Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
Responsabilidade Institucional

Vasco Graça Moura decidiu, sabe-se lá bem por alma de quem, que o seu CCB não iria aplicar o novo Acordo Ortográfico. Vamos por partes.

 

Em primeiro lugar, não se trata de estar, ou não, de acordo com o novo acordo. O que está aqui em causa é se existe ou não legitimidade, de alguém que assume um cargo público, para decidir que determinada instituição não aplica uma regra que o Estado assume como estratégica. Imaginemos, agora, que um professor, um médico ou um juiz decidem não aplicar uma regra definida pelo Estado... Pois.

 

Nenhuma convicção pessoal pode subverter aquilo que o Estado, legitimamente representado, define como estratégia política, a não ser a de um governo eleito que decida alterar essa mesma estratégia. Vasco Graça Moura representa uma instituição. Ele não é a instituição. A instituição rege-se por aquilo que o Estado define.

 

Por último, a discussão sobre o Acordo Ortográfico não pode ignorar a relevância que tem uma uniformização de uma linguagem que abrange centenas de milhões de pessoas. Não hoje, em 2012, e num mundo com as características que ganhou. Uma vez mais, podemos estar a favor ou contra. No entanto, é mais do que lógico que, ao desenhar uma estratégia política desta natureza, todas as instituições que representam o Estado sejam coerentes com ela. É a isto que se chama responsabilidade institucional. 



publicado por jorge c. às 19:59
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Sábado, 19 de Fevereiro de 2011
Tipo

In 1985, I thought of “like” as a trite survivor of the hippie sixties. By itself, a little slang would not have disqualified the junior from NYU. But I was surprised to hear antique argot from a communications major looking for work in a speechwriting office, where job applicants would normally showcase their language skills. I was even more surprised when the next three candidates also laced their conversation with “like.” Most troubling was a puzzling drop in the quality of their writing samples. It took six tries, but eventually I found a student every bit as good as his predecessors. Then came 1986.



publicado por jorge c. às 11:35
link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010
Sobre o Facebook - um post que me pode trazer tantos dissabores

 

Mark Zuckerberg é o homem do ano, para a Time. Faz sentido. O Facebook é indiscutivelmente um fenómeno global e deu à internet uma nova vida. No meio de todas as redes sociais, esta é hoje a mais concorrida (vamos colocar o YouTube ou o YouPorn noutra prateleira). O mediatismo é tal que até aos cinemas chegou - A Rede.

Mas, o que traz mais o Facebook ao universo virtual, para além da participação?

Acreditou-se que através dos social media a divulgação de informação seria muito maior, tal como a sua acessibilidade. Contudo, hoje, a utilização que vemos ser feita da rede Facebook é sobretudo fútil, desinteressante e vouyeurista. É claro que isto parte da observação da minha página pessoal. Mas dá para perceber, pelo menos, aquilo que o utilizador comum faz de um instrumento com tantas potencialidades. De notar, também, que no Facebook as linguagens misturam-se. Adicionamos amigos, familiares, colegas de trabalho, pessoas que vamos conhecendo de outras redes sociais (blogs, twitter, etc.) ou até mesmo pessoas que não conhecemos de lado nenhum.

Esta particularidade é muito interessante e merece alguma atenção. Quando eu junto num universo virtual pessoas que nunca se iriam encontrar, o mais provável é gerar-se algum desconforto. A linguagem que uso com os meus amigos não é certamente a mesma que uso no meu trabalho. Por isso, mandar para o caralho a Shyznogud, ou ela mandar-me a mim, pode constranger, de certo modo, o meu chefe, ou até a minha mãe. Os amigos da família têm, também, outra linguagem. Mas mais do que estes, as pessoas que conhecemos da internet compreenderão muito mais a nossa linguagem escrita do que muitos daqueles que conhecemos de longa data. Não nos podemos esquecer que aqui usamos uma linguagem escrita e que nem todos conseguem decifrar coisas simples como a ironia (essa criatura tão mal tratada e tão incompreendida por estas bandas) ou nem mesmo deixar de se levar tão a sério. Daí que não faça muito sentido querer reunir o mundo dentro de casa sem qualquer critério. Veja-se, a título de exemplo, o tom de retórica que adequamos a cada espaço e a cada pessoa - ali é para todos.

O que a net nos dá é uma das melhores oportunidades para aprender a filtrar e a ter critérios na selecção de pessoas com quem queremos partilhar informação. Recuperar o passado ou querer observar a vida alheia, para além de fútil, é egoísta, mais egoísta do que este meu comentário que é apenas pretensioso e snob. Para o poder fazer criei um blog (que muitos deles - os amigos - nem fazem ideia que existe porque lêem isto no feed do Facebook e por ali se ficam).

O ruído que hoje existe no Facebook é ensurdecedor: joguinhos e frasesinhas de pacote de açúcar e criancinhas abandonadas, ou cãezinhos, e merdinhas inúteis que dantes apenas nos surgiam pelo e-mail. Todo esse ruído que caía em bloco no mail até ao meio-dia passou todo para lá. É claro que eu não sou obrigado a adicionar ninguém, mas depois acontecia-me isto:

 

 

Não quero com isto dizer que a minha utilização da rede seja melhor do que a dos outros. Bem, em parte... No entanto, parece-me que nem todos estarão conscientes daquilo em que se tornou a internet enquanto navegavam serenamente entre o MSN e o Hi 5. Reduzir a utilização da internet a uma rede social apenas é, no mínimo, pateta.

Num destes dias estava num café com uma amiga. Entretanto, chegou uma miúda. Sentou-se na mesa do lado e abriu o portátil com ele virado para mim. Abriu o Facebook e ali ficou durante todo o tempo em que lá estive. Acredito que para muita gente este seja o procedimento habitual. Isto nada tem de sofisticado. É o sedentarismo dos tempos modernos.

Ainda assim, mérito para Zuckerberg que percebeu bem a coisa.

 

 

A imagem lá de cima é do Jonas por sugestão minha e da outra.



publicado por jorge c. às 16:51
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar


Um blog de:
Jorge Lopes de Carvalho mauscostumes@gmail.com
pesquisa
 
arquivos

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

tags

todas as tags

blogs SAPO
visitas
subscrever feeds