Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011
O exercício dos Direitos Fundamentais

O direito de voto não é um Direito Fundamental que se exerça sem a contribuição do governo, não se determina a si próprio e por isso necessita de conformação executiva. Cabe, portanto, ao Estado criar todas as condições para a realização desse direito. Quando o Estado se demite da sua responsabilidade mesmo que por negligência, então considera-se que não fez o que estava ao seu alcance no cumprimento de um dever seu, imposto por lei.

Não podemos, assim, e como muito se tem ouvido por aí, desresponsabilizar o Estado de uma matéria consagrada como sua responsabilidade directa. Em rigor, falhou, como se pode ver, o dever de informação fundamental à prossecução do objectivo final. O Estado não pode assumir que a publicidade institucional é vinculativa porque os meios não são absolutamente acessíveis. A informação directa salvaguarda o Estado do cumprimento devido. Culpar os cidadãos por inépcia é, neste sentido, uma total falta de conhecimento da arquitectura e dos fundamentos constitucionais. É muito fácil perceber que, numa situação limite de indecisão eleitoral, este problema não seria certamente tratado com a mesma displicência.

Em bom rigor, é isto que está em causa. Como tal, não me parece nada descabido que se peçam responsabilidades. E neste caso, por que não ao responsável máximo? Não se trata de uma simples guerrilha político-partidária. Trata-se, isso sim, da defesa dos instrumentos democráticos.



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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011
Futuro próximo

Esta análise da Economist às presidenciais portuguesas é muito interessante porque assenta essencialmente em política, de facto. É qualquer coisa a que não estamos muito habituados. Os nossos analistas estão mais preocupados com o seu ego e os seus problemas dermatológicos do que com a análise política livre e lúcida.

Do Presidente da República espera-se que saiba ponderar bem o grau de crise política. Ela existe, é indesmentível, apesar do governo assobiar para o lado. É importante que o PR não contribua para o seu agravamento, mas que também não tape os olhos à incapacidade de liderança e de responsabilidade do Governo com os eleitores e os compromissos internacionais. E aqui está um dos temas que, confesso, me fez confusão não ver abordado na campanha eleitoral: a Europa.

O dia seguinte destas eleições é, sobretudo, de expectativa. Muito embora a previsibilidade de Cavaco Silva nos garanta que, pelo menos, nada de bombástico acontecerá se não houver um apoio significativo da opinião pública. E o Governo treme, claro.



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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011
Goodbye Lenin@

Afinal o povo já não é quem mais ordena. Há uma elite com uma certa abrangência que sente que este não é o melhor caminho para a democracia e para as instituições. Como tal, o melhor será fazer umas alterações cirúrgicas. Tudo pelo bem do progresso e do grande povo português europeu coiso. Chato é que agora está um bocado difícil encontrar uma solução. Se calhar, enquanto o problema não é resolvido, coloca-se um anúncio no jornal.

 

 

Classificados:

 

- Procura-se: homem/mulher com dimensão urbana, de preferência nascido e criado na área metropolitana de Lisboa (Algés e Sacavém não contam), com licenciatura + mestrado + doutoramento na área das ciências sociais, educação, saúde, física quântica e hotelaria. Dá-se especial atenção a quem tenha interesse por media e social media, coma de boca fechada, não roa as unhas nem tire catotas do nariz em público. É aconselhável que não tenha mantido qualquer tipo de relação pessoal sem recibo ou factura. Atenção! Tem de estar em convergência com o progresso e obedecer cegamente ao seu cânone. Contacto: olhe... procure na internet.



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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011
Figadeira

Sócrates: um Presidente não deve falar em crises políticas.

 

Não foi o único a referir-se ao tema nestes termos. Tal como Sócrates, há uma certa mentalidade que parece não compreender muito bem as funções da Presidência ou só as compreende quando é conveniente. À conveniência em matéria de princípios chamamos relativismo - uma velha tradição francesa da qual o socialismo europeu é particularmente fã. Ou refém.

