arroja e o seu metro e cinquenta há muito que tinham levado duas estaladas. Acontece que há regras. E essas regras servem para todos, até para os mais baixinhos. Porque quem já viu Pedro Arroja sabe que falar em virilidade com ele é até, de certa forma, crueldade.

Mas, a certa altura, deparei-me com a referência à relação lésbica. É todo um programa. Vale a pena ler. Esta frase, por exemplo: "As zangas ocorrem frequentemente por motivos de dinheiro, duas mulheres juntas nunca se conseguem governar". Por momentos pensei: se calhar o Prof. Arroja é lésbica e teve uma má experiência a lamber carpetes. Às vezes aparece com cada Bin Laden... Enfim. Mas depois, reflecti mais um bocadinho e disse para comigo mesmo: ora, mesmo que o Prof. Arroja tivesse tido uma relação lésbica ele não poderia generalizar porque se calhar teve azar e não descobriu o amor verdadeiro e harmonioso.

Foi aqui que cheguei a uma conclusão. Lendo isto só se pode concluir que Pedro Arroja é uma pessoa sem harmonia interior. O facto de ser praticamente anão e ser pouco notável na rua faz dele mais pequeno que a sua própria mente e torna-o amargurado com a existência dos outros. É um homem triste, o puto que tem a bola mas não tem os amigos nem a alegria da rua. Quando comecei a escrever este post estava a rir. Agora tenho pena. Coitadinho.



publicado por jorge c. às 11:44
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Sexta-feira, 4 de Março de 2011
De ouvido

Esta semana fui ver Somewhere, da menina Coppola. A meio da película aparece um cidadão a cantar Teddy Bear - um tema celebrizado pelo Rei. E a tradução é algo absolutamente surreal. Era algo como "eu não quero ficar cansado porque não sei quê, eu não quero ser mentiroso porque isso não faz o teu tipo". Bem, olhando para a letra original percebe-se qual foi o problema - falta de profissionalismo.



publicado por jorge c. às 20:26
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Quinta-feira, 3 de Março de 2011
Qualidade e rigor, desta vez na Sic

Acabo de ouvir no Jornal da Tarde Primeiro Jornal da Sic, o mesmo onde ontem Bento Rodrigues garantia que a descida da despesa tinha que ver com a subida de impostos, que o treinador do Sporting, José Couceiro, tinha uma "tarefa herculana". Parei, saboreei o vento que vinha da minha janela virada a sul e senti a brisa do mar tralara rarara. Depois de um ligeiro momento de descontracção, relaxamento dos músculos do pescoço e das mãos, fiz-me a um dicionário online. Vejam bem, já há dicionários online! É a loucura do progresso! Como não tinha nada para fazer pensei, ora deixa lá ver o que é uma tarefa herculana. Sendo que sou um génio, percebi logo que herculana seria um adjectivo e meti as mãos à obra. Olha... não aparece nada. A palavra não existe no dicionário online. Deixa lá ver nos antigos. Isto não há nada como papel que estas coisas da modernidade são muito falíveis. E... nada! Que estranho! Se calhar não teve tempo de procurar, o cavalheiro cujo nome me escapou. Ou se calhar - e eu não quero aqui lançar falsos testemunhos - os chefes destes cavalheiros andam a dormir.

 

 

Adenda: Portanto, a palavra enquanto adjectivo existe, mas é estúpido porque o ignorante deveria usar as mais comuns: hercúlea ou herculeana. Mantenho a minha posição e não desarmo. Fogo!

 

Adenda 2: Agora mais a sério, na Caixa de comentários deste post Bento Rodrigues responde à crítica que lhe enderecei.



publicado por jorge c. às 14:20
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Terça-feira, 1 de Março de 2011
Inconsequências

Ontem ouvi uma advogada muito indignada porque a sua classe não tinha sido abrangida pela obrigação de remuneração dos estágios profissionais. Ora, contra os meus próprios interesses devo dizer: mas que grande disparate. Como a Sra. Dra. deverá saber, as sociedades de advogados não se podem constituir como sociedades comerciais porque não têm uma finalidade comercial. Como é que seria então possível dar um estágio a alguém sem um lucro que o permitisse. Uma parte significativa dos advogados recusar-se-ia a dar estágios e uma outra parte ficaria sem estágio. Logo, não poderia exercer.

