Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2013
o consenso

Hoje é quinta-feira, o dia em que, na televisão, comentam os dois líderes da oposição ou, se quisermos, em que Manuela Ferreira Leite e José Pacheco Pereira marcam a agenda da oposição em Portugal. É estranho que seja dentro do mesmo partido mas, a verdade é que António José Seguro não existe, nem sequer aparece. Poderia ter aparecido para comentar os resultados do PISA e nem vê-lo. Tendo sido a educação uma das maiores batalhas dos Socialistas, é de estranhar.

Porém, podemos dizer que a oposição feita por Manuela Ferreira Leite e Pacheco Pereira é forte o suficiente para podermos, pelo menos, sentir que não estamos sozinhos. Muito pelo contrário.

Numa altura em que se fala tanto de consensos, parece-me que há um indício claro de consenso na sociedade portuguesa: o governo é mau e o PS não é alternativa. Mas, não desesperemos. Há uma alternativa. Porque o grande consenso nacional pedido pelo Presidente da República existe num país que está contra a forma mesquinha com que uma nova mentalidade política europeia ataca as instituições nacionais, a soberania e a dignidade dos portugueses. Tem aí um consenso, vossa excelência. Pode aproveitar e dissolver a Assembleia da República e mostrar ao governo liderado pelo inenarrável Passos Coelho que nem o seu próprio partido está com ele. Que este não é o país que queremos.



publicado por jorge c. às 14:33
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Quinta-feira, 17 de Março de 2011
Uma dedicação sem sentido

Tirei o dia para o fervor socialista.

Passos Coelho foi hoje a Belém pedir ao Presidente da República que actue perante a crise política instalada. É um facto: temos uma crise política. E por quem é que ela foi levantada? Terá sido pelo Bloco de Esquerda e a sua moção de censura? É evidente que não. Todos os partidos democráticos perceberam que a moção do Bloco não era séria e era até despropositada. Não havia dados efectivos da execução orçamental, nem nada de grave que comprometesse o governo. Terá sido do PSD? Também parece que não. O PSD tem ajudado o governo a segurar o barco com o orçamento, ajudou a chumbar a moção de censura, enfim... não é por aí. Acho que ninguém acredita que o PCP e o CDS pudessem ter alguma coisa a ver com isto.

Então, o que é que aconteceu?

Na Sexta-feira passada, o Primeiro-ministro antecipou um pacote de medidas que deveriam ser apresentadas em Abril. Até aqui tudo bem. É suposto fazermos esforços para transmitir confiança aos parceiros europeus. Acontece que Sócrates fê-lo primeiro às instituições europeias e não aos portugueses como seria de esperar. O compromisso do governo é, em primeiro lugar, com os cidadãos e só depois com as instâncias europeias. Esta omissão, numa altura em que o governo é tão contestado, é algo que cria ainda mais desconfiança.

Portanto, com esta lógica temporal de acontecimentos é natural que o PSD ou qualquer outro partido da oposição transmita ao PR a sua convicção de que o governo não tem condições para continuar. Achar que isto é incoerência por causa de uma moção de censura que antecedeu uma série de factos demasiado relevantes é estar a fazer um joguete partidário a ver se cola. É estar a preparar eleições antecipadas antes mesmo de cair. É um discurso político muito dedicado ao partido, mas pouco dedicado à política.

Já disse aqui várias vezes que não estou certo de que uma dissolução imediata da Assembleia da República possa ser benéfica para a nossa imagem no exterior, num momento em que a nossa capacidade de recuperar é posta em causa por entidades das quais dependemos. No entanto, não posso deixar de aceitar que a oposição o faça. Há motivos mais do que suficientes para tal.



publicado por jorge c. às 13:23
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Quarta-feira, 16 de Março de 2011
Caprichos

Corre por aí um movimento entre bloggers intitulado "Já basta!" (por momentos pensei que fosse espanhol) que quer a demissão ou exoneração imediata do governo. Há muitas coisas neste movimento que não fazem sentido, a começar por alguns destes bloggers serem conservadores e, por isso, promover a incerteza em relação a um futuro imediato é paradoxal.

O que move este grupo de bloggers? A queda imediata de Sócrates ou a chegada ao poder? Podem ser questões distintas, tanto que muitos deles não são apoiantes de Passos Coelho. Mas tanto uma como a outra parecem requerer alguma reflexão para se perceber o paradoxo.

A queda de Sócrates, para a maioria dos bloggers que o pretende, pressupõe também a derrota dos "Abrantes", a derrota da "namoradinha" e dos restantes jugulosos. É muito importante compreender que o que está aqui em causa não são motivações políticas, mas um mau-estar social provocado por aquilo a que na melhor doutrina chamamos "excesso de tempo livre". A melhor solução para isto é pedir encarecidamente que as pessoas tenham juízo e deixem de estar tão preocupadas com a vida dos outros.

A segunda questão - a chegada ao poder - é mais complexa e mais séria. Como diz aqui o Pedro Marques Lopes, não se pense que é por haver agitação social e descontentamento nas ruas que se vencem eleições. Chegar ao poder exige muita confiança por parte do eleitorado. O que temos assistido é que uma parte substancial do eleitorado não está muito confiante em nenhum dos partidos com tendência de poder. Logo, é algo que não só tem de ser trabalhado como conquistado. E trabalhar a confiança do eleitorado significa ser coerente, sério e objectivo.

Não se entenda isto como uma confrontação. Eu sei que é mais fácil chamar-me idiota útil do que pensar sobre o assunto. Mas acho que vale a pena parar um bocadinho, descontrair e pensar que o país não é um capricho nosso.



publicado por jorge c. às 13:44
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Terça-feira, 15 de Março de 2011
Por um fio

Vivemos dias extraordinários. Este é o tempo de definirmos o pensamento político contemporâneo. Daí que tenhamos de nos focar naquilo que é o interesse superior do país e não só. A Europa hoje é uma parte fundamental da nossa narrativa política e dela dependemos, tal como ela depende de nós. Os partidos portugueses não podem esquecer isto. A pressa de chegar ao poder é inimiga do interesse nacional. A urgência em derrubar governos não é compatível com soluções imediatas. Daí que seja um pouco triste ver a histeria que por aí anda antes mesmo de terminar o primeiro trimestre.

O que também não pode acontecer é o governo ignorar por completo as instituições democráticas. Se é certo que cada Estado-membro tem de apresentar as medidas de contenção orçamental para os anos seguintes, também se torna claro que uma antecipação dessa apresentação tem de ser devidamente comunicada ao país. Quando isso não acontece a confiança perde-se e dificilmente é recuperada. O governo não é o Estado. O governo representa o Estado.

O que aconteceu nos últimos dias não tem explicação. Se por um lado é verdade que o novo pacote de medidas estava previsto e era do conhecimento de todos que teríamos de o fazer obrigatoriamente em Abril com o propósito de projectar o défice dos anos seguintes, também não deixa de ser verdade que esse esclarecimento nunca foi dado e que o governo, ao antecipar, tinha de o comunicar explicando as razões por que o fazia. Principalmente depois do discurso do Presidente da República e da apresentação da Moção de Censura.

Uma sociedade política não se faz apenas de urgências económicas, mas também de confiança política. Essa confiança já não existe e resta apenas a execução orçamental. Quando assim é temos de ser pacientes. Mas já não podemos ser complacentes com discursos de defesa governamental.

Ontem, José Sócrates fez o seu último discurso de vitimização.



publicado por jorge c. às 13:15
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