Mas, regressemos ao tema e ao argumento falacioso. O Presidente da República pode e deve falar em crises políticas, principalmente quando elas estão latentes e a objectividade e a segurança institucionais são demasiado importantes para que o Estado não caia em desgoverno. Há crises políticas bem mais graves do que a dissolução da Assembleia da República.

Assim, compete ao Presidente da República mostrar que não se demitirá das suas responsabilidades num cenário de crise política (que pela Europa fora parece ser uma realidade cada vez mais presente) e ao mesmo tempo tentar evitar que ela aconteça cooperando com o Governo para o interesse nacional. Ora, se o Governo não se mostrar cooperante para o interesse nacional e tiver uma narrativa diferente do resto do país, é natural que nessa altura o PR actue em conformidade. Parece-me uma realidade política mais do que óbvia e legítima.

Tentar evitar uma crise política e saber o que fazer no caso dela se tornar inevitável não são dois discursos desconexos e incongruentes. Muito pelo contrário, são o mesmo discurso - o da responsabilidade e do conhecimento das funções da Presidência.

 

Agora sim, estou a fazer campanha e a falar de matéria eleitoral.



publicado por jorge c. às 11:36
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011
Impressões de uma campanha VI - epílogo

Fico com a ideia de que a maioria das pessoas tem algum desinteresse pela campanha eleitoral. Só pelas redes sociais é que há um surto forçado de campanha e que tem como foco principal Cavaco Silva. Julgo que se tratará mais de um facto do que de uma percepção exclusivamente minha.

Com um cenário destes, o meio dos que gostam de debater a política está um pouco condenado a cair no erro dos casos laterais e dos soundbites sem conteúdo ou enganadores. Poderá ser este um dos motivos para o desinteresse dos cidadãos em geral? Eu julgo que sim. Não porque as pessoas tenham necessariamente consciência do fraco grau de debate, mas sim porque deixam de compreender a necessidade da política nas suas vidas por falta de esclarecimento.

Ora, se os media tradicionais optam pelo lado da campanha menos relevante para o país (reflexo do que os candidatos transmitem), deveria caber aos comentadores, aos bloggers e aos milhares de pessoas espalhadas pelas redes sociais uma discussão mais profunda porque são estes os que a mais informação têm acesso. Limitarem-se a reproduzir soundbites das assessorias dos candidatos e dos partidos é um sinal evidente do falhanço do debate democrático.

Acima de tudo, estamos perante uma falta de juízo crítico provocada pelo sectarismo e pela propaganda. Alimentam-se expressões-chave ou casos sem uma acusação em concreto, levantando suspeitas sobre as pessoas, e ignora-se a substância política de cada candidatura. Para que serve a Presidência da República? Quais os seus poderes e funções? Não, nada disso. É preferível discutir a insignificância de um artigo matricial numa escritura pública (sem saber ao certo do que se está a falar, mas levanta-se sempre a suspeita), o passado extremista do candidato ou se é o partido A ou B que dá ou não dá apoio, e por aí fora. A desculpa é o escrutínio do carácter dos políticos. Já comi pior e não paguei.

Dizem que os soundbites resultam, porque as pessoas não querem conteúdos. Eu muito gostava de saber quem é que lhes passou procuração sobre o que os eleitores querem ou não. Os eleitores não são estúpidos e a culpa do regime não é deles. Responsabilizar o povo, em abstracto, pelo resultado das suas opções é desresponsabilizar os políticos da sua vertente pedagógica e honestidade intelectual. Conhecemos muitos instrumentos para fugir a essa responsabilidade: o populismo, a demagogia, a propaganda, etc.

A repetição do discurso vazio das candidaturas por pessoas informadas, por puro sectarismo, é que vai, então, revelar essa falta de juízo crítico e incapacidade de pensar e promover a política como um bem comum e não como um projecto egoístico que não olha a meios para atingir fins. Compete-nos ser exigentes com o debate político e não nos conformarmos com o caminho que cada vez mais ele toma.



