Sábado, 16 de Fevereiro de 2013
we can't rewind we've gone too far.

O CEO da SoundCloud cresceu num mundo em que se ensina a criar necessidades a partir das fragilidades nas personalidades. Talvez por ter crescido nesse mundo em que a linguagem do negócio e a dos conteúdos nem sempre converge, lhe tenha escapado uma canção que fez muito sucesso quando a Mtv dominava o mundo.

 

 

"Faz do teu negócio um sucesso". Mesmo que seja irrealista e ignorante, o gestor moderno sabe que as tendências se moldam, se transformam e que é possível influenciar pelo valor da marca. São coisas que foi lendo nos livros de auto-ajuda para os negócios, de forma a evitar uma depressão ou - sabe-se lá - a felicidade real. No entanto, como tudo na vida, a evolução dos meios tem uma lógica. Ora, essa lógica é que os consumidores querem estar dentro do conteúdo. 

No século XIX e no início do século XX, a música que conhecíamos era a que estava à nossa porta. A única coisa que circulava eram os músicos ou as partituras. O som, por si, não. Com as gravações, a música foi transportada para uma nova fase e o acesso aos seus conteúdos originais cresceu.

O vídeo veio dar ao mundo a imagem do artista tal como ele queria ser visto. Uma imagem trabalhada e produzida tal como o som. A televisão passou a ser o maior divulgador de música.

No final dos anos 90, a internet era já a ferramenta mais eficaz na divulgação de música e artistas. O All Music Guide, por exemplo, conheceu o seu maior sucesso mundial online. A maior e mais qualificada enciclopédia de música do mundo ganhou notoriedade que nunca teve com a edição em papel. Por sua vez, o Youtube trouxe a possibilidade da selecção de conteúdos que se mostrara impossível na televisão.

É certo que novos formatos surgirão e que novos meios terão a capacidade de abranger melhor a intenção artística dos autores e o voyeurismo dos fãs.

Mas é preciso não esquecer que hoje o consumo recai sobre o mediatismo e não sobre o valor da música. E é aqui que Ljung está enganado. Ele pode inverter a tendência da necessidade por uns tempos. Ganhará o seu quinhão. Mas nunca conseguirá resolver o grande problema da desvalorzação da música, da desculturização das massas em prol de um lucro ganancioso e irresponsável. Fomos longe de mais. 



publicado por jorge c. às 12:42
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Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2012
as minhas coisas favoritas

Em alturas como esta oferece-se dizer que só valorizamos as coisas quando as perdemos. Mas, logo viria alguém discutir o lugar comum e a falta de sofisticação, a pouca urbanidade da coisa e a necessidade de seguir em frente. É a chamada ética dos fúteis. 

É uma merda perder as coisas. É uma merda que sejamos poucos a tentar mobilizar as pessoas para os lugares que sabemos mágicos, onde o tempo não passa e se mantem estático para que, então, uma certa transcendência nos coloque os olhos no futuro. É isso que o Jazz nos faz. É o mais perfeito instrumento da consciência livre.

Pouco pretensioso, o jazz é da rua, é dos bares generosos. Quando as ruas e os bares perdem o jazz, nós perdemos um pouco mais de liberdade, de oportunidade para lançar a conversa num precipício interminável, empurrada pela enxurrada de uísque e de fumo livre.

Hoje, de manhã, acordei com uma notícia amarga. O Catacumbas - o último speak easy, digno do nome, na cidade - fechará em fevereiro. Talvez seja mais uma das consequências do tempo que vivemos. A crise. Porém, pergunto-me se a verdadeira crise não será a mesma história de sempre: a desvalorização das coisas, a troca do brinquedo velho pelo novo, a ditadura da novidade e do trendy e assim sucessivamente. 

Este é o meu maior ressentimento, não o nego. Porque não gosto de perder as minhas coisas favoritas. 

 

 

Até jazz, Manel.



publicado por jorge c. às 13:20
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Sábado, 28 de Abril de 2012
A Origem da Tragédia

Não obstante a minha necessidade de expressar opiniões sobre a dinâmica política, e porque sou um génio da circunstância vs. cultura, irei ocupar-me, nos próximos tempos, de uma doutrina sobre o Rock'n'Roll. Tratá-lo-ei como um afecto, expondo defeitos e virtudes mas, sempre com o amor que dedicamos aos amigos. Sobretudo isso: dedicação.