Quando se dizem disparates é bom que se pense na consequência das nossas propostas. Por exemplo: acabar com os recibos verdes. Com o nossos sistema laboral isto significaria mais desemprego porque em muitas empresas não existem postos de trabalho efectivos para esses contratos reais. O problema dos recibos verdes é outro: haver trabalhadores com contratos de trabalho evidentes que continuam a passar recibos verdes. O recibo verde ajuda até, de certa forma, à possibilidade de empregos que dificilmente existiriam com uma legislação rígida em alguns pontos como a que temos. Tal como o problema dos estágios de advocacia é haver gente que se mata a trabalhar para sociedades de advogados que têm poder financeiro suficiente para remunerar os seus estagiários. Ou seja, é um problema que está no domínio ético.

Portanto, conclui-se que obrigar à remuneração é uma solução contraproducente que teria efeitos muito mais devastadores para quem já tem dificuldades. Convinha pensar nestas coisas antes de protestar para não se fazer má figura e descredibilizar o próprio protesto.



publicado por jorge c. às 11:49
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Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011
google

 

 



publicado por jorge c. às 02:36
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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011
Conta-me como foi - um conto sociológico-matemático

Estava tudo bem na margem sul. Gaitán cruza para Cardozo que estava no meio de três cidadãos desorientados. Um desses cidadãos ensaia uma espécie de corte, que é uma forma de inverter a narrativa da bola num lance de um desporto com o qual ele não estava minimamente familiarizado. A bola sobra para Salvio - um latino-americano que tem um conhecimento académico do desporto - que não hesitou em empurrá-la lá para dentro. Golo! A margem sul parecia ser o sítio ideal para se estar. Tudo zen! Entretanto, o árbitro apercebendo-se que o adversário do Glorioso jogava com 8 desde o início resolveu tentar equilibrar e pôs-nos a jogar com 10. Foi justo e lá seguimos até o Gaitanzinho enfiar o esférico na rede de novo. Fiocou tudo bem. Preparavamo-nos para efectuar o devido pagamento quando salta uma sms para o telefone de um dos dois compatriotas Benfiquistas que me acompanhavam. "Anda para a embaixada da Líbia e traz cigarros". É num instante. Vamos lá e depois vamos beber um caneco. E assim foi. Chegados lá, não queríamos acreditar: uma multidão. Estes três reforços eram apenas uma migalha num grupo que passara então a ter 4 manifestantes. Entretanto chegaram mais 3 manifestantes munidas de 2 cartazes gigantes, A4, a dizer uma cena qualquer. Eu nem sabia que a Líbia estava com problemas. Nos placares, cá fora, parecia estar tudo bem desde os anos 70. A daydream em postais. Mas a polícia, que entretanto percebeu a ameaça que aqueles 7 cidadãos constituíam para a estabilidade do regime libidinoso, apareceu logo para dispersar a multidão. Infelizmente, dos 7 manifestantes, 7 deles foram identificados. É a pedagogia da autoridade. Entretanto, mãezinha, se for alguma carta para tua casa não te preocupes, fui eu que dei a morada. Não quero cá confusões com a justiça.



publicado por jorge c. às 12:18
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Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011
"Era um passarinho que queria voar..."

Mais ou menos à hora que Pedro Santana Lopes escrevia isto, Barack Obama fazia a sua primeira declaração sobre a situação no Egipto, pouco depois do Mubarak se dirigir ao seu país e ao mundo. Mubarak reconhecia, então, a gravidade da situação acentuando a tónica da sua declaração na não-recandidatura e na transição pacífica de poder. Por todo o mundo, os media destacavam, à mesma hora, o problema vivido não só no Cairo, mas por todo o país, em especial, na cidade de Alexandria. Crê-se que bem mais de um milhão de pessoas terão saído à rua manifestando-se contra o governo egípcio. As imagens que televisões como a Al Jazeera transmitiam em directo, ou as actualizações por milhares de meios de comunicação pela internet, não deixavam motivo para dúvidas.

Ainda assim, Pedro Santana Lopes, ex-Primeiro-ministro português, considerava tudo isto - "amplificação de factos, de manifestações, de agitações pelas reportagens especiais e outras que tais" - "fenómenos estranhos!".

Para mim, o fenómeno estranho é alguém que teve a responsabilidade de um Chefe de Governo, e se propõe a ser uma figura de destaque num partido de poder como o é o PSD num cenário global como o que temos hoje, dizer este tipo de coisas sem ter o cuidado de, pelo menos, ligar a televisão.

A internet é hoje a prova provada do mito que foram, durante décadas, alguns dos nossos mais esclarecidos actores políticos. É a isto que se chama vergonha do alheio.



publicado por jorge c. às 21:09
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Domingo, 8 de Agosto de 2010
Avante touros de morte!