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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011
Impressões de uma campanha V

Nos últimos 5 anos vimos muita gente ser acusada de estar do lado do socretismo e de ser idiota útil do socretismo e mais trinta por uma linha. Eu próprio cheguei a ser acusado de tal quando peguei no tema homossexualidade na polícia, a propósito de uma tertúlia a que assisti sobre o assunto. Talvez seja natural a destilação de ódio quando estamos na oposição e tudo o que estiver relacionado com o poder é exponencialmente diabolizado. Por outro lado, uma ameaça ao poder é logo atacada pelo seu lado mais frágil, o da injúria fácil e sem conteúdo político.

Quando os sujeitos da relação política mudam e se invertem as posições, os peões acompanham a mudança até na percepção da sua narrativa. Isto suscita a velha questão do "dois pesos e duas medidas". Aqueles que condenavam a injúria são agora os injuriadores e vice-versa. Na cabeça dos sujeitos isto faz todo o sentido, e faz se tivermos em conta que entendem a política como um jogo de interesses egoísticos. Quando assim é, o debate em abstracto não se gere por princípios de fundo, mas antes pelas circunstâncias actuais. A diferença entre o princípio de fundo e o circunstancialismo é que, como este último está sempre a mudar, nunca se chega a uma uniformização ética ou moral do debate. Ora, a democracia sem um suporte ético e moral sólido, que não apenas o que é gerado pelo formalismo legislativo, não se torna esclarecedora.



publicado por jorge c. às 11:48
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011
Impressões de uma campanha IV

Em Batman Begins há uma parte curiosa em que um determinado gás é lançado através das condutas e esgotos, e toda a população fica a alucinar com manias persecutórias.

A campanha eleitoral em Portugal toma sempre uns contornos parecidos. A certa altura parece que anda meio país a alucinar com interpretações macabras do que os candidatos dizem, com histórias de passados duvidosos trazidas à baila sabe-se lá bem porquê... Enfim, um conjunto de tonterias. A verdade é que, como eu disse ontem, esta alucinação colectiva conduz a trocas de insultos que nada têm que ver com o debate político, mas que fazem apenas parte de uma péssima cultura democrática onde o nosso lado é o do bem e o outro o do mal. É exactamente a partir deste maniqueísmo que o debate político desaparece e ninguém fica esclarecido sobre nada.

Este é o meu grande problema com o sectarismo. Não posso aceitar que o debate e o esclarecimento se limitem a problemas dermatológicos dos que vestem a camisolinha e promovem o ruído a tema central das campanhas. A blogosfera e as outras redes sociais poderiam ser a grande excepção, pois são locais de debate privilegiados. Ao invés, faz-se bem pior. É só lamentável.



publicado por jorge c. às 13:45
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011
Impressões de uma campanha III

Haverá algum motivo especial para que em período de eleições o entendimento que temos uns dos outros se altere? Parece-me que por esta altura paira uma nuvem de guerrilha que afecta a própria percepção que temos do outro. Se isto era algo que se compreendia no período quente pós-revolução, não tem qualquer cabimento hoje. A falta de cultura política em Portugal e a imaturidade democrática tornam-se evidentes nesta confusão de percepções. Unimo-nos a quem muitas vezes não suportamos e desprezamos os amigos num tom sobranceiramente acéfalo. É só lamentável.



publicado por jorge c. às 12:18
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Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011
Impressões de uma campanha II

Precisamente do lado oposto, à direita, os apoiantes de Cavaco Silva também parecem não gostar muito do debate presidencial e resolvem entrar no mesmo jogo daqueles que tanto criticam. Foi o caso de Carlos Nunes Lopes que resolveu desenterrar o passado de Alegre. Era um passado escondido? Não, era apenas algo que estava no baú e que CNL foi buscar ao arquivo numa espécie de reacção pavloviana aos ataques da esquerda.

Mais tarde, uma conversa com o Nuno Gouveia no twitter gerou um post seu sobre o tema. E lá está tudo. É exactamente este o problema: se os outros fazem, por que não haveremos nós de o fazer também? Desde logo temos o vírus do entrincheiramento - doença mortal que afectou o debate político em Portugal. Depois, temos o paradoxo dos princípios. Ora, se outrora se defendeu Durão Barroso do seu passado maoísta, por que motivo se irá agora fazer exactamente o mesmo, que tanta indignação suscitou, em plena campanha eleitoral?