São hoje, já, cerca de 25 anos de percepção do Rock. Porém, não é a natureza da minha paixão que deverá importar neste formato mas, sim, a qualidade de um empirismo feito de consciência crítica, nascida de percepções inequivocamente condicionadas.

Poderia começar pela clara diferença entre o Rock americano e o Rock britânico. Porém, seria injusto, pois que o Rock britânico, para além da sua inetvitável natureza tradicional, conheceu origem na música tradicional americana. Uma pescada de rabo na boca? Talvez. Mas se é nos Beatles e nos Stones que ela se torna inquestionável (sem cronologia), a dúvida perde qualquer significado. A multiculturalidade da natureza americana fez o Rock'n'Roll.

Tamanha cultura multicultural acaba exposta, a meu ver, numa banda: Queens Of The Stone Age. É disto que irei, fundamentalmente, falar nos próximos tempos: a mais imperfeita e fundamental banda do Rock Contemporâneo.



publicado por jorge c. às 03:28
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Terça-feira, 3 de Abril de 2012
"we need a little controversy, 'cause it feels so empty without me"

Não sei o que terá passado pela cabeça criativa do departamento de marketing e comunicação da Música no Coração para ter esta ideia peregrina. "Ah, afinal era só uma brincadeira do 1 de Abril".

Uma empresa não pode apresentar um produto, sabendo que não o tem, e vir depois dizer que foi uma brincadeira. As empresas não brincam ao 1 de Abril. Até no mundo das notícias, a brincadeira do Dia das Mentiras pode sair cara. Numa empresa nem sequer deve ser uma opção. No entanto, houve ali um génio qualquer que achou que ninguém levava a mal. Acontece que, quando um produto está a venda, corre-se o risco que seja comprado. O convite a contratar e a aceitação reúnem-se no mesmo momento, pelo que se torna imperativo que toda a informação sobre o produto seja objectiva e - veja-se lá bem - verdadeira.

Todo este episódio é de uma monumental imbecilidade. Uma estupidez tão grande, tão grande, que merece um castigo severo. O bom da lei é que ela é, grande parte das vezes, anti-estúpidos. E, portanto, seria aconselhável que aqueles que foram defraudados levassem este caso até às últimas instâncias não deixando a sua pretensão pela simples devolução do dinheiro. As empresas têm de aprender a respeitar os seus stakeholders. Isto é válido para a própria TMN que, a esta hora, já devia ter tomado uma posição, se já não tomou.

Mas, o maravilhoso em tudo isto é o artista escolhido. Eminem é um artista que ataca a falta de consciência crítica. A falta de cultura que advém desta macacada é tal, que os seus autores acabaram por praticar, inconscientemente, o comportamento que o próprio Eminem condena, muitas vezes. Oh, a suprema ironia!

Quem se deve estar a rir disto tudo, agora, é Álvaro Covões. Mas, o que agora sabia bem, era ouvir isto:

 

 

 

Adenda: Uma forma original e não fraudulenta de fazer as coisas, no Dinheiro Vivo.



publicado por jorge c. às 00:20
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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011
Andy, are you goofin' on Michael?

A tarde foi abalada por uma notícia surpreendente: o fim dos R.E.M.. Surpreendente porque ninguém estava à espera que ao fim de 30 anos de carreira, aquilo que parecia uma instituição da música popular contemporânea, acabasse assim, abruptamente. Não tenho pena, confesso. Tenho mais pena da forma arrastada como iam passeando pelos discos, sem muito mais do que um esforço para ter material novo.

O caminho para a banalidade é assustador, porque fácil.

Lembro-me, porém, de um tempo em que ouvia o Automatic for the people todos os dias. Não todo. E, a grande maioria das vezes, uma só canção: aquela que me fazia sonhar com uma América que nunca poderia viver; a imagética de uma média-burguesia americana de tradição democrata mas, com uma evolução quase libertária-conservadora que víamos nas séries de televisão como Family Ties ou em filmes como On Golden Pond. Foi nessa canção que ouvi, pela primeira vez, falar numa das minhas maiores referências, o que daria, mais tarde, direito a um filme - Man on the Moon.

