Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2012
uma história extraordinária

Não há nada como uma boa aldrabice.

Os grandes impostores da nossa história, e da literatura, foram sempre personagens de grande competência. D.Juan, por exemplo, aos olhos de Molière, era um refinado hipócrita. Porém, não tenhamos dúvidas de que se tratava de um excelente impostor. Atrevo-me, até, a vigarizar uma célebre frase sua para dizer que "a aldrabice é um vício que está na moda". E, por falar em vigarizar, atente-se à inolvidável competência do Vigário que Pessoa imortalizou num pequeno conto, não obstante ter durado apenas umas horas.

Há aldrabices lentas e aldrabices tão repentinas, que apenas a competência da execução distingue os seus protagonistas.

Em Portugal - país de inúmeras aldrabices - a competência é, contudo, relativa. E é isto que incomoda. A uma aldrabice incompetente, facilmente desmontável, e ao seu desajeitado impostor, logo se junta uma tutela que os protege. Poderá isto suceder por mera ingenuidade mas, a verdade, é que se estraga logo a beleza da aldrabice. É batota. Porque o bom da aldrabice é que ela engane tudo e todos sustentada, apenas, pela competência do impostor.

A opinião pública portuguesa está, todos os dias, sob a mira da aldrabice. Enchem-se canais de comunicação das mais variadas vigarices mentais, de simples desconstrução, que são sustentadas por directores e editores nas redacções, por um senado de especialistas e, por consequência, pelos representantes políticos do povo. E, se estes se deixam enganar, então a aldrabice perde a sua originalidade e a sua competência. 

Por estes dias, apanharam um impostor. Um grande e verdadeiro impostor. Ludibriou tudo e todos, como nesses truques de ilusionismo em que a arte está na manobra de diversão criada. O espanto generalizou-se e as reacções foram, até agora, sublimes, desde os mais sabichões aos mais envergonhados.

Nas grandes obras literárias, não podemos dizer que existe sempre uma moral da história. O que há é uma demonstração das formas que a condição humana toma, sem juízos. Cabe-nos a nós, leitores, decidir. Talvez só daqui a muitos anos, saberemos que decisão tomámos para as nossas vidas, depois desta história extraordinária.



publicado por jorge c. às 19:43
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Quarta-feira, 27 de Julho de 2011
dos tempos que correm

 

(And I heard as it were the noise of thunder 
One of the four beasts saying come and see and I saw
And behold a white horse)

There's a man going around taking names
And he decides who to free and who to blame
Everybody won't be treated all the same
There'll be a golden ladder reaching down
When the Man comes around

The hairs on your arm will stand up
At the terror in each sip and in each sup
Will you partake of that last offered cup?
Or disappear into the potter's ground
When the Man comes around

Hear the trumpets, hear the pipers
One hundred million angels singing
Multitudes are marching to the big kettledrum
Voices calling, voices crying
Some are born and some are dying
It's Alpha and Omega's kingdom come

And the whirlwind is in the thorn tree
The virgins are all trimming their wicks
The whirlwind is in the thorn tree
It's hard for thee to kick against the pricks

Till Armageddon no shalam, no shalom
Then the father hen will call his chickens home
The wise man will bow down before the throne
And at His feet they'll cast their golden crowns
When the Man comes around

Whoever is unjust let him be unjust still
Whoever is righteous let him be righteous still
Whoever is filthy let him be filthy still
Listen to the words long written down
When the Man comes around

Hear the trumpets, hear the pipers
One hundred million angels singing
Multitudes are marching to the big kettledrum
Voices calling and voices crying
Some are born and some are dying
It's Alpha and Omega's kingdom come

And the whirlwind is in the thorn tree
The virgins are all trimming their wicks
The whirlwind is in the thorn tree
It's hard for thee to kick against the pricks

In measured hundred weight and penney pound
When the Man comes around.


(And I heard a voice in the midst of the four beasts
And I looked and behold, a pale horse
And his name that sat on him was Death
And Hell followed with him.)
 
johnny cash


publicado por jorge c. às 01:08
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Terça-feira, 12 de Abril de 2011
Oh, the humanity of it all!

Japan Nuclear Crisis: Officials Reportedly Raising Crisis To Highest Severity Level, 7, Matching Chernobyl

 



publicado por jorge c. às 03:50
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Domingo, 13 de Março de 2011
De profundis, valsa mais que lenta

No dia em que Claude Debussy fez nascer a música pairava uma longa névoa melancólica sobre Paris. Sentado ao piano desenhou um corpo triste e doce que se alastrou lento sobre a humanidade como se o seu próprio corpo respondesse ao desassossego da neblina e então Paris choraria para sempre o mundo.

Hoje, ao passar a Ponte, vi as nuvens sobre o Cristo-Rei e o rio a correr na escuridão ao som de uma breve valsa lenta. Lembrei-me que algures a humanidade desequilibra-se, o eixo da Terra desloca-se, a água destrói e o mundo gela com uma tristeza que se transforma em dor. E todos nós, por momentos, conseguimos chorar. A humanidade de tudo isto.

 



publicado por jorge c. às 19:37
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