A imagem que é dada da forma de fazer campanha é muito importante para a construção da confiança dos cidadãos no poder. Para já não falar no cansaço que o eleitor vai ganhando destes joguinhos inconsequentes e despropositados. Não é assim que o debate ganha credibilidade.



publicado por jorge c. às 11:22
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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011
Impressões de uma campanha I

Chamemos-lhe campanha externa, visto não ser a campanha dos candidatos propriamente dita, mas dos seus simpatizantes ou detractores. Começo por este interessante texto da Sandra Monteiro no Le Monde Diplomatique. Eu tinha-lhe prometido duelo, mas fico-me só por uma breve observação.

É uma forma comum de discutir política à esquerda - levantar o fantasma do neoliberalismo. Diaboliza-se e estereotipa-se o candidato à direita como sendo um inimigo do povo e da democracia que só quer tirar proveitos próprios. Temos assim o retrato do indivíduo de direita. Este argumento cai num erro tremendo e numa demagogia fácil de desmontar. O carácter de um político não se avalia na sua ideologia. Daí que um inimigo do povo possa estar à esquerda ou à direita. Se eu entender que a propriedade e a iniciativa privada cabem hoje no catálogo dos Direitos, Liberdades e Garantias, então terei de encontrar um inimigo constitucional no PCP ou no BE, logo, nos candidatos Francisco Lopes e Manuel Alegre. Não seria sério da minha parte fazê-lo.

Outra questão que a Sandra levanta prende-se com a complacência de Cavaco no caso BPN. A única questão que poderíamos levantar aqui era a de Dias Loureiro. Ainda assim é discutível fora do âmbito especulativo sobre o que Cavaco pensa ou deixa de pensar. Naquilo que são os poderes objectivos do PR nada havia a fazer e só Dias Loureiro poderia sair pelo seu próprio pé. Tudo o resto são assuntos da Justiça e decisões do Governo (a nacionalização) e, neste último caso, se queremos questionar alguma coisa terá de ser sempre, em primeiro lugar, a decisão do executivo.

De resto, concordo com alguns aspectos da sua crónica, nomeadamente no que diz respeito às escutas e à fabricação de consenso. Com jeitinho e boa vontade, até nós fabricamos aqui um consenso.



publicado por jorge c. às 13:51
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Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011
Para encerrar o assunto Cavaco/BPN

A ler estes dois posts (I, II) de Francisco José Viegas. Podemos ler isto:

 

"Culpar os anos do cavaquismo é uma hipótese muito produtiva para efeitos de pregação moral e de reavivamento da memória, para quem não toma Fosgluten; mas as Sras. Auctoridades que deixaram o BPN chegar a este buraco suspeito estão livres de investigação; o Banco de Portugal fica com o currículo limpo; a CGD vai receber doses injectáveis até diluir o veneno; e os tribunais hão-de recorrer a linguistas e filólogos como de costume."

 

e isto:

 

"Durante meses pedem política, ideias, honra e seriedade; em dois dias, seguem a lebre como se fossem alferes de coutada."



publicado por jorge c. às 14:41
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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011
Cavaco e o BPN - breve comentário

Por que razão Cavaco diz que estão a deturpar o que disse? Simples. Cavaco referiu-se à actual gestão do BPN por causa da sua fraca recuperação. Porquê? Porque o Estado já injectou lá muito dinheiro. E por que é que Cavaco não falou da gestão anterior do BPN? Porque o BPN era um banco privado e o Estado não tinha injectado lá quantias astronómicas. É difícil compreender isto? Não é. Só por pura maldade e ódio político se dizem os disparates que se disseram ontem com argumentos rebuscados que vão sempre dar à antiga administração do BPN (e da SLN). Ora se o comentário foi sobre a actual administração... é fazer as contas.



publicado por jorge c. às 07:35
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Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010
As mulheres portuguesas - um país diferente

Até parece que estou a fazer campanha por Cavaco. Não estou. Mas a tentativa de denegrir adversários por processos menos correctos é uma coisa que me chateia.

