Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
As nossas mulheres

Há, nos últimos dias, mais um tipo de conversa que a-d-o-r-o: as mulheres na política. De repente, com a eleição de Assunção Esteves, parece que voltou aquele velho chavão feminista serôdio de que "mulheres na política é que é". Contra a opressão, diz a própria Assunção Esteves.

É um tipo de conversa que me enjoa por ser redutor e por não avaliar aquilo que de facto é essencial. Na política quero pessoas competentes. Pouco me importa que sejam homens ou mulheres. O que não quero é que sejam colocadas pessoas em cargos por causa do seu género, independentemente de qual seja.

Se há algum problema com as mulheres na política é, muitas vezes, a sua pouca mobilização. É claro que a sociedade continua a ser sexista, não é isso que está em causa. Até há uns anos atrás, em média, as mulheres recebiam menos 30% do que os homens para ocupar um mesmo posto com a mesma responsabilidade. Isto sim, uma preocupação.

No meu universo pessoal, por exemplo, encontro mais mulheres a dizer que não gostam de discutir política do que homens. Não é significativo, mas ajuda-me a compreender que, acima de tudo, é um problema cultural, venha ele de onde vier. A luta parte das mulheres, é um facto. Mas não pode passar pela vitimização e a espera de que umas quotas resolvam um assunto, que está a montante, para devolver a dignidade do género. É uma absoluta falta de noção da vida no geral. Causas fracturantes, com toda a tonalidade do desprezo que a expressão possa ter.



publicado por jorge c. às 10:51
link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010
Contra a violência de género

Felizmente, a minha falta de tempo é compensada por este grandioso post do Rui. Devemos todos agradecer-lhe por ter perdido um bocadinho do seu tempo para escrever as palavras certas para o melhor dos motivos.

Não haja desculpas.

 

 

Este post é tão uma dedicatória.



publicado por jorge c. às 18:12
link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010
feminismos

A vitória de Dilma Rousseff nas presidenciais brasileiras deu origem a uma reacção pela qual eu não esperava em certos sectores. Apesar da total ignorância em relação à política brasileira, o que é perfeitamente natural, a reacção foi feminista. Pouco importa se Dilma é uma cidadã exemplar, honesta, de confiança para um cargo de poder. É mulher e é de esquerda.

Não posso deixar de procurar as minhas virtudes no meio desta confusão de conceitos. Cresci com duas mulheres no poder, para além da atitude autodeterminada da minha mãe e das minhas avós. Num dos países mais conservadores do mundo Thatcher mandava, e até mesmo em Portugal havia uma mulher na cadeira do poder por força de uma série de circunstâncias. Nem sequer tive tempo para ser machista num mundo que se abria ao pluralismo a cada dia que passava. Ainda não há muito tempo tivemos uma mulher na fila para S.Bento. O seu azar foi não ser de esquerda. É imperdoável! Ou se calhar não conta por ser velha e feia, que é um tipo de critério muito querido por uma certa mentalidade.

Acredito que seja possível o poder não obedecer à mesma lógica sexista da maioria das actividades. O género político pode não ser relevante face às adversidades contemporâneas da região em causa ou até mesmo à credibilidade do seu sector político. E não acredito nisto por achar que o mundo está cheio de gente bonita e bem disposta que gosta de rir, mas sim por encontrar na linguagem política uma tónica diferente que abafa mentalidades mais impulsivas. O discurso político é tendencialmente manipulador e joga no campo das necessidades. Uma mulher na política não é usada como uma mulher, mas como uma política. É uma figura abstracta e não a mulher concreta que ocupa um lugar ao nosso lado. Talvez possamos, até, falar aqui, e apesar do descrédito social, de um endeusamento da classe política, algo que os demais são incapazes de atingir.

Talvez até seja uma vitória para os movimentos feministas. Talvez seja mais um passo numa luta legítima pelo pluralismo. Mas, será mesmo isso que interessa quando falamos de Poder?



publicado por jorge c. às 15:47
link do post | comentar | partilhar


Um blog de:
Jorge Lopes de Carvalho mauscostumes@gmail.com
pesquisa
 
arquivos

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

tags

todas as tags

blogs SAPO
visitas
subscrever feeds