Dali, de onde eu estava, via nessa imagética a própria figura de Stipe, a figura de um burguês pretensioso, enjoado e imaturo. E gostava... a sério que gostava e gosto dessa figura que acabaria por escrever uma das mais belas canções de sempre - At my most beautiful - ou algumas das frases que mais sentido fizeram para mim em diferentes alturas das nossas vidas.

Nem todas como estas que, sempre que ouço, continuam a ter o mesmo efeito que tiveram por volta de 1994, quando as comecei a compreender, devagar: 

Moses went walking with the staff of wood. Yeah, yeah, yeah, yeah
Newton got beaned by the apple good. Yeah, yeah, yeah, yeah
Egypt was troubled by the horrible asp. Yeah, yeah, yeah, yeah
Mister Charles Darwin had the gall to ask. Yeah, yeah, yeah, yeah

Pois é.


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publicado por jorge c. às 21:46
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Terça-feira, 30 de Agosto de 2011
já temos disco para as tardes de invernia
Tom Waits - Bad As Me by antirecords

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publicado por jorge c. às 21:47
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Terça-feira, 16 de Agosto de 2011
A Herança

 

Contam-se muitas histórias e mitos no mundo do Fado. Muitas delas sobre figuras que tornaram o Fado mediático: Amália, Marceneiro, Lucília do Carmo, Maurício e muitos outros. Mas, há personagens que habitaram a vida do Fado bem por dentro e que ficaram sempre na sombra dessas glórias.

Há alguns anos, contava-me um amigo que certa vez, numa casa de fados em Lisboa, questionava o Mestre Fontes Rocha sobre aquilo que estava a ensaiar naquele momento. Era uma malha de guitarra muito bonita e um pouco diferente da estrutura tradicional. Respondeu-lhe o Mestre Fontes que tocava aquilo "no compasso do Bolero de Ravel".

Era um músico extraordinário, de uma criatividade invejável. Saído do conjunto do velho Nery, destacou-se ao lado de Amália Rodrigues e, juntamente com Oulman, ajudou a dar ao Fado uma nova roupagem que o levaria a palcos nunca antes pisados por estes músicos populares, a outros mundos.

Deixou a maior de todas as heranças - um neto que é, hoje, um dos artistas maiores da música portuguesa; um erudito de seu nome Ricardo Rocha.

Morreu ontem, o velhinho Fontes, Mestre do Fado, uma história dentro de outra história.

 



publicado por jorge c. às 22:36
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
Nos próximos dias só se falará de música e memória neste blog

 

O que não é uma novidade. Isto, confiante que passo Alfarim e estaciono o carro antes das 23h.


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publicado por jorge c. às 21:36
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2011
vamos lá ver se isto anima com um grande disco



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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
rock

Uxu Kalhus - O Velho from MPAGDP on Vimeo.


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publicado por jorge c. às 08:40
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Domingo, 26 de Junho de 2011
No fundo do mar

Não sei o que está na fronteira entre os sonhos e a fantasia. Sei, porém, que a fantasia é metafórica e que nos ajuda a crescer, a pensar em abstracto, a desenvolver a nossa percepção e os mecanismos para construirmos a nossa própria escala. Poucos são os que, a partir de uma narrativa fantástica, criam um factor pedagógico. A grande maioria prefere a infantilização. Por cá, tivemos a sorte de ter Sophia e José Gomes Ferreira.

Dos sonhos, desse lugar mais utópico de que mágico, ficamos com pouco mais do que uma idealização. O sonho embala as ideias e é, quase sempre, uma pretensão egoísta. Mas, deles podemos tirar uma estética terna, melíflua, ao mesmo tempo que negra e nublosa.

Nas "Histórias da Terra e do Mar", Sophia misturou estes dois universos, sem branduras. Gomes Ferreira fez o mesmo no "João Sem Medo". Até na fantasia existe adversidade e pode haver uma cortina de fumo - um sonho onde descobrimos a claridade. É algures nessa pedagogia que está a tal fronteira tão difícil de encontrar e que nos seduz, que nos leva à música, às letras e à encenação. Ora, não é fácil imaginar o imaginário que já por si só é tão perfeito. Representar qualquer um destes autores torna-se uma tarefa hercúlea.