Em que país vivemos? Num país tecnologicamente evoluído, de absoluta igualdade social e de género onde todos os homens e mulheres desempenham as mesmas funções? Num país todo moderno? Não. Mas só quem não tira o cu de Lisboa é que pode ver um país que para todo o outro território não existe. Um país com centenas de milhares de donas de casa (aproximadamente). Aquilo que chateia o Daniel é que esse país existe. Mas ele existe e, apesar do populismo serôdio da mensagem de Cavaco, ela não está direccionada para o vazio, tem um alvo muito significativo.

Confundir esse populismo com sexismo não é honesto. Não é. Comparar Cavaco com Salazar é, mais uma vez, de uma desonestidade intelectual sem nome. É apenas ódio e diabolização que prefere estas comparações radicias para provocar medo naqueles que não terão tanta disponibilidade para se debruçar sobre o assunto. É que basta pensar um bocado, sair do universo da baixa pombalina e ir, por exemplo, aqui ao lado ao distrito de Santarém ou de Setúbal e encontrar um número significativo de mulheres que se sentem contempladas pela mensagem do Presidente, porque, ao contrário do Daniel, ele não ignora que elas existem. Ao contrário dos feministas de trazer por casa deste país, ele sabe que num momento de consternação social uma dona de casa tem extrema relevância no plano familiar. É claro que existem muito mais mulheres com outras realidades. Mas aquelas serão muito mais esquecidas.

Esta despreocupação com a estabilidade das famílias portuguesas reais, as que ainda existem em grande maioria, fora do grande universo do Marquês de Pombal, nós já conhecíamos. O que não conhecíamos era o total desprezo que se sente pelos seus pilares.

Portanto, como não gostamos que haja mulheres que optem por uma vida doméstica, muitas vezes nem se tratando de uma opção, vamos insultar quem se dirija a elas. É todo um novo conceito de feminismo.



publicado por jorge c. às 12:49
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A boa oposição

E o Presidente da República lá o promulgou. Sei que havia quem estivesse em pulgas para que o diploma fosse vetado para haver mais um motivo contra Cavaco. A verdade é que o Presidente da República tem sido, ao longo do seu mandato, muito sensato nestas matérias e nunca constituiu um impedimento para que o Governo prosseguisse com o seu programa. E nós preferimos certamente um Presidente nestes termos do que um freelancer político mais preocupado com o seu estatuto diletante do que com as suas responsabilidades. No entanto, a boa oposição anti-cavaquista não parece estar muito preocupada com esta questão e, por certo, esta promulgação será um esquema eleitoralista. Preso por ter cão, preso por não ter.



publicado por jorge c. às 12:28
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Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010
Perdas de tempo

Não foram tanto os debates que lançaram o debate presidencial, mas sim a falta de assunto. Calhou tudo bem. Mas esta eleição já está condenada no interesse que possa suscitar desde o início. É que em democracia devemos fazer valer uma proposta política e o que está a acontecer, e irá piorar nas próximas semanas, é o ataque directo a Cavaco Silva. Quando a intenção de voto toma esta forma, sabemos que a qualidade da democracia é baixa e a culpa não é, obviamente, apenas do alvo. Mas também podemos notar a desvalorização da eleição, tanto neste aspecto da irrelevância da escolha desde que não seja aquele, como na atenção propriamente dita que lhe estamos a dar. Vale, então, a pena discutir alguma coisa?



publicado por jorge c. às 10:25
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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
O festim das hienas

Não sou propriamente o maior dos fãs de Cavaco Silva. No entanto, não posso de deixar de considerar triste, lamentável, pobre, fraquinha, mesquinha toda a campanha que começou ontem de detracção. Primeiro começou nas suas palavras. Os seus detractores implicam com tudo: vírgulas fora do lugar, palavras sem acentos, a boca seca, o cabelo despenteado. Tudo aquilo que verdadeiramente interessa.