Torna-se muito fácil discordar de Bruno Sena Martins. Neste post no Aparelho de Estado comete dois erros e demonstra a fragilidade da opinião.

Vamos aos erros. Aquela foto, meus Deus, aquela foto! Há várias campanhas que insistem que os animais sangram da boca por causa das bandarilhas. Photoshopa-se e os incautos comem. Bem, não é preciso ser veterinário para perceber que em qualquer morfologia aquilo seria impossível. Olha, na do homem, por exemplo. Enfim, tudo serve, até esta desonestidade infantil. O segundo erro é mais uma imprecisão. A Monumental de Barcelona foi encerrada há já algum tempo. Barcelona é, desde essa altura, uma cidade anti-taurina. Mas o que mais releva aqui, e então entramos na fragilidade da opinião, é essa posição da Catalunha contra Espanha. É mesmo disso que estamos a tratar, de rivalidade regionalista e separatista, e não de um verdadeiro e efectivo desconforto cultural. Esse marketing catalão é, aliás, bastante intragável. Convence os pós-modernos de qualquer coisa cool e torna-os ainda mais endofóbicos. O tom infantil, fútil e pseudo-revolucionário corresponde precisamente à pequenez regionalista que despreza culturalmente tudo o resto. Parece um paradoxo, mas não é: há muita ignorância nesta zona da intelectualidade. Barcelona é o seu lugar preferido.



publicado por jorge c. às 12:12
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Terça-feira, 20 de Julho de 2010
A banalização da diabolização

Com esta história da proposta de revisão constitucional do Passos Coelho renasceu uma tendência demagógica da esquerda portuguesa e que passa por diabolizar o PSD.

Não está aqui em causa se se concorda ou discorda com a proposta, mas sim a linha de argumentação oposta que reflecte uma inenarrável falta de espírito democrático. Criticar uma proposta porque ela vai matar pessoas à fome e porque é fascista é algo tão demagógico que se torna anti-democrático, porque o que esta argumentação faz é tentar assustar com o seu tom fatalista de forma a criar o máximo de ruído para condenar em abstracto o PSD e a sua legitimidade democrática.

Este é um hábito feio da esquerda, que é ser totalmente intolerante com a legitimidade democrática dos partidos de direita. Foi isso, aliás, que permitiu que Sampaio, num acto claro e indiscutível de favorecimento ao PS, dissolvesse a Assembleia da República. É como se a esquerda detivesse o monopólio da legitimidade democrática e a direita não pudesse adoptar políticas - manias! - de direita. É como se apenas a esquerda fosse válida num sistema democrático.

O país não cresceu, não compreende o significado de escassez de recursos, não compreende o significado de deveres e responsabilidades. E é por isso que anda sempre com a igualdade, os ricos e os pobres e a liberdade na ponta da língua, sem que saiba, de facto, o peso que tudo isso carrega.



publicado por jorge c. às 18:06
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Quinta-feira, 1 de Julho de 2010
Dos tempos livres

Nunca gostei de joguinhos de cartas. Prefiro gastar o meu tempo com o dominó ou com o xadrez. São opções, claro. As cartas sempre me pareceram jogo de putas.



publicado por jorge c. às 20:49
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Terça-feira, 1 de Junho de 2010
Os fascistas e os terroristas

Parte da blogosfera portuguesa está muito irritada com outra parte da blogosfera portuguesa por causa de mais uma crise na questão israelo-árabe. Parece que é em Portugal que se vai resolver o assunto e, em particular, na blogosfera.. Eu tentei tomar um partido, mas ainda estou de boca aberta com a palermice.



publicado por jorge c. às 13:25
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Segunda-feira, 31 de Maio de 2010
Grande Porto

Manuel Pizarro dá esta entrevista caricata ao Público onde, entre muitos disparates e pantominices, declara ser favorável a uma fusão das três principais cidades da zona do Porto que incluem a própria cidade, Matosinhos e Gaia.

Manuel Pizarro, como costuma dizer o Dr. Rui Rio em relação a outras questões, está na estratosfera. Só alguém que desconhece em absoluto a identidade destas três cidades pode afirmar algo do género. E isto só para início de conversa. Não faz qualquer sentido afastar as comunidades da sua natureza para as fundir. A identificação com o território é um princípio cultural e civilizacional básico para a maior estabilidade da comunidade.

Com efeito, é em comunidades pequenas e que se identificam com esse território próprio que se encontra a parte substancial da solidificação comunitária. A região do grande Porto pode valer-se como imagem externa como um todo. No entanto, as características individuais de cada cidade é que marcarão directamente o interesse e os pontos de desenvolvimento.