Podemos, contudo, juntar dois ingredientes improváveis e fazer do imaginário uma representação fiel da fantasia e do sonho, recorrendo ao mais belo dos minimalismos. Foi precisamente este espectáculo que o Teatro S. Luiz montou, de forma muito feliz, com Bernardo Sassetti e Beatriz Batarda.

É como um bailado entre os dois universos. A irreverência ternurenta de Batarda contando a história da Menina do Mar, alimentando a fantasia, dizendo todas as palavras e todas as onomatopeias com a fragilidade e a delicadeza que isso importa. A cortina de sonhos enrolados e escuros como um coral sombrio no fundo do mar que nasce dos gestos leves de Sassetti - um nevoeiro constante que mistifica a rotina - desnorteia-nos e adormece-nos o adulto.

Às vezes temos a sorte de encontrar estas conchas com pérolas que iluminam a nossa memória, e voltamos a ser o rapazinho que em frente à janela fantasiava os sonhos nas árvores, nas casas, nas pessoas, nos carros. Talvez fosse isso que Pessoa quisesse dizer com "os beijos merecidos da Verdade".



publicado por jorge c. às 23:07
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Terça-feira, 24 de Maio de 2011
parabéns, meu velho

 

 



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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
A mensagem

A pegada de Marley pode resumir-se a um simples "vai ficar tudo bem". Depende de cada um de nós. Porque o futuro - esse - está sempre por escrever.

 

 

Obrigado ao João pela lembrança.



publicado por jorge c. às 01:22
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011
Sociologia II

Neste dia em que passam 17 anos (17 anos, santo deus!) da morte de Cobain recordo-me da importância sociológica da música popular contemporânea. Ela é e será sempre a expressão mais fiel de uma determinada geração, ou uma parte cultural significativa onde, para além das habituais frustrações, receios, ansiedades adolescentes, existe um sentido crítico, uma estética e um enquadramento que reflectem uma narrativa social própria de um grupo específico. Não tem necessariamente de ser explicito. Mas Cobain foi pornograficamente o grande autor da sua geração, o cronista daquele tempo, um génio de sociologia.

 



publicado por jorge c. às 18:08
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sociologia



publicado por jorge c. às 16:45
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
que isto seja o início de uma longa e bela amizade

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publicado por jorge c. às 11:19
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011
E com isto tudo já são horas de Abril

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publicado por jorge c. às 19:16
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Não há só fados no S. Luiz

Ir ao S. Luiz, por si só, já é um sucesso garantido. Um sala que recebe tão bem e com a sua qualidade técnica é, por si só, uma vitória. Mas como em tudo na vida não fazemos nada sozinhos, não somos completos.

A noite desceu quente sobre Lisboa. O cheiro da Primavera é perfume adequado para estes serões que nos abraçam com uma ternura inigualável. São as noites propícias à sensualidade das danças, das guitarras desgarradas que arranham a calçada e a partem sem piedade. Calçada que se estende de Lisboa a Paris ou a Buenos Aires querida através de uma voz de veludo que nasceu a cantar, sem esforço, torcendo a alma como um pano velho, o inevitável fado que nos mói, desconforto ou inquietação sem o qual não sabemos viver. Assim se completa o espaço com um corpo que se move pelo palco com uma delicadeza sincera nos gestos provocando arrepios e sorrisos. E quando se move, Cristina Branco dança e reage às palavras que se vão trocando como por mera brincadeira, como um jogo de significados entre as línguas; uma nova linguagem entre a guitarra portuguesa e o acordeão; uma nova linguagem entre a língua de Camões e a de Baudelaire que se cruzam num tango paciente e cheio de luz. Vem daí a doçura nos dedos de Laginha por breves instantes que parecem uma eternidade. É aí que ficamos, na eternidade desta beleza, deste conforto, em estilhaços.

 


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publicado por jorge c. às 15:09
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Quinta-feira, 24 de Março de 2011
do porto, com carinho

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publicado por jorge c. às 21:33
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Segunda-feira, 21 de Março de 2011
primavera dos destroços

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