Se Cavaco é uma personagem estranha da política portuguesa, a crítica que lhe fazem não lhe fica atrás. Não passa de uma crítica sectária, ininteligível e baseada no ódio partidário e, muitas vezes, pessoal. Outra forma não haveria para atacar Cavaco em rigor porque não passaria de simples debate político. Insuficiente porque o povo é estúpido. Dirão que há imenso por onde atacar politicamente. Muito bem, estamos todos à espera que larguem a galinha de plástico que faz barulhinhos e partam para a caça.

O que é engraçado é que, depois do tanto que se defendeu José Sócrates por causa dos ataques pessoais, faz-se exactamente o mesmo a Cavaco. Não? Claro que não. É só impressão minha.



publicado por jorge c. às 09:50
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Terça-feira, 26 de Outubro de 2010
Em si mesmado

 

Mas que não restem dúvidas: um voto inevitável.



publicado por jorge c. às 23:11
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010
Medíocre

Ouvi de manhã na rádio, logo pela fresquinha, umas declarações deploráveis de Defensor de Moura que, segundo os senhores da TSF, eram da mesma família das proferidas pelo Candidato Alegre. Duas aves raras que assaltaram o espaço mediático sem qualquer qualidade política para o cargo a que concorrem - a Presidência da República. Sejamos claros, estamos perante duas pessoas sem a mínima aptidão para o cargo e cujos votos serão muito forçados pelo adversário mais directo - Cavaco Silva.

Torna-se difícil acreditar que alguém pode votar conscientemente e com vontade em dois candidatos que, perante o clima de dúvida face à aprovação do Orçamento, resolvem dizer que o Presidente está a fazer campanha dissimulada ao convocar os partidos. Isto não passa pela cabeça de ninguém tendo em conta a situação política e o impasse que estamos a viver. Era a obrigação do PR tomar tal atitude.

É certo que o comportamento de Cavaco nos últimos tempos não pode agradar a ninguém. O actual PR não pode adiar muito mais o anúncio da sua candidatura. Poderão alguns dizer que não é a altura para andar a apresentar candidaturas e que há coisas mais importantes a tratar. Confesso que já estamos um bocadinho fartos desta conversa de saco e que se torna evidente para todos que Cavaco Silva é um político demasiado calculista para que se caia nisto muitas vezes.

Mas o que não se pode negar é que, enquanto PR, Cavaco tem feito esforços no sentido de promover o entendimento em matérias que precisam de consensualidade, como é o caso do Orçamento de Estado. Por mais voltas que lhe queiram dar, por mais má-fé que queiram a atribuir às suas atitudes, isto é o que qualquer Presidente faria e que, repito, não é mais do que a sua obrigação.

Se tal não serve para provar o tipo de campanha que vem aí dos adversários de Cavaco, então não sei do que mais precisam.



publicado por jorge c. às 17:33
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Segunda-feira, 31 de Maio de 2010
contra-candidato

Na mesma semana em que se discutiu um hipotético candidato alternativo à direita, o PS decidiu-se pelo seu apoio a Manuel Alegre. Apesar de ponderado e cauteloso não deixa de ser extemporâneo. Demonstra-se que o PS não tinha nenhuma alternativa, mas que para a esquerda até um burro com uma placa a dizer "candidato" servia para derrubar o seu maior ódio de estimação desde o 25 de Abril: o terrível monstro-conservador Cavaco. Como tal, Sócrates percebeu que o melhor seria apostar neste apoio. Para além disso, a semana confirmou-lhe um certo desagrado em relação a Cavaco. Porém, esse desagrado pode ser falso e o actual Presidente da República pode ser reeleito com alguma folga, como previsto.

Mas, isto dos cenários é coisa para a rapaziada do teatro e do cinema. A realidade e os factos, para já, dizem-nos apenas uma coisa: o apoio à candidatura de Alegre é frágil e só ganhará com o voto útil contra Cavaco. Alegre é um mau candidato, mas isso para o sectarismo é indiferente.



publicado por jorge c. às 12:53
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