Do ponto de vista administrativo, se já é difícil promover o melhor desenvolvimento de pequenas freguesias espalhadas por estes concelhos, imagine-se numa mega cidade-concelho onde a concentração de poder seria maior, tal como a probabilidade de se deixar as zonas mais pequenas secarem.

O PS no Porto não existe. Como não existe tem estes espasmos para fazer de conta que disse alguma coisa, lançando uma discussão imbecil numa região que precisa de outros tipos de coesão.



publicado por jorge c. às 12:14
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010
Mas o que é isto?

Descubro no Abrupto a primeira página de hoje do Diário de Notícias. Seja o que for que aquilo pretendeu ser, é de um miserabilismo, de uma falta de moral e de bom senso sem precedentes. Coisas destas são ditas por atrasados mentais ou por fanáticos. Um jornal não pode fazer isto.

Se o bom senso imperasse mais gente se insurgiria contra isto.



publicado por jorge c. às 14:56
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Domingo, 9 de Maio de 2010
Falar por falar

São já raras as vezes que presto atenção ao Eixo do Mal. A figura de Pedro Marques Lopes (PML) e os seus lugarejos comuns, frases lapidares ("o problema deste país", "só neste país") e lições sobre o que é a direita (a dele, claro) passam agora os limites do entediante e começam a ser irritantes. Ontem, enquanto ia mudando de canal, lá passei pelo Eixo do Mal e estava o Dr. Marques Lopes muito empenhado a falar das obras públicas e dos seus riscos. Mas como não queria falar só mal do governo, e completamente a despropósito, disse estar muito preocupado com as declarações de Cavaco Silva por este ter lembrado o passado, sendo que teria sido ele um dos principais contribuidores para o endividamento na sua era.

 

Ora bem, isto é como em tudo, há sempre alguém que nunca gosta de tomar uma posição objectiva sobre nada e agradar a gregos e troianos, acabando por cair no disparate pegado e fazer figura de pateta. O que PML não consegue perceber é a diferença das circunstâncias. Cavaco pode lembrar o que quiser porque o tempo era outro, tal como a situação das finanças públicas e o movimento dos mercados internacionais e principalmente da banca. Acontece que primeiro é preciso compreender que ninguém está contra o TGV ou o Aeroporto (sendo este muito mais discutível, no meu entendimento, enfim...) mas sim que a gravidade do endividamento é muito maior do que alguma vez havia acontecido e as probabilidades de não haver financiamento e capacidade de cumprimento são demasiado altas para que se avance de imediato para tais obras. Foi isto, aliás, que defendeu a Dra. Ferreira Leite quando falou em suspensão, repetindo até à exaustão que se tratava de uma situação provisória até os mercados estabilizarem e as finanças se revitalizarem. De nada adiantou devido a tresleituras deste género.

 

O problema das grandes obras públicas não é a sua natureza, mas sim as circunstâncias em que a sua construção se vai proporcionar. Ninguém duvida que vai gerar emprego e contribuir para uma maior mobilidade e desenvolvimento económico, mas se a banca for incapaz de dar resposta às necessidades de empréstimo dos Estados as consequências podem ser tão más que não compensa arriscar.

 

Há uma certa desonestidade intelectual na promoção das grandes obras públicas. Ainda esta semana, José Sócrates disse que não tinha sido o grande investimento público a provocar a crise. Pois não. Isto é uma não-questão. Nunca se ouviu ninguém a dizê-lo. O que se diz - isso sim - é que poderão agravar ainda mais o endividamento e isso tem consequências que passam a estar fora do nosso controlo. O problema é, portanto, de futuro, e não de presente ou passado.

 

Não sou um grande fã da política de obras públicas de Cavaco. A verdade é que no seu tempo esse investimento impulsionou a economia portuguesa e ajudou à integração europeia. Havia muito dinheiro a circular e resposta para os créditos. As circunstâncias actuais são tão diferentes como o dia e a noite e por isso compará-las com outras épocas (seja os anos 90 ou os 60) é estar a falar de uma cátedra comprada na Feira da Ladra; é encher espaço de comentário político com disparates. Nada a que já não estejamos habituados com esta nova geração de comentadores políticos que julgava vir substituir as vacas sagradas. Seria a substituição das elites tão querida pelo marxismo. Acabariam com os terríveis pacheco's e pulido's desta vida e singrariam iluminadas pela modernidade. Depois vai-se ver e é isto...



publicado por jorge c. às 